Capítulo 22

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Estava em frente ao espelho, com a costureira ajustando os últimos detalhes do meu vestido para o baile de amanhã à noite. O vestido era bonito, clássico e simples, algo que combinava comigo. Jéssica estava ao meu lado, observando o processo com os braços cruzados e um sorriso tranquilo no rosto. Ela havia trazido um vestido do Brasil, claro, algo que me deixava um pouco preocupada. Já sabia bem do estilo “discreto” da minha amiga.

Olhei para ela, desconfiada.

— Você tem certeza de que esse vestido é discreto, Jéssica? — perguntei, sem conseguir esconder o ceticismo na minha voz.

Ela riu, como se eu estivesse sendo dramática.

— Claro que é, relaxa! Você precisa superar isso de vez, Amanda. Já falei que esse vestido é super discreto.

Suspirei, sabendo que nada que Jéssica vestisse poderia ser considerado “discreto” no meu conceito. Ela sempre gostava de chamar atenção de algum jeito. Mas, por mais que eu tentasse, nunca conseguia ficar brava com ela por muito tempo. Além disso, eu estava mesmo tentando esquecer o caos que ela tinha causado dias atrás.

No meio da minha distração, senti uma pontada repentina na pele. A costureira tinha me dado uma alfinetada sem querer.

— Ai! — exclamei, surpresa.

— Ah, me desculpe! — disse a costureira em italiano, com o rosto levemente corado de constrangimento.

Eu acenei com a mão, sem dar muita importância.

— Tudo bem, acontece.

Jéssica, que claramente se divertia mais com a situação do que deveria, riu.

— Olha, isso é o karma por você duvidar de mim — disse, com aquele brilho travesso nos olhos.

Revirei os olhos, tentando não rir junto.

— Você é muito teimosa, sabia? — comecei, ainda meio irritada com o que aconteceu alguns dias atrás. — Poderia ter metido a gente em problemas sérios com aquele babaca, Lorenzo.

— Já pedi desculpas, ok? — Jéssica respondeu, com um suspiro exagerado. — Além disso, eu dei um jeito nele. Tudo resolvido.

Balancei a cabeça, frustrada. Sabia que ela não via o perigo na mesma medida que eu, mas o confronto com Lorenzo me deixava nervosa ainda. Mesmo assim, por mais que tentasse, não conseguia manter a raiva por muito tempo. Jéssica tinha esse efeito sobre mim.

— É... você deu um jeito nele, com certeza — murmurei, sabendo que, apesar de tudo, ela não mudaria. Soltei um longo suspiro, resignada.

Jéssica me olhou com um sorriso divertido, claramente orgulhosa de si mesma.

— Vamos, relaxa, Amanda! Amanhã é o baile! Você vai arrasar com esse vestido e, quem sabe, até roubar o coração de alguém? — piscou para mim, tentando animar o clima.

Eu ri, apesar da tensão que ainda sentia por dentro.

— Duvido, mas vale a tentativa.

Assim que chegamos em casa, subimos direto para o meu quarto

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Assim que chegamos em casa, subimos direto para o meu quarto. Era nosso ritual sempre que Jéssica ficava comigo; jogávamos as bolsas no canto, nos jogávamos na cama e começávamos a fofocar sobre qualquer coisa que viesse à cabeça. Hoje, porém, a tensão do baile estava no ar, e eu sentia um misto de ansiedade e incerteza que não conseguia explicar.

Enquanto arrumávamos alguns detalhes do vestido e falávamos sobre a noite seguinte, lembrei de algo que Andreia tinha me dito alguns dias atrás.

— Ah, esqueci de te contar — disse, jogando-me na cama e olhando para o teto. — Andreia me chamou para ser o par dele no baile.

Jéssica, que estava ocupada mexendo em alguns cosméticos na minha penteadeira, virou-se para mim com uma expressão curiosa.

— Sério? E você aceitou? — perguntou, com um sorriso que já indicava que ela estava se preparando para me provocar.

Assenti, sentindo um leve rubor subir ao rosto.

— Aceitei. Ele é legal, sabe? A gente se dá bem.

Jéssica arqueou uma sobrancelha, evidentemente não convencida.

— Tá, mas você gosta dele? Tipo, gosta mesmo? Porque, sinceramente, parece que quem você gosta de verdade é o outro cara fechadão — ela disse, se referindo descaradamente a Nicolo, com um sorriso malicioso no rosto.

Revirei os olhos imediatamente.

— Ah,sério? Nicolo? Ele é um sonso, mulherengo, arrogante… só traz problema.

Jéssica não se deu por vencida. Ela se aproximou, cruzando os braços e olhando diretamente para mim, enquanto fazia uma pausa dramática, encarando as próprias unhas como se estivesse analisando cada detalhe.

— Sei... e já rolou beijo? — ela perguntou, como quem não quer nada, mas sabia exatamente o que estava fazendo.

Fiquei muda na hora, não sabia nem como responder. Lembrar do último encontro com Nicolo ainda mexia comigo, mas eu não ia dar esse gostinho à Jéssica.

Ela me olhou por alguns segundos, antes de estalar os olhos, incrédula, e me deu um tapa leve no braço.

— Amanda! Você já deu pra ele, né? Fala a verdade!

— Claro que não! — respondi, rápida demais, tentando desviar o olhar. — Eu sou pura! Não aconteceu nada.

— Ah, tá, "pura" — Jéssica ironizou, rindo e me olhando de canto. — Olha, se você tá tentando me enganar, já aviso que não vai funcionar.

Suspirei, sabendo que seria impossível sair dessa sem ser completamente provocada pela minha amiga. Jéssica adorava esses jogos, e, por mais que eu negasse, ela já parecia ter uma resposta em mente.

— Além do mais — continuei, tentando soar convincente — Ele já tem uma namorada. Do jeitinho que ele gosta, sabe? Eles até combinam.

Jéssica cruzou os braços, com uma sobrancelha arqueada, claramente duvidando de mim.

— Ah, sério? E quem é essa namorada? — perguntou, inclinando a cabeça para o lado, como se estivesse curiosa, mas no fundo eu sabia que ela só queria continuar me provocando.

— Valentina — respondi, sem emoção. — A garota mais padrão de todas. Alta, magra, cabelo impecável... o tipo que ele sempre vai atrás. Eles parecem feitos um para o outro.

Jéssica fez uma careta, como se o nome de Valentina tivesse um gosto amargo.

— Valentina? Sério? Aquela boneca de cera? — ela balançou a cabeça, incrédula. — Ah, Amanda, dá um tempo! Aquilo ali é tudo menos "namorada". Aposto que ele só tá com ela por conveniência.

— E por que eu ligaria pra isso? — perguntei, tentando encerrar o assunto. — Eles se merecem, Jéssica. Eu não estou nem aí.

Ela me olhou, com aquele sorriso de quem não acreditava nem por um segundo no que eu estava dizendo.

— Tá bom, se você diz... — ela deu de ombros, voltando a mexer nas coisas no meu quarto, mas eu sabia que, na cabeça dela, a questão ainda estava longe de ser resolvida.

Tra il Sole e il Mare (Sem Revisão)Onde histórias criam vida. Descubra agora