Gabriela
Entro em casa e fecho o portão, escuto alguns barulhos na cozinha e vou até lá, mas antes eu jogo minha bolsinha com o dinheiro que o Souza me deu no sofá. Apareço no batente e abaixo um pouco minha saia vendo ela cozinhando algo.
Luana: Demorou tanto por quê?- travo com a pergunta e vou até a geladeira pegando uma garrafa d'água.
Eu: A gente resolveu ficar até fechar o bar - minto e coloco a água no copo, bebendo em seguida.
Luana: Não tá bêbada, né? se não eu te jogo na água fria - ela para de mexer na panela e se vira pra mim, apontando com uma colher de pau.
Eu: Não, eu nem bebi muito - deixo o copo na pia e me encosto na bancada, passo a mão por meu braço e acabo vendo ele meio marcado, provavelmente foi na hora que o Souza me puxou pra eu pegar o dinheiro.
Luana: E de quem era o carro aí na frente? e não mente que eu vi você conversando com a pessoa que tava no motorista - ela desliga o fogo e cruza os braços me olhando.
Eu: Era um homem - ela franze as sobrancelhas e eu tento cobrir meu antebraço com a mão.
Luana: Que homem? o que ele tava querendo contigo? - jogo meus cabelos pra trás e mordisco o lábio inferior.
Se ela soubesse..
Eu: Era o irmão da Rebeca, veio me trazer aqui rapidinho - me desencosto da bancada e vou até o fogão - a senhora fez o que de bom?
Luana: Tu não tá mentindo pra mim não, né, Gabriela? você tem que parar com essa mania de ficar mentindo pra mim, sou sua mãe - coloco a tampa na panela novamente e olho pra ela.
Eu: Quem disse que eu tô mentindo pra senhora? sério, se quiser pode perguntar pra Rebeca depois - ela coloca as duas mãos na cintura e semicerra os olhos pra mim - eu juro, não tô me envolvendo com ninguém - me aproximo dela e dou um cheirinho no seu pescoço.
Luana: Tu tá dando, Gabriela? - me afasto dela perplexa com a pergunta e arregalo um pouco os olhos.
Eu: Que isso, mãe, tô dando o que? não entendi - pago de maluca e ela levanta uma sobrancelha.
Luana: Virgem, tu ainda é virgem? e é melhor me contar a verdade, não quero depois ficar sabendo de tu grávida sem nem suspeitar, mas eu te conheço e não quero ser mais uma de várias mães que não sabem nem o que o filho apronta, bora, me diga. Tá dando ou já deu? - sinto os dedos dos meus pés suarem, mas se tem uma coisa que eu sou boa, é em mentir.
Eu: Não, não sou mais virgem, mas foi só uma vez pra nunca mais, eu prometo - ela fica em silêncio por segundos e me analisa dos pés a cabeça.
Luana: Que marca é essa aqui? é de dedo? - ela pega meu braço e analisa as marcas vermelha.
Eu: Pode ter sido qualquer coisa. Não é marca de dedo exatamente - olho pro meu braço também e passo a mão pela marca - depois sai.
Luana: E quem é o cara que tu abriu as perna? me explica isso direito - ela apoia a mão com as unhas vermelhas na pia e me fita.
Eu: Eu nem lembro mais da cara dele, faz um tempo já, esquece isso - coloco meu cabelo atrás da orelha e saio dali, indo pra sala.
Escuto ela me seguindo e eu pego minha bolsinha no sofá, indo até a escada.
Luana: Se eu souber que você tá mentindo, Gabriela, se tiver indo se encontrar com macho e tá mentindo pra mim, não vai prestar - olho pra trás e passo a mão pelo cabelo - tu tá nova, Gabriela, o homem que querer se envolver com você, ele vai focar no próprio prazer, no benefício de ter você. Se tiver com interesse em alguém, pelo menos me avisa, e cuidado principalmente com homem que já tem pelo no saco, esse tipo só querem as novinhas pra fazer de boneca.
Seu comentário sincero me pega de surpresa e eu apenas balanço a cabeça confirmando.
Eu: Eu não confio em homem, mãe, eles podem até tentar me passar a perna por achar que eu sou boba, mas sou tua cria - aponto pra ela e ela coloca as mãos na cintura - homem não se cresce pra cima de mim.
Me viro pra escada e subo pro meu quarto, entro no cômodo e já vou logo mandando mensagem pra farmácia pra trazer a pílula pra mim. Tiro minhas roupas rapidamente e entro no banheiro pra tomar um banho rápido, ainda mais porque transei sem proteção e o meliante fez o favor de gozar dentro.
Minutos depois, saio do banheiro com a toalha no cabelo e sem toalha no corpo, pelada mesmo. Vou até minha cômoda e pego uma blusinha e coloco sem o sutiã mesmo, pego um short jeans pra quando o motoboy vier eu já estar pronta. Passo meu creme hidratante no corpo e uma colônia de bebê que fica com um cheiro ótimo na pele. Escuto buzinas na rua e desço as escadas indo até a porta, vejo minha mãe deitada no sofá, mexendo celular com uma coberta cobrindo o corpo e saio pra rua.
Foco meus olhos no motoboy que olha na minha direção e consigo lembrar do mesmo cara que veio me entregar o remédio da minha mãe outro dia, me aproximo dele e vejo um pequeno sorriso crescer nos seus lábios.
- Quando falaram que o endereço era aqui, eu logo aceitei- sorrio e ele estende a sacola na minha direção.
Eu: Eu nem cogitei ser você de novo, juro pra tu- ele tira o capacete da cabeça e consigo ver o cabelo com o reflexo.
- Uma oportunidade pra gente conversar melhor, pô - ele dá um sorriso lindo, e eu cruzo meus braços cobrindo os seios que devem estar marcados por conta do frio.
Eu: Então qual é o seu nome?- seus olhos me fitam e ele passa a mão pelo cabelo.
- Iago, satisfação - ele se encosta na moto e eu jogo meu cabelo pra trás, fazendo seus olhos acompanharem- e o teu?
Eu: Gabriela, a gente mal conversou direito a outra vez, né.
Iago: Tamo tendo a oportunidade de conversar agora, pô- ele olha a o relógio no pulso e checa a hora- posso demorar muito não. Tem insta?
Eu: Tenho sim.
Passo meu insta pra ele e poucos minutos depois ele sai fazendo barulho com a moto, entro dentro de casa e minha mãe me olha, mas não diz nada. Vou direto pra cozinha e coloco um pouco de água no copo e bebo junto com o remédio, confirmo se eu realmente engoli o remédio, por ser pequeno, passo meus dedos pela minha boca e tenho a certeza que realmente engoli. Além do Souza ser paranoico com isso, ele me deixou também.
