O encontro entre eles foi agitado, movido por muitos sentimentos, e pouca paciência.
Tudo o que Penélope queria era fazer uma tatuagem, a possível dor ou o fato do lugar escolhido deixar o seu rosto em brasas não eram um problema. O seu maior probl...
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Uma semana se passou após toda aquela loucura que o Shane e eu fizemos dentro do estúdio dele, e claro, um banho na casa dele e roupas limpas após o ato porque eu simplesmente odiava não me lavar e trocar de roupa após qualquer tipo de relação íntima, especialmente sexo.
Durante essa semana Shane concordamos em tentar se encontrar durante a noite o máximo que nossas agendas permitissem para trabalharmos o trauma dele com carros, passando o máximo de tempo possível dentro dele, intercalando entre os assentos, ligando e desligando o motor de vez em quando. Conseguimos realizar esses encontros no estacionamento do meu prédio três vezes nessa semana, na primeira ficamos conversando por vinte minutos, na segunda chegamos ao recorde de trinta minutos, na terceira quarenta.
— Você está indo muito bem. — falei quando uma hora e quarenta minutos se passaram e o filme que estavamos assistindo no meu computador no banco da frente do carro chegou no fim. Achei que distrair Shane com algo diferente enquanto ficávamos dentro do veículo seria bom, e realmente foi, o tempo passou rápido. — Podemos tentar sair da vaga, rodar o estacionamento e estacionar de novo na próxima vez.
Shane tirou os olhos dos créditos rolando na tela do meu computador e me encarou com as sobrancelhas erguidas, como se perguntasse é sério isso? Ofendido com a minha sugestão claramente vista como ridícula.
— Sério? Uma volta no estacionamento? Nem as aulas de direção foram assim. — bufou, e dessa vez seu ego estava tomando conta do trauma, cegando e levando-o a acreditar que isso era muito pouco para ele superar o medo. A superação dos traumas não funciona assim.
— Está bem, senhor-estou-curado, vamos dar uma volta no carro, então. — Tirei as chaves do meu bolso e coloquei na ignição. Os olhos dele arregalaram e na mesma hora sua mão estava cobrindo a minha e me impedindo de avançar. — Ué, o que aconteceu? Não estava todo ofendido com a sugestão?
— Ok, ok, eu entendi, Penélope — ele reclamou, irritado pela ameaça ao invés de compreender e admitir o porquê dela e como fazia o seu trauma reagir.
— Não, você não entendeu. Desde que começamos isso você fica com essa cara de bunda, menosprezando cada minuto dentro do carro, como se nada disso fosse útil. Se está tão bem assim então não sei porque ainda estou te ajudando. — tirei a chave da ignição, abri a porta e saí do carro, apertando a chave para trancar todo o carro com ele dentro veículo.
Não estava disposta a entrar numa discussão e muito menos em acertar a careca dele para tentar colocar juízo naquele cérebro grande e tinhoso.