Todos que conheciam Max Verstappen sabiam que ele não era a pessoa mais humorada, carinhosa e brincalhona.
Ele tinha seus momentos, principalmente agora que parecia mais propenso a criar vínculos com seus colegas, além de Carlos e Daniel.
Mesmo...
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BÉLGICA 27 DE MARÇO DE 2016
Charlotte nunca em toda sua vida tinha pensado em matar uma pessoa. Ela costumava ser alguém calma. Conversa antes de tapa. Sorriso ante a careta. Essas coisas que são ensinados desde a pré escola. E ela costumava a seguir a risca.
O problema era que Max Emilian Verstappen tinha entrado na farmácia com um sorriso maior que a cara praticamente. Fora o fato de estar segurando sua mão. O que por si só já a deixava com vontade de o esganar.
O combinado era ele comprar sozinho, mas a bendita mão junto a sua não a deixava se afastar dele. E agora todos saberiam que era para ela. E existia coisa mais humilhante do que acompanhar um cara sorridente a comprar a maldita pílula do dia seguinte?
— Boa noite! O que desejam?
A atendente parecia entender e saber muito bem o que eles queriam. O que um "casal" jovem poderia querer durante a madrugada em uma farmácia de cidade pequena? Não existia exatamente muitas opções e, ao menos, o piloto da Toro Rosso tinha sido inteligente o suficiente para não ir ao local de trabalho da mãe de Charlotte.
Chloe Bakker não era propriamente uma mãe das antigas que fingia não ver as safadezas da filha. Charlotte ainda se lembrava de como foi constrangedor o dia que a mãe a colocou sentada após sangrar pela primeira vez e resolveu a dar uma aula preparatória quando a sexualidade. Todavia, mesmo sendo esse tipo de mãe. Chloe mataria a filha mais velha se a fizesse passar pela vergonha de estar indo comprar uma pílula do dia seguinte no seu trabalho.
Chloe Bakker sempre deixou claro que não aceitaria netos antes da faculdade ser concluída.
Charlotte estava em seu quinto semestre.
Sua mãe a mataria se a desonrasse nesse nível.
Tudo tinha limites.
Max parecia desconhecer essa palavra.
— Minha namorada e eu queremos uma pílula do dia seguinte.
E ele havia a chamado de namorada? Pelos deuses do Olimpo, Charlotte nunca mais o deixaria encostar nela. Tomaria a bendita pílula e fugiria para as colinas. Talvez voltasse a casa de Florence Bilard apenas para acordar a amiga que estava apagada em cima do cara, aparentemente tão devastada quanto ela após uma rapidinha.
Céus! Charlotte se negava a pensar sobre o fato de Alana ter transado com Florence na sala. Todavia, como ela poderia julgar a amiga ou jogar na sua cara, quando tinha deixado Max a comer no banheiro?
— Você já faz uso da medicação?
A farmacêutica questionou, os olhos grudados a Charlotte. Max também a encarou, uma sobrancelha suspensa. A morena passou a língua pelo lábio inferior, se sentindo ainda mais exposta. Primeiro pela situação. Segundo pela pergunta. Terceiro pois Max a encarou, deixando claro que ela poderia ter o feito com outras pessoas e não com ele. O que a mulher iria pensar dela?