Pov Chloe
Fiquei mais alguns minutos observando a Elis indo embora. Eu queria correr atrás dela e implorar para que ela não me deixasse, mas minhas pernas não obedeciam.
Xxx: Moça? Nós vamos fechar.- o atendente veio falar comigo.
De repente, meu telefone vibrou. Por um milésimo de segundo meu coração saltou achando que era ela, mas era o Theo.
Theo: A polícia acabou de levar o Henrique algemado. A justiça tarda, mas não falha, não é?
Chloe: Você está feliz agora, Theo?- minha voz saiu rouca.- Você conseguiu o que queria. O Henrique está preso e a Elis foi embora. Ela me deixou, parabéns, você destruiu a única coisa boa que eu tinha.
Theo: Eu destrui?- ele deu uma risada seca do outro lado.- Quem matou foi o Henrique e quem mentiu foi você. Agora se a sua relação com a princesinha não aguentou a verdade, talvez ela não fosse tão forte assim.
Chloe: Você não sabe o que é amor, Theo. Tudo bem que o Henrique errou mas agora a Elis está sozinha porque você decidiu que a sua vingança valia mais que a felicidade dela.
Theo: Meu pai está morto, Chloe!- ele gritou.- Agora estamos todos no mesmo nível e não se faça de santa, você sabia de tudo e guardou o segredo sendo assim és culpada quanto o assassino.- Desliguei na cara dele.
Xxx: Moça? Por favor, eu realmente preciso trancar a porta.- o atendente insistiu, já com as chaves na mão.
Quando sai do café, fui direto para casa.
Quando cheguei, as luzes da sala ainda estavam acesas. Eu sabia que a minha mãe ainda estava acordada, provavelmente acompanhando o noticiário sobre a prisão do Henrique e preocupada comigo. Quando a chave girou na fechadura e eu entrei, o som da televisão preenchia o ambiente, mas parou no instante em que ela me viu.
Minha mãe se levantou do sofá num salto, sem precisar dizer uma palavra sequer. Ela percebeu meus olhos inchados, minha postura derrotada e o tremor violento das minhas mãos.
Jana: Chloe...- Eu não consegui responder.
Apenas caminhei até ela e me joguei em seus braços. Enterrei meu rosto em seu ombro e soltei um soluço que estava preso na minha garganta desde o momento em que vi a Elis sair pela porta do café.
Chloe: Ela foi embora, mãe.- eu disse entre os soluços.- Ela me deixou e o pior é que eu não consigo nem dizer que ela está errada.
Minha mãe me apertou com força, acariciando meus cabelos e me guiou até o sofá sem me soltar.
Jana: Calma, minha filha. Respira- ela sussurrou, balançando-me levemente.- Se o amor de vocês for o que eu vi todos esses meses, essa destruição é apenas temporária.
Chloe: E se ela nunca mais me perdoar?
Jana: Eu acredito que tudo irá ficar bem. Tenta entender a dor dela.
Ela se afastou um pouco, segurando meu rosto com as duas mãos. Seus olhos estavam húmidos, mas sua expressão era firme.
Jana: Vem, vamos para a cozinha. Você precisa beber uma água e comer alguma coisa.
Chloe: Eu não estou com fome, mãe.- Me levantei com dificuldade, sentindo meus músculos rígidos.
Caminhamos até a cozinha. Ela colocou a chaleira no fogo e eu sentei-me na cadeira de madeira.
Jana: Bebe um pouco de água primeiro.- ela disse, empurrando um copo de vidro para mim antes de se sentar na cadeira à minha frente.
Chloe: Eu sou uma pessoa horrível, mãe?- perguntei olhando para o meu reflexo distorcido no copo.- O Theo disse que eu sou tão culpada quanto o assassino.
Minha mãe suspirou profundamente, estendeu a mão por cima da mesa para segurar a minha.
Jana: O Theo está falando através do luto e do ódio, Chloe. Não use o julgamento dele como o seu espelho. Você não apertou gatilho nenhum.
Chloe: Mas eu escondi.
Jana: E por que você não contou no momento em que soube?
Chloe: Porque eu tive medo.
Minha mãe apertou minha mão, forçando-me a olhá-la.
Jan: Escuta aqui. O que o Henrique fez foi uma escolha dele. Ele é um homem adulto que decidiu cruzar uma linha da qual não se volta e você é uma jovem que se viu presa entre a lealdade à mulher que ama e o horror de uma descoberta criminosa. Você errou no tempo, Chloe, mas sua intenção não foi na maldade. O problema é que ninguém quer ser protegido da verdade, por mais que ela doa.
Ficamos em silêncio enquanto o apito da chaleira anunciava que o chá estava pronto. Ela se levantou, preparou duas xícaras de camomila e voltou a se sentar.
Chloe: E agora, o que eu faço? Ela foi para a casa da tia em outra cidade. Ela disse para eu não procurá-la.
Jana: Agora você precisa respeitar o espaço dela. Ela precisa descobrir quem ela é sem o pai e, infelizmente, por um tempo, sem você também, mas isso não significa que seja o fim.
Chloe: E o Theo? Ele vai querer que ela deponha.
Jana: O Theo está em um caminho de autodestruição. Se ele tentar atingir a Elis de novo, nós daremos um jeito mas filha, olha para mim.- ela esperou eu olhar em seus olhos.- Você precisa se perdoar também. Se você ficar se punindo, quando a Elis estiver pronta para conversar, e ela vai estar, porque o que vocês têm é raro, você vai estar tão em pedaços que não vai conseguir reconstruir nada.
Levantei-me sentindo o corpo pesado como se carregasse chumbo. A xícara de chá estava pela metade, mas eu não conseguia dar mais nem um gole.
Chloe: Vou tentar deitar, mãe mas não sei se consigo dormir. A cama parece grande demais.
Jana: Quer que eu fique com você até você pegar no sono como quando você era pequena?- Sorri fraco, sentindo as lágrimas voltarem a arder.
Chloe: Não precisa, mãe. Eu preciso ficar sozinha.
Subi as escadas devagar. Ao entrar no meu quarto, dava para sentir o cheiro da Elis vindo de um casaco dela que tinha ficado pendurado atrás da porta. Fui até ele e enterrei meu rosto no tecido e chorei.
Passei o resto da noite em claro, virando de um lado para o outro enquanto a imagem da Elis se afastando de mim se repetia em um loop infinito. Quando os primeiros raios de sol começaram a atravessar a cortina, eu já estava de pé.
Eu precisava fazer algo. Não podia simplesmente ficar sentada esperando o tempo curar feridas que ainda estavam sangrando.
Jana: Chloe? Já acordou?- minha mãe perguntou aparecendo na porta da cozinha enquanto eu pegava as chaves do carro.
Chloe: Eu preciso ir até a casa da Letícia, mãe. Ela está sozinha.
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Sem medo de amar
RomantikElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
