Gabriela
Passo meu olho por todo o quarto, procurando minha calcinha de renda, me abaixo pra olhar embaixo da cama, mas não vejo nada. Entro no banheiro vazio e vejo ela em cima da pia, devo ter colocado quando entrei pra tomar meu banho, pego e guardo dentro da bolsa mesmo, sentindo o olhar de certo alguém me queimar.
Souza: Não vai colocar?- viro pra olhá-lo e deixo a bolsa em cima da cama desarrumada. Abaixo meu vestido atrás e passo a mão por meus cabelos molhados.
Eu: Não tô afim, tá me apertando muito- encaro ele que me olha nos olhos seriamente, não desviando pra nenhum canto, apenas focado em mim. Me sinto como uma formiguinha com esse olhar penetrante e eu desvio o olhar, procurando por meus saltos.
Avisto ele do lado na cama, bem no cantinho e vou até lá. Me sento na cama, pronta pra colocar o salto e olho vagamente pro Souza, que está fechando o rolex no pulso e ajeita a gola da blusa azul, tirando as correntes pra fora em seguida.
Souza: Tô te esperando no carro- ele aponta pra mim- e coloca a porra da calcinha, se não tu vai ir a pé.
Ele sai pegando a chave do carro e a carteira na mesinha, e fecha a porta atrás de si, olho pela janela de vidro escuro, e vejo que o dia que mal amanheceu direito, e ouço ele cumprimentando alguém ali fora do motel. Termino de colocar meus saltos e enroscar as tiras na minha perna, e puxo minha bolsinha, pego meu casaquinho e saio sem a calcinha mesmo.
Ligo meu celular, que eu desliguei pra não ter perturbação e pego a chave do quarto em cima da mesinha, saio e tranco a porta. Observo a Audi toda preta daqui, até os vidros, e vou até ele abaixando meu vestido que insiste em subir. Abro a porta do carro e levo meus olhos até a tela do meu celular vendo várias mensagens chegar, inclusive da minha mãe.
Me sento no banco e fecho a porta, foco nas mensagens e sinto uma mão levantar a parte debaixo do meu vestido, olho o ato e Souza puxa meu joelho pra baixo, fazendo eu escorregar um pouco pra frente e dar mais acesso pra ele analisar meu corpo, sua mão tatuada com o rolex levanta meu vestido e ele passa a mão pela minha pele, percebendo que eu não estou de calcinha.
Eu: Para de fazer isso- tento tirar sua mão de dentro da minha roupa, mas ele a mantém firme. Chego um pouco mais pra trás no banco, e ele me fita com intensidade.
Souza: O que eu falei pra tu?- ele aperta a parte interna da minha coxa e sua mão tatuada apalpa a minha buceta e seus olhos descem pra olhar.
Eu: Eu não vou usar algo que me aperta, machuca muito- ele aperta minha coxa com firmeza, e me mexo incomodada no banco.
Souza: Tranquilo - ele tira a mão da minha coxa, e volta a sentar direito no seu banco, e passa a mão nos cabelos, colocando o boné em seguida, ele passa a língua nos lábios e liga o carro dando partida. Fico olhando pra ele sem reação e levo minha mão até o meu vestido, abaixando lentamente.
Escuto uma notificação chegar no meu celular e olho pra tela, vendo mais uma mensagem da minha mãe chegar. Abro a conversa com ela e vejo as várias mensagens que ela me mandou ontem, e mais uma agora.
Mãe: Tá tudo ok aí?
Mãe: Quando chegar em casa, me manda mensagem pra eu não ficar preocupada
Mãe: Já chegou em casa, Gabriela?
Mãe: Aonde você tá que não me responde??
Eu: Tava dormindo, cheguei tarde ontem
Eu: Tô bem, vou tomar um banho aq agora, dps falo cntg
Saio da conversa e olho pro Souza, vendo ele dirigir com a cara fechada e apenas uma mão no volante. Olho frente, podendo ver uma farmácia e pego minha bolsa, abro ela e verifico se tenho alguma nota de dinheiro.
