Capítulo 39

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Nicolo

Depois de me despedir de Amanda, senti uma pontada de saudade, mesmo tendo acabado de sair de sua casa. Era estranho como ela parecia estar sempre na minha cabeça ultimamente, como se minha vida inteira girasse em torno dela. Mas agora eu precisava focar. Pietro estava vulnerável e, ebtãao eu tinha que desmascarar Donato, precisaria agir rápido.

Cheguei à empresa e fui recebido pelos seguranças na entrada. Eles me cumprimentaram de forma cordial, como sempre, e eu acenei brevemente enquanto caminhava até o saguão principal. A atmosfera ali era tão fria quanto me lembrava, apesar da decoração luxuosa. Quando estava entrando no elevador, ouvi uma voz familiar.

- Sr. Nicolo! Não sabia que viria hoje! - Mônica, a recepcionista, se aproximou com um sorriso educado. - Seu pai saiu para almoçar já faz um tempo. Se o senhor quiser, posso avisá-lo sobre sua visita.

Ela parecia um pouco surpresa por me ver ali, o que fazia sentido. Eu raramente visitava a empresa. Essa era a área de Donato, um território que eu evitava sempre que podia.

- Não precisa. - Respondi com calma. - Só vim buscar alguns papéis.

Ela assentiu, aliviada, e deu um pequeno sorriso.
- Ah, tudo bem então. Um bom dia, Sr. Nicolo.

Acenei novamente e entrei no elevador, apertando o botão para o andar do escritório de Donato. Assim que as portas se fecharam, deixei escapar um suspiro pesado. O que eu estava fazendo ali? Eu tinha apenas uma ideia vaga do que procurar, mas sabia que era nesse lugar que as respostas estavam.

Quando as portas se abriram, o corredor estava vazio. Perfeito. Andei com passos firmes até a sala de Donato, usando a chave reserva que eu sabia que estava na gaveta da recepção do andar. Entrei no escritório e, como esperado, estava impecavelmente organizado, como tudo que Donato tocava.

Caminhei até a mesa e comecei a vasculhar as gavetas. Documentos, contratos, planilhas... Nada que parecesse fora do comum à primeira vista. Mas então encontrei uma pasta vermelha marcada.

Comecei a folheá-la rapidamente. A princípio, eram apenas números, gráficos, e relatórios financeiros. Mas, ao olhar mais de perto, percebi algo estranho. Algumas transações estavam marcadas com uma sigla que eu não reconhecia, e os valores eram absurdamente altos para as atividades da empresa. Além disso, havia uma série de documentos assinados em nome de uma empresa terceirizada que eu nunca tinha ouvido falar.

- O que você está escondendo, Donato? - murmurei para mim mesmo, franzindo a testa.

O barulho de passos no corredor me fez congelar. Fechei rapidamente a pasta e a escondi dentro da jaqueta. Fui até a janela e olhei para fora, tentando parecer natural, enquanto ouvia as vozes se aproximando.

- ...não me interessa se está difícil, quero resultados. - A voz ríspida de Donato cortou o silêncio.

Pelo reflexo da janela, vi a porta se abrir e Donato entrar, acompanhado de dois homens que pareciam ser sócios ou investidores. Ele parou ao me ver e estreitou os olhos.

- Nicolo? O que você está fazendo aqui?

Virei-me lentamente, forçando um sorriso casual.
- Só passei para pegar alguns papéis. Pensei em ajudar Pietro com algumas questões enquanto ele está afastado.

Donato me olhou por um longo momento, como se tentasse decifrar minhas intenções.
- Hum. Interessante. Espero que não esteja mexendo onde não deve.

- Claro que não. - Respondi, mantendo o tom leve. - Você sabe que eu nunca faria isso.

Ele sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.
- Bom saber.

Tra il Sole e il Mare (Sem Revisão)Onde histórias criam vida. Descubra agora