Pov Chloe
Caminhei em direção à porta da frente e abri.
Theo: Demorou, Chloe. Achei que teria que entrar e interromper o almocinho de família.- Ele deu um sorriso de lado.
Chloe: Cala a boca, me mostra o que você encontrou.- Ele desbloqueou a tela e estendeu o celular para mim. Eram fotos pixeladas provavelmente de alguma câmera de segurança de um galpão vizinho ao cais, a data e a hora batiam exatamente com o início do incêndio, na imagens via-se o Henrique perto de um armazém e na outra foto um carro parado a dois quarteirões de distância saindo em velocidade logo após a primeira fumaça aparecer.
Theo: Viu? foi o seu sogrinho perfeito que limpou o meu pai da existência.
Chloe: Calma, Theo, você não entendeu, o Lucas não foi a vítima. Eu ouvi o Henrique no telefone agora pouco. Ele disse que faria de novo para mantê-la segura. O seu pai estava ameaçando a Elis.
Theo: E isso dá o direito dele ser juiz e carrasco?- Ele se aproximou invadindo meu espaço.- Meu pai tinha erros mas era meu pai. O Henrique é um assassino, Chloe e você está aqui protegendo ele sendo cúmplice. De que lado você está? Do lado da verdade ou dessa fantasia que você vive com a Elis?
Chloe: Eu estou do lado da Elis!- gritei mas logo baixei o tom olhando desesperada para a porta da casa.- Se você contar isso agora, você destrói a vida dela. Ela não tem culpa do que o pai fez.
Theo: E eu não tenho culpa de ter ficado órfão por causa dele. Eu vou entrar, Chloe, sai da frente.- Parei na frente do portão segurando as grades com força.
Chloe: Você não vai entrar.
Theo: Você não entende porque não está no meu lugar, eu perdi tudo mas a Elis ainda tem o pedestal dela, vamos ver quanto tempo ele dura.- Nesse momento, o barulho da porta de madeira se abrindo atrás de mim fez meu sangue parar de circular.
Elis: Chloe? O que está acontecendo? Theo? O que você está fazendo aqui?
Virei-me devagar, Elis estava parada na varanda, secando as mãos em um pano de prato com um sorriso confuso que foi morrendo aos poucos conforme ela notava a minha cara de pânico e a postura agressiva do Theo. Logo atrás dela, Henrique apareceu, ele não disse nada mas seus olhos encontraram os meus e naquele segundo, houve um entendimento silencioso. Ele sabia que eu sabia.
Theo: Oi, Elis.- Theo deu um passo à frente, ignorando o meu braço estendido.- Eu só vim trazer umas lembranças para o seu pai. Coisas que ele esqueceu lá no cais.
Elis: Do que você está falando? Pai, você foi ao cais?
O silêncio do Henrique foi a coisa mais ensurdecedora que já ouvi, ele não negou de imediato. Ele apenas olhou para a Elis com uma tristeza profunda como se estivesse se despedindo dela por antecipação.
Henrique: Elis, entre. Chloe, leve ela para dentro. Theo, vamos conversar nós dois, de homem para homem.
Theo: Não tem mais conversa, Henrique!- Theo gritou puxando o celular e mostrando a tela para a Elis de longe.- Olha aqui, Elis! Olha o carro do seu herói fugindo enquanto o meu pai queimava vivo. Ele matou o meu pai, o seu pai é um assassino.
Elis soltou o pano de prato, ela olhou para o celular, depois para o pai, e por fim para mim.
Elis: Chloe, me diz que ele está mentindo e está louco por causa do luto.- As lágrimas começaram a inundar os olhos dela, e eu senti como se estivesse morrendo junto com ela.
Chloe: Elis, eu...- Minha voz falhou, eu não conseguia mentir.
Elis: Você sabia? Chloe, você sabia disso e me trouxe aqui para almoçar?
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Sem medo de amar
Roman d'amourElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
