Capítulo 29

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Caminhei pela mansão, sentindo-me um pouco deslocada. O lugar era grande demais, e cada canto parecia ecoar o som dos meus passos. A sala de estar não deveria ser tão difícil de encontrar, pensei comigo mesma, tentando me manter calma.

Quando finalmente cheguei à sala, ouvi o som de uma porta se fechando. Virei a cabeça e vi um homem mais velho saindo de um corredor. Ele tinha uma expressão severa, e seu rosto me lembrava muito Nicolo — era óbvio que eram parentes.

Parei por um instante, sentindo um arrepio estranho percorrer minha espinha. Ele me olhou de cima a baixo com desdém antes de abrir a boca.

— O que você está fazendo na minha casa? — perguntou com uma voz fria e arrogante, como se já soubesse quem eu era.

Fiquei confusa por um momento, tentando entender o tom daquela pergunta. Havia algo nele que me fazia pensar que ele já sabia, ou pelo menos achava que sabia, quem eu era. Mas sua atitude me deixou desconfortável.

— Eu vim visitar o Nicolo — respondi, tentando manter a voz firme, mesmo que aquele homem estivesse me deixando nervosa.

Ele riu, mas não era uma risada amigável. Era seca e irônica, carregada de desprezo.

— Mais uma das vadias dele, então? — ele disse, com um sorriso venenoso.

Aquilo me pegou de surpresa. O sangue subiu à minha cabeça, e meu corpo inteiro se encheu de raiva. Como ele se atrevia a falar assim? Quem ele achava que era para me tratar daquela forma? Senti o calor subir pelas minhas bochechas, mas eu não ia deixar passar.

— Me respeita. — retruquei, com a voz afiada e determinada, os olhos presos nos dele. — Você não me conhece, e não tem o direito de falar assim comigo.

Ele ficou em silêncio por um segundo, claramente surpreso pela minha reação. Talvez ele estivesse acostumado a que todos ao seu redor aceitassem seu comportamento abusivo sem questionar. Mas eu não era assim, e ele logo perceberia.

—Eu só vou te dar um aviso,garota.Se afasta da minha família!Eu não sei quais são suas intenções.Mas é melhor me ouvir.— Ele disse aumentando o tom de voz enquanto apontava o dedo para a meu rosto.

Nicolo desceu as escadas, seu olhar sombrio e o corpo tenso. Ele não parecia nem um pouco surpreso ao encontrar o homem me provocando. O clima na sala ficou pesado assim que ele apareceu, e eu percebi que algo muito mais profundo estava acontecendo ali.

— Deixe ela em paz — Nicolo disse, a voz grave e carregada de ressentimento.

O homem, que agora eu tinha certeza de que era seu pai, se virou com um sorriso cínico.

— Eu já te avisei, Nicolo. Parece que não aprendeu nada com a “lição” — ele retrucou, com um tom ameaçador, seus olhos indo de Nicolo para mim com desdém.

Nicolo parou no final da escada, encarando o pai com firmeza, seus punhos cerrados ao lado do corpo.

— Então faz de novo — Nicolo o desafiou, a voz cheia de raiva contida. — Se tiver coragem.

O ar ficou denso de tensão. O homem cerrou os punhos, claramente provocando, como se estivesse decidido a manter o controle da situação. Por um momento, eu realmente achei que ele fosse atacar Nicolo ali mesmo.

Mas em vez disso, ele deu um passo para trás, balançando a cabeça.

— Essa conversa ainda não acabou — ele disse, com um olhar afiado, antes de se virar e sair da sala, as palavras ecoando no ar enquanto ele desaparecia pelo corredor.

Fiquei ali, estática, sentindo o coração acelerar. Não era apenas o medo do confronto, mas algo mais profundo. Olhei para Nicolo, que agora mantinha os olhos fixos no chão, claramente lutando para manter a calma depois de tudo o que tinha acabado de acontecer.

Tra il Sole e il Mare (Sem Revisão)Onde histórias criam vida. Descubra agora