Capitulo 5

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Quando a aula finalmente acabou, senti um misto de alívio e nervosismo. Todos os alunos começaram a sair da sala em um fluxo constante, conversando e rindo entre si. Eu demorei um pouco mais para guardar meu material, tentando decidir o que faria durante o intervalo. O esquisito foi o último a sair. Quando chegou à porta, ele parou por um momento e lançou-me um último olhar, tão enigmático quanto antes. Ele não disse nada, apenas me observou por mais alguns segundos, como se quisesse deixar claro que estava de olho em mim.

Assim que ele saiu, soltei um suspiro, permitindo que a tensão que estava sentindo desde o início da aula escapasse um pouco. — Estranho—  murmurei para mim mesma, ainda surpresa com o comportamento dele. Ele parecia gostar de mexer comigo, e isso me deixava desconfortável.

Lembrei-me do sanduíche que tinha preparado  e fui até minha mochila para pegá-lo. Segurei o lanche e decidi dar uma olhada na cantina da escola. Quando cheguei lá, fiquei impressionada com o tamanho do lugar. A cantina era enorme, quase como uma praça de alimentação de shopping, com várias opções de comidas e mesas espalhadas por todo o salão. Mesmo assim, não me senti à vontade para sentar em nenhum dos lugares disponíveis. Tinha nuita gente, e eu ainda não conhecia ninguém,não tinha coragem para me juntar a algum grupo.

Com o sanduíche ainda em mãos, resolvi sair da cantina e procurar um lugar mais tranquilo. Lembrei-me do jardim, onde o esquisito e aquela garota estavam, e decidi ir para lá. No caminho, admirei a beleza do colégio. Havia árvores altas e bem cuidadas, flores coloridas ao longo dos caminhos de pedra, e um grande gramado verde. Achei um banco vazio, um pouco afastado, e me sentei.

Mordi calmamente um pedaço do sanduíche. Enquanto comia, a paz do jardim parecia me reconfortar, mas logo fui interrompida por um cheiro forte e desagradável. Franzi o nariz, reconhecendo imediatamente o odor de cigarro. — Tem que ser muito desocupado para fumar em uma escola—  murmurei, mais para mim mesma do que para qualquer outra pessoa.

De repente, o tal Benedetti surgiu de trás de uma árvore, com o cigarro entre os dedos. Ele estava ali o tempo todo, fumando e me observando sem que eu percebesse. Quando ele notou que eu o tinha visto, ergueu uma sobrancelha, como se não desse a mínima para minha opinião.

Simulei uma tosse exagerada, esperando que ele entendesse a indireta e apagasse o cigarro.

— Se a fumaça te incomoda, deveria sair daqui — disse ele, com um tom indiferente e um sotaque italiano marcado.

Minha paciência estava se esgotando. Primeiro, ele tomou meu lugar na sala, e agora queria me expulsar do jardim?

— Já não basta ter roubado meu lugar, agora quer me expulsar daqui também? — retruquei, tentando parecer mais confiante do que realmente estava.

Ele não respondeu. Apenas me olhou por um momento, como se estivesse decidindo o que faria a seguir. Então, com um sorriso malicioso nos lábios, ele passou por mim, e com um movimento despreocupado do pé, jogou um pouco de terra nos meus tênis brancos.

Olhei incrédula para a sujeira que agora cobria meus tênis.

— Idiota! — xinguei em voz alta, mas ele já estava longe, indo embora sem nem olhar para trás.

Minha raiva crescia, mas ao mesmo tempo, uma sensação estranha de desafio começava a tomar conta de mim. Ele queria me provocar, mas eu não iria ceder tão facilmente. Limpei a terra dos meus tênis, ainda irritada, e tentei me concentrar no resto do intervalo. Mas, no fundo, eu sabia que aquele não seria o último confronto entre nós dois.

                            °°°

O caminho de volta para casa foi silencioso. Alessandro me buscou na escola, como combinado, mas eu estava tão perdida em meus pensamentos que mal ouvi o que ele disse durante o trajeto. Tudo o que eu queria era chegar em casa, me trancar no quarto e esquecer o dia horrível que tive.

Tra il Sole e il Mare (Sem Revisão)Onde histórias criam vida. Descubra agora