Gabriela
Aproveito que ainda não escureceu, mas já tá no finalzinho da tarde e vou até o salão da Rebeca, ela me chamou pra ir lá que iria fazer um combo pra mim, incluindo cabelo e unha pra nós duas podermos sair hoje mais tarde. Como já estou de banho tomado, passo um hidratante corporal e minha colônia de bebê, passo apenas um pente nos meus fios e jogo eles para trás, sentindo eles baterem acima da minha cintura um pouco, calço minha havaianas branca e saio do quarto com o celular em mãos.
Passo pela sala e olho lá pra cozinha vendo minha mãe arrumando alguma coisas por lá.
Eu: Tô indo ali rapidinho- falo alto pra ela poder escutar.
Luana: Cuidado, viu- fico quieta e saio fechando a porta.
Tranco o portão e vou subindo por essas ruas, o bom é que o sol já foi embora, mas ainda não escureceu. Olho pra trás e vejo um moto-táxi vindo, paro e faço sinal pra ele que para do meu lado.
- Pra onde? - jogo meus cabelos pra trás e dou a volta na moto, pra não me queimar no motor dela.
Eu: Pro salão da rua de cima- ele confirma e sai acelerando com a moto.
Poucos minutos depois, eu desço da moto e pago o moto-táxi, ele vai embora e eu olho o lugar onde fica o salão e vejo várias casas bonitas por aqui, diferente das que tem lá pra baixo. Olho pra dentro do salão, vendo Rebeca de costas pra mim fazendo o cabelo de alguma mulher e eu entro, atraindo sua atenção.
Rebeca: E aí, gata- vou até ela e nos cumprimentamos com beijo no rosto- senta ali nessa cadeira, amiga, a Tânia vai fazer sua unha.
Vou até a cadeira e me sento, meus pés por pouco não alcançam o chão por conta dela poder aumentar o tamanho e eu me ajeito, desbloqueio meu celular, entro nas mensagens, mas vejo que não tem nenhuma e desligo novamente.
Eu: Amiga, posso abaixar a cadeira?- ela para de mexer no cabelo da mulher e olha pra trás.
Rebeca: Claro que pode, amiga, sabe descer ela? - eu confirmo e desco um pouco a cadeira que gira, o tamanho diminui e meus pés conseguem encostar no chão.
Rebeca: Toda fofinha - sorrio, e ela volta a pegar no cabelo da mulher. Depois de alguns minutos, uma mulher aparece na porta do salão de short jeans e blusa branca.
Rebeca: Tânia, atende a Gabi ali pra mim, tô ocupada com a Joyce aqui- fala olhando pra mulher que acabou de entrar e parou em frente o bebedouro, enche o copo d'água e bebe olhando pra mim.
Ela joga o copo descartável na lixeira e vem na minha direção, observo a mulher loira com os peitos grandes, mostrando ser silicone.
Tânia: Oi, gatinha- ela pisca pra mim e entra num quartinho ali nos fundos, depois volta trazendo uma maleta- tudo bom?
Eu: Tudo sim. Amiga, que lugar é esse que a gente vai hoje mais tarde?- coloco uma mecha de cabelo atrás da orelha e observo a loira sentar na cadeira à minha frente.
Rebeca: Show do Orochi, te mandei mensagem ontem, não viu?- ela me olha pelo espelho.
Eu: Acho que sim, mas esqueci- mergulho meu pé na bacia com água pra amolecer minhas cutículas.
Tânia: Falaram que Saynara tava dentro do carro do Souza hoje de tarde, é verdade mesmo ou fofoca que ela espalhou?- se vira pra Rebeca que passa algo no cabelo da moça.
Rebeca: Ué, você não tava aqui não?- Tânia nega- ah, mas tava dentro sim, ainda passou com ele aqui em frente, fez questão de abaixar até o vidro pra falar com as meninas que tava aqui na frente, vadia do caralho.
Paro um pouco pra analisar essas palavras. Mesmo que nós dois não tenhamos nada, é difícil não pensar em algo que justifique algumas ações que ele teve outro dia, não quero ser taxada como vadia ou puta, não quero ser vista com ele, do mesmo jeito que ele mostrou que não quer aparecer comigo. Mas a favela toda vendo ele com uma mulher, me faz entender que o problema talvez esteja em mim.
Respiro fundo tentando afastar esses pensamentos, nunca pensei que iria me diminuir por causa de homem. Nunca me importei com nada que eles fizessem, sei que o Souza já é um homem adulto, e eu apenas uma adolescente, mas é difícil não tentar achar uma justificativa pra isso.
