Gabriela
Finalizo o beijo dando uma mordiscada de leve na sua boca e me afasto, ele aperta minha cintura querendo iniciar outro e eu coloco minha mão no seu peitoral pra afastar, ele vem até mim deixando um selinho e consigo ver Rebeca mais pra frente pra poder me vigiar, enquanto eu estou no escurinho, perto do banheiro químico. Nos afastamos e ele tira a mão da minha cintura e fita meus olhos.
Lucas: Bora mais um, pô, pra finalizar a noite- encaro o moreno na minha frente. Lucas é bonito até, tem um brinco na orelha, a bermuda jeans até o joelho e a blusa com dois botões abertos se destacam nele.
Eu: Não, talvez outro dia- tento me afastar e ele segura meu braço. Vejo Rebeca se aproximando de nós dois.
Rebeca: Vem, amiga, vamo pra casa. Já tá amanhecendo- confirmo e ele olha pra ela soltando meu braço, vou andando do lado dela e deixo o cara que eu conheci nesse show pra trás.
Olho em volta vendo as pessoas já indo pra casa, por conta do horário. Orochi terminou o show tem poucos minutos, quando já estava amanhecendo, mas não pude acompanhar porque tava ficando com esse Lucas. Ajeito minha bolsinha no ombro e abaixo minha saia na parte de trás.
O show foi em um lugar aberto, por isso está nítido o sol já começar a aparecer, as pessoas indo embora praticamente bêbadas e algumas mulheres saindo com os saltos nas mãos, a maquiagem borrada e até mesmo as roupas rasgadas por tentarem pular a grade quando o Orochi apareceu no palco.
Rebeca: Esse foi o terceiro, não tá perdendo tempo mesmo, hein- ela se refere ao cara que eu fiquei. Realmente foi o terceiro, mas o último também.
Eu: Aquele primeiro tava me beijando com a boca com gosto de cigarro. Nojento- faço cara de vômito e ela me olha rindo.
Rebeca: Você viu que ele tinha acabado de fumar, ele jogou a bituca do seu lado- coloco um pouco de cabelo atrás da orelha- e o segundo, como foi?
Saímos da área onde acontecia o show, passando por dois seguranças e vendo a rua. Vários carros já passam na rua, por ser quase seis horas da manhã e a gente para enquanto ela olha a tela do celular.
Eu: Foi bom, ele e esse último- ela confirma olhando em volta- aquele carro que trouxe a gente, cadê ele?
Rebeca: Faz parte da contenção do meu irmão, tô mandando mensagem pra ele, mas ele não responde- passo a mão por meus fios e escuto uma notificação no meu celular. Desbloqueio a tela vendo uma mensagem da minha mãe.
Luana: Tô preocupada, cê tá bem?
Luana: Tá tudo bem aí, Gabriela? fala comigo
Eu: Tô bem, tô esperando o carro
Luana: Posso dormir tranquila?
Luana: Me manda sua localização em tempo real pra eu ficar vendo daqui
Eu: Mãe, não precisa, daqui a pouco eu tô em casa. Vai dormir, beijo
Ela me manda um 'ok' e eu saio da conversa desligando o celular, vejo um carro vindo na nossa direção lentamente e Rebeca olha pra mim.
Rebeca: É ele, chegou- o carro preto se aproxima e para na nossa frente, Rebeca abre a porta de trás pra mim e eu entro, fecho a porta e ela entra no passageiro.
Rebeca: Por que demorou tanto?- ela pergunta ao cara que dirige. Desço meu olhar o analisando e consigo ver um volume de arma na sua cintura.
- Tava dormindo, pô, fiquei de plantão a madrugada toda - sua voz grossa e sonolenta indica seu cansaço.
Rebeca fica calada e ele faz o retorno pra irmos embora, encosto minha cabeça no banco e o sono invade meu corpo. Percebo o quão cansada estou por causa do show, mas o bom é que aproveitei cada segundo naquele lugar.
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Ouço meu celular tocar com o barulho do despertador e levanto minha cabeça do travesseiro ainda sonolenta. Pego o aparelho e desligo, podendo ver várias notificações do Insta pela barra. Abro o aplicativo e vejo as marcações que Rebeca fez pra mim, me marcando nos storys que nós fizemos de ontem pra hoje de manhã.
Reposto algumas no meu story e me levanto indo até o banheiro pra lavar o rosto, escovo meus dentes e volto pro quarto pra mudar minha roupa.
Abro o armário e coloco um short de pano mesmo e um top branco de alça fina, já tomei banho quando cheguei então não precisa tomar outro, desço com o celular em mãos e vejo minha mãe na cozinha.
Luana: A farra foi boa mesmo, né, chegou de manhã- fala abrindo a geladeira e pega a caixa de leite.
Eu: A senhora pediu pra eu chegar cedo- tento distrair a situação e ela me olha com desaprovação.
Luana: Não vou brigar contigo, sei das tuas necessidades, mas me avisa, pelo amor de Deus, Gabriela. Me mandou apenas um áudio ontem bêbada e depois não me respondeu mais- ela passa as unhas pintadas de vermelho no cabelo e nega com a cabeça indo mexer no armário.
Eu: Foi mau, tava querendo distrair a mente um pouco, pra depois voltar pra minha realidade.
Luana: Entendo, sei que você não gosta de ficar parada sem fazer nada, desde pequena foi assim. Eu tava querendo te falar ontem um negócio, mas você saiu e não deu pra eu dizer- confirmo e coloco um pouco de suco que estava na jarra em cima da mesa.
Eu: Fala agora então- bebo olhando pra ela.
Luana: Arrumei um trabalho, não é uma coisa que eu queria, porque sei que vai me cansar muito, mas tem um salário ótimo pra sustentar nós duas- levanto uma sobrancelha com a menção do tal trabalho.
Eu: E vai trabalhar de quê?
Luana: Vou cuidar de uma senhora que mora em Angra dos Reis, sei que a distância é enorme, mas vou receber dois mil e quinhentos pelos cuidados- cruzo meus braços ainda segurando o suco.
Eu: E como vai voltar pra casa no mesmo dia? vai comprar um carro?
Luana: Você sabe que não sei dirigir, sou péssima- ela coloca os fios atrás da orelha- vou ficar duas semanas na casa dela, pra ela poder acostumar, tenho folga quinta e segunda pra poder vir pra casa.
Eu: Vai me deixar sozinha aqui?
Luana: Pelo amor de Deus, Gabriela, você já tem dezessete anos, sabe fazer as coisas sozinha, eu só vou ficar duas semanas fora. Depois vira uma rotina normalmente- ela vem até mim e passa a mão por meus cabelos.
Eu: Vou ficar sozinha - faço um biquinho pra ela.
Luana: Vai não, tem a Rebeca. Por quê não chama ela pra te fazer companhia? - seus olhos me fitam.
Eu: Rebeca é doida.
Luana: Você também não é normal - ela se afasta e vai até a sala, e eu a sigo.
Eu: Vai ir que dia? - enrolo meus cabelos e jogo pra trás.
Luana: Amanhã cedo - confirmo - e toma cuidado quando eu não estiver, presta atenção - confirmo novamente. Minha mãe não pode me deixar sozinha, puta merda.
