O aeroporto estava repleto de pessoas apressadas, vozes ecoando de todas as direções e malas sendo arrastadas pelo chão de mármore brilhante. Eu me encontrava ali, tentando manter a compostura, mas sentia o nó na garganta crescer a cada segundo.
Minha mãe e Alessandro estavam sentados nas cadeiras perto ao portão de embarque,aguardando a chamada.Eu preferi ficar de pé,estava ansiosa.
Jessica e Matheus estavam ao meu lado, tentando preencher a minha tristeza com piadas , mas não estava funcionando...ia sentir muita falta deles. Eu estava prestes a embarcar em um avião que me levaria para longe de tudo o que eu conhecia.
-Acho que ainda não caiu a ficha- disse Jessica, forçando um sorriso, mas seus olhos brilhavam com lágrimas contidas. -Você vai mesmo ir embora... é surreal.
-Pois é, quem diria- murmurei, olhando para o grande painel de voos acima de nós. As letras "Embarque Imediato" piscavam ao lado do meu voo, me chamando para uma realidade que eu ainda não estava pronta para aceitar.
-Vamos,filha.Tchau crianças,até breve.-Disse minha mãe pegando as bolsas,assim que ouviu a voz da mulher.
Matheus, sempre o mais sereno do grupo, colocou a mão no meu ombro. -Você vai arrasar lá, Amanda. E não importa onde você esteja, nossa amizade não vai mudar.Bate muita foto,aproveita bastante...mas com moderação.
-Pode deixar -respondi, a voz falhando um pouco.-Vou sentir falta de vocês. Muito.
-Aí garota,você vai fazer a minha make borrar.-Jessica disse me puxandl para um abraço apertado. -Nós também vamos sentir, mas vai ser uma experiência incrível, amiga. E olha, quando você voltar nas férias, a gente vai fazer uma maratona de fofoca de tudo o que você perdeu.
Matheus entrou no abraço também, me cercando com aquele calor que só amigos de verdade podem oferecer. Senti uma lágrima solitária escorrer pelo meu rosto, mas me forcei a sorrir.
O último chamado para o voo 210 com destino a Florença, Itália," anunciou uma voz feminina pelo alto-falante. Senti meu estômago se revirar. Era hora.
-Eu... vejo vocês em breve.-Disse me soltando do abraço.
Nos despedimos rapidamente, antes que as lágrimas se transformassem em um rio impossível de conter. Peguei minha mala de mão e caminhei em direção ao portão de embarque, sem olhar para trás. Se eu olhasse, sabia que não teria forças para ir adiante.
°°°
O avião subia suavemente entre as nuvens, e as luzes da cidade já tinham se tornado apenas pequenos pontos brilhantes na escuridão. Estava no ar há algumas horas, mas parecia que o tempo havia parado. Eu observava a janela, as luzes diminuindo até desaparecerem, enquanto minha mente vagava entre o passado e o futuro.
Os pensamentos me invadiam como uma maré alta. Como seria a vida em Florença? Como seria a nova casa, a nova escola, as novas pessoas? O medo do desconhecido se misturava com uma leve excitação.
Enquanto o avião seguia seu rumo sobre o oceano, senti o cansaço finalmente me vencer. Fechei os olhos, tentando não pensar em nada por um momento. O ronronar constante dos motores foi como uma canção de ninar, e antes que percebesse, adormeci.
°°°
-Amanda, acorda. Chegamos.
A voz suave da minha mãe me trouxe de volta à realidade. Pisquei algumas vezes, tentando me situar. A cabine estava iluminada por uma luz tênue, e os passageiros ao redor já começavam a se levantar e pegar suas bagagens de mão.
-Já?- perguntei, ainda sonolenta, enquanto ela acenava com a cabeça. Alessandro estava ao nosso lado, já com as malas em mãos. O coração começou a bater mais rápido, uma mistura de nervosismo e curiosidade me atingindo em cheio.
O aeroporto de Florença era menor e mais tranquilo do que o do Rio. A diferença de atmosfera era palpável. Do lado de fora, o ar era fresco, com um perfume leve de árvores e flores que eu não conseguia identificar, mas que me trazia uma sensação de paz. Pegamos um táxi, e eu me acomodei no banco traseiro, observando a paisagem passar pela janela. As ruas eram estreitas, ladeadas por edifícios antigos de pedras, e havia um charme inegável em cada esquina.
