Akemi Uchiha

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Acordo lentamente, sinto que há algo errado, me sentindo estranha. Como se algo estivesse faltando. E de fato está. Os braços, agora magros, de meu amado não estão envoltos ao meu corpo.

Resmungo e me viro, mais dormindo do que acordada, porém, estranho o fato de que ao fazer isso, Madara não se move. Como de costume, sempre que me movo ou resmungo, seja para me virar ou não, Madara sempre me envolve e me puxa para si. Se tornou um hábito quando dormimos. Desde que meus terrores noturnos começaram após a morte de Haruki, somente o corpo de meu homem me fazia ficar calma mais uma vez. Chegamos ao ponto de que, mesmo inconsciente, para garantir meu bem estar, a cada vez que eu resmungava ou me mexia, Madara me puxava para si e me abraçava calorosamente.

Abro meus olhos e me mexo outra vez, de frente pra ele, o vejo deitado de barriga pra cima, olhos fechados, os cabelos enormes e brancos espalhados por todo o travesseiro, porém o desespero tomou conta de minha alma e me fez estremecer até os ossos.

O peito de Madara não se movia no ato automático da respiração.

Akemi: Amor? - Pergunto baixinho. Minhas mãos ficando trêmulas. O medo me consumindo - Amor, acorda! - Coloco minha mão sobre o peito dele e sinto a pele fria... O nó em minha garganta se formou.

Não! Não! Não! Pelo amor de Deus! Não!

Meu peito começou a doer em pura tristeza.

O coração dele não estava batendo.

Akemi: Madara acorda! Pelo amor de Deus! - Sacudo ele mais forte, mas com cautela.

A dor em meu peito aumenta e meu olhos marejam e ardem.

Akemi: Amor - Sussurro - Para de besteira, acorda, por favor - E em seu peito magro, cai a primeira lagrima. Seguida de outra e mais outra. Após isso, o primeiro soluço. Ele não está brincando, ele não vai abrir os olhos.

Madara está morto...

Abraço seu frágil corpo e derramo todas as minhas dores em forma de lágrimas, derramo todo o meu medo por perder mais alguém. Derramo por estar sozinha. Sem o homem que eu amo.

Os soluços são frenéticos, a dor corrói meu peito e minha alma. Eu estou sozinha. Sem o meu amado. Sem meu o meu marido. O meu Uchiha.

Eu tenho o Tsukuyomi em minhas mãos, sozinha... É o nosso sonho. Nossa ambição. Nosso objetivo.

Vou te tornar forte, meu amor. E trarei você de volta... Eu juro. Não vou desaponta-lo.

Por fim, beijo a testa enrugada de meu marido e enxugo minhas lágrimas, tal ato não resolveu nada, aliás, elas voltaram a rolar intensamente. Estou sozinha agora, mas tenho um mundo dos sonhos pra criar.

Sempre soube que um dia a morte bateria em sua porta, que um dia viveria sozinha. Além do mais, sou imortal, é o meu destino ver todos aqueles que amo morrerem.

Viver sozinha nunca foi um problema até conhecer Madara e dividir com ele absolutamente tudo. Desde os meus desejos, aos sonhos, traumas e medos. Ele também dividiu todos os seus medos, segredos e traumas comigo e me sinto feliz por isso até hoje.

Esse não é o fim, repito a mim mesma. Sei que é temporário, que irei vê-lo outra vez. Mas dói, dói saber que por alguns anos, não terei o abraço caloroso, o olhar apaixonado e as palavras doces que somente ele dizia. Dói saber que ao me deitar, não terei o corpo quente dele para me aconchegar, que não terei o toque delicado de suas mãos grossas e quentes. Cada mínimo detalhe sempre importou, cada pequeno detalhe, eu sempre reparei.

Apesar de nunca dizer a ele que eu amava absolutamente tudo nele, ele ainda assim sabia. Meu marido observava cada detalhe, cada gesto que eu fazia em resposta a algum ato dele. Nunca precisei dizer e deixar explícito, meu Uchiha via e sabia dos meus sentimentos sem que eu precisasse dizer qualquer coisa.

Tsukuyomi InfinitoOnde histórias criam vida. Descubra agora