Eu: Para nessa farmácia aí pra mim- peço e pego o dinheiro da bolsa, ele fica calado e encosta na frente do comércio.
Meu anticoncepcional tá quase acabando e eu não vou ficar tomando a pílula.
Souza: Vai comprar o quê? - ele fala com a voz grossa e se encosta no banco me olhando.
Eu: Anticoncepcional, não posso ficar comprando pílula toda hora- ele apalpa o bolso da calça com a mão e tira a carteira, a abre e puxa uma nota de cem entre várias que tem ali.
Souza: Pega - ele me oferece e eu pego. Ele que goza dentro de mim, então é o mínimo- vai rápido, não posso ficar dando bobeira aqui.
Confirmo e abro a porta do carro, deixo meu celular desbloqueado no banco e entro na farmácia, compro o anticoncepcional e volto. Me sento novamente e ele dá partida, voltando a ficar com a expressão séria de sempre.
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Rebeca: E você sabe como tomar o remédio? cuidado pra não errar o horário, tem que ser na hora certinha- fala enquanto prancha o meu cabelo aqui no salão dela.
Eu: Eu vi uns tutoriais, mas dá um medo, né? tipo, se garantir só com remédio não adianta - olho pra ela pelo espelho.
Já é quase dez horas da noite, e só tem nós duas aqui. Pedi pra ela passar apenas a prancha no meu cabelo, eu sozinha da muito trabalho.
Rebeca: E por que não usam camisinha?- me analiso no espelho quando ela passa a última mecha.
Eu: É complicado - ela confirma lentamente focando na última mecha e termina passando um óleo nas pontas.
Rebeca: Quer que eu apare as pontas?- me levanto da cadeira e viro de lado pra olhar meu cabelo que bate na cintura.
Eu: Precisa não, tá bom assim- ela confirma e começa a guardar as coisas.
Rebeca: Quer ir lá pra casa? posso fazer algo de bom pra gente- viro na sua direção e vejo ela se inclinar pra pegar algo no chão.
Eu: Não dá, lá em casa tá uma nojeira, era pra eu ter arrumado hoje, mas cheguei seis horas da manhã. Só tomei banho e dormi mesmo- ela confirma e respira fundo olhando em volta no salão.
Rebeca: Dar é mais importante, né, safada- brinca e eu sorrio.
Eu: Tô indo pra casa, vai precisar de ajuda pra fechar?
Rebeca: Vou não, amor, pode ir. Obrigada- confirmo e pego meu celular ali perto do espelho e me despeço dela saindo.
Chego em casa e me sento no sofá só pra descansar um pouco da caminhada, pego meu celular e vejo uma notificação do Insta, abro e vejo uma solicitação pra aceitar do Iago, aceito sem pressa e poucos minutos depois, ele manda mensagem.
Iago: Foi mal pela demora, tinha esquecido de mandar a solicitação
Iago: Tá fazendo alguma coisa?
Eu: Tá tranquilo
Eu: Não tô, mas já vou começar a fazer. Por quê?
Iago: Só pra saber msm, vou sair aq, tô trabalhando
Respondo a mensagem dele com um joinha e saio da conversa, escuto outra notificação chegar, mas agora é no wp. Vejo que é uma notificação com um número salvo como Sz, mas que eu lembre, não salvei ninguém com esse nome. Entro na conversa, e me dou conta que o velho safado pegou meu número.
Sz: Tu deixou a outra peça do vestido no meu carro?
Eu: Pq pegou meu número?
Eu: Não lembro, devo ter esquecido
Sz: Amanhã passo aí pra devolver
Sz: Tá fazendo o quê?
Reviro os olhos com a pergunta e penso em deixar no vácuo, mas ele é neurótico demais.
Eu: Tô falando com meus outros machos
Eu: E vc?
Vejo ele digitar e sumir o digitando várias vezes, até que ele para e provavelmente saiu do aplicativo de mensagens. Saio também e começo a fazer minha função aqui em casa.