Aos poucos, deixamos o centro da cidade e começamos a subir por uma estrada sinuosa, cercada por colinas cobertas de ciprestes e vinhedos. Cada curva revelava uma nova vista, mais deslumbrante que a anterior. Florença parecia estar se revelando para mim, mostrando sua beleza devagar, como se me convidasse a conhecê-la.
Finalmente, o táxi parou diante de um grande portão de ferro trabalhado, que se abriu lentamente. Quando o carro entrou, eu quase perdi o fôlego. A casa à frente era deslumbrante, muito mais do que eu poderia imaginar.
Era uma vila italiana clássica, com paredes de pedra cor de areia e janelas de madeira pintadas em verde oliva, cercada por um jardim exuberante. A fachada tinha uma simplicidade elegante, mas ao mesmo tempo era imponente. As trepadeiras subiam pelas paredes, e flores de várias cores preenchiam o ar com um aroma doce. Havia uma pequena fonte de pedra no meio do jardim, com uma escultura antiga de um anjo vertendo água cristalina em uma bacia.
-Meu Deus...-murmurei, sem conseguir esconder o espanto. -Essa... essa é a nossa nova casa?
-Sim-Alessandro respondeu com um sorriso de orgulho. -Esta vila pertenceu à minha família por gerações. É uma herança que estou muito feliz em compartilhar com vocês.
A minha mãe sorriu para mim, os olhos dela brilhando com a mesma mistura de emoções que eu sentia. -Eu sei que é muito diferente do que estamos acostumadas, mas espero que você possa se sentir em casa aqui.
Eu dei alguns passos à frente, ainda absorvendo cada detalhe. A entrada era acolhedora, com uma porta de madeira robusta e um arco de pedras que dava a impressão de que a casa fazia parte da terra desde sempre. Dentro, o chão de terracota e as vigas de madeira expostas no teto criavam um ambiente aconchegante e ao mesmo tempo grandioso. Era como se cada cômodo contasse uma história antiga, que eu ainda estava prestes a descobrir.
-É linda, mãe... Alessandro, eu nem sei o que dizer-finalmente consegui responder, ainda atordoada. -Parece... um sonho.
-Fico feliz que você tenha gostado- Alessandro respondeu, o sorriso dele largo e genuíno. -Temos muito a fazer para nos acomodarmos, mas tenho certeza de que você vai se apaixonar por este lugar.
Enquanto explorávamos a casa, cada cômodo parecia revelar um novo detalhe encantador - desde o piso de mármore antigo na sala de jantar até os azulejos coloridos da cozinha que me lembravam as casas do interior da Itália que via em filmes. Tudo ali era tão diferente, tão cheio de história, e eu não podia evitar sentir uma pontada de excitação ao pensar nas novas memórias que iríamos criar naquele lugar.
Subi para o que seria meu novo quarto. Era espaçoso, com uma cama de dossel antiga e uma grande janela que se abria para uma vista incrível das colinas toscanas. O sol começava a se pôr, tingindo o céu de tons de rosa e laranja, refletindo nas vinhas que se estendiam até onde os olhos podiam ver.
Sentei-me na cama, sentindo o cansaço do dia finalmente me alcançar. Tantas mudanças, tantas emoções... Mas ali, naquele instante, comecei a acreditar que talvez essa nova vida não fosse tão assustadora quanto eu imaginava. Havia algo de mágico naquele lugar, algo que me fazia sentir que, apesar de tudo, eu poderia realmente encontrar meu lugar aqui.
O silêncio envolveu a casa enquanto a noite caía, e pela primeira vez em muito tempo, me permiti relaxar completamente. Talvez essa mudança pudesse ser o começo de algo maravilhoso.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Tra il Sole e il Mare (Sem Revisão)
RomanceAmanda, uma carioca de alma livre, vê sua vida virar de cabeça para baixo quando descobre que sua mãe vai se casar com seu padrasto italiano e a leva para uma nova vida na encantadora Florença. Longe do sol e das praias do Rio, ela precisa se adapta...
