Capítulo 25

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Lorenzo dirigia em silêncio, e o peso da tensão no carro parecia crescer a cada quilômetro. Eu estava concentrada na estrada, tentando não pensar no que poderia dar errado, quando ele finalmente quebrou o silêncio.

— Então... você e o Nicolo estão se falando? — A pergunta veio sem rodeios, com aquele tom casual que ele sempre usava, mas havia algo de diferente dessa vez. Talvez fosse curiosidade genuína.

Eu o olhei de relance, tentando medir suas intenções, mas respondi com a verdade.

— Não, a gente não está se falando. — Suspirei, mexendo as mãos no colo. — Na verdade, nem sei se faz sentido a gente se falar depois de tudo. Só... sinto que, de algum jeito, o que aconteceu ontem foi culpa minha. — Admiti, com um nó na garganta. — A briga com o Andreia... tudo pareceu ter começado por minha causa.

Lorenzo bufou, mas não de forma debochada, como eu esperava. Ele parecia refletir por um segundo antes de responder, e o que ele disse me pegou de surpresa.

— Não foi culpa sua. — Ele balançou a cabeça, mantendo os olhos na estrada. — O Nicolo... ele tá com a cabeça cheia faz tempo. Isso aí de ontem... foi só mais uma faísca. Se não fosse você, seria outra coisa. Ele tem muita coisa pra lidar que você nem imagina.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, absorvendo o que ele acabava de dizer.  Essa não era uma fala típica de Lorenzo, aquele babaca arrogante que eu conhecia. Eu estava surpresa. Não esperava ouvir algo assim vindo dele, ainda mais sobre Nicolo, seu amigo.

— Você realmente acha isso? — Perguntei, genuinamente surpresa. — Não parece o tipo de coisa que você diria.

Ele deu uma risada curta, sem tirar os olhos da estrada.

— O que? Você acha que só porque eu sou um babaca a maior parte do tempo, eu não vejo as coisas? — Ele me lançou um olhar rápido. — Nicolo é meu amigo. A gente cresceu junto, mas até eu sei que ele tem suas merdas pra resolver. E ele não tá muito bem ultimamente.

— Mas... o que exatamente tá acontecendo com ele? — Eu não consegui segurar a pergunta. A curiosidade e a preocupação estavam me consumindo.

Lorenzo mordeu o lábio, parecendo hesitar por um momento, como se estivesse decidindo se deveria ou não me contar.

— Não é o meu lugar falar. — Ele disse, finalmente. — Mas o que você precisa entender é que ele tá passando por umas paradas que tão deixando ele mais... instável. Ele não te odeia, se é isso que você tá pensando. Só... não sabe como lidar com tudo ao mesmo tempo.

Essas palavras ficaram ecoando na minha cabeça. "Não te odeia." Não era como se eu achasse que Nicolo me odiava, mas também não sabia o que ele sentia. Ele parecia estar em constante conflito desde que cheguei. O que Lorenzo estava dizendo me fez pensar que talvez houvesse algo muito maior do que eu sabia.

— Obrigada por me contar isso, Lorenzo. — Falei, genuinamente grata. Eu não esperava que essa carona trouxesse algum tipo de entendimento sobre Nicolo.

— Não precisa agradecer. — Ele deu de ombros. — Só... relaxa. Você vai ver que tem mais coisa rolando do que você imagina.

O silêncio voltou, mas dessa vez não era mais tão pesado. Havia algo de estranho em ver esse lado de Lorenzo, mas de certa forma, era um alívio. Eu ainda estava receosa sobre o que viria a seguir, mas pelo menos agora eu sabia que Nicolo estava lidando com algo além de mim. Algo que, até agora, ele não havia deixado ninguém ver.

Lorenzo manteve os olhos na estrada por alguns instantes, mas logo quebrou o silêncio novamente, dessa vez com um tom mais leve, embora curioso.

— E aquela garota? Ela é sua irmã, né? — Ele perguntou, como se estivesse apenas puxando assunto.

Tra il Sole e il Mare (Sem Revisão)Onde histórias criam vida. Descubra agora