O caminho até minha casa foi silencioso, com apenas o som do motor quebrando o clima tenso dentro do carro. Nicolo dirigia com o olhar fixo na estrada, sua expressão mais dura e fechada do que eu já havia visto antes. O ar estava pesado, e eu sentia meu coração apertar a cada segundo que passava sem ele dizer nada.
Ele parecia perdido em seus próprios pensamentos, e isso me deixava ainda mais preocupada.
Eu precisava ouvir sua voz, precisava que ele dissesse algo que me fizesse sentir que ele estava bem. Mesmo que fosse só uma mentira para me acalmar. Não conseguia suportar a ideia de que ele pudesse fazer algo imprudente ou perigoso.
– Nicolo... – chamei suavemente, mas ele não respondeu.
Respirei fundo e estendi a mão, tocando seu rosto com delicadeza. Ele pareceu sair de seus pensamentos por um momento, seus olhos rapidamente desviando da estrada para me olhar.
– Você pode contar comigo para o que precisar – disse, minha voz baixa, mas firme. – Por favor, não faça nada da cabeça pra fora.
Ele segurou minha mão por um instante, apertando-a levemente contra o rosto, mas logo a soltou, voltando sua atenção para a estrada.
– Não precisa se preocupar – ele finalmente disse, sua voz calma, mas carregada de algo que eu não conseguia identificar. – Eu vou resolver isso.
– Resolver como? – perguntei, temendo a resposta.
Ele hesitou, seu maxilar se contraindo antes de finalmente falar:
– Meu pai vai pagar.
– Eu não quero que você faça algo que vá te colocar em perigo.– Eu disse preocupada.
Chegamos na frente da minha casa, e o peso do silêncio era quase insuportável. Olhei para Nicolo, tentando decifrar o que se passava em sua mente, mas seu rosto estava sério, fechado como sempre quando algo o incomodava profundamente.
Respirei fundo, hesitando antes de soltar o cinto de segurança.
– Eu... acho que já vou entrar – disse, minha voz saindo mais baixa do que eu esperava. – Mas... qualquer coisa, você me manda mensagem, tá?
Ele virou o rosto lentamente para me encarar, seus olhos escuros fixando-se nos meus por um instante que pareceu mais longo do que era.
– Tudo bem – respondeu, sua voz grave, mas controlada. – E você descansa,tudo bem?
Assenti, forçando um pequeno sorriso, mesmo que o nó no meu estômago me dissesse que algo estava errado. Ele se inclinou em minha direção e pressionou seus lábios nos meus, era um beijo breve, mas cheio de sentimentos não ditos.
Quando nos afastamos, ele ainda segurava minha mão por um instante antes de soltá-la.
– Boa noite – murmurou ele, seu tom mais suave agora.
– Boa noite – respondi, saindo do carro.
Enquanto eu caminhava em direção à porta de casa, senti como se houvesse uma corrente invisível me puxando de volta para ele. Antes de entrar, olhei por cima do ombro e o vi ali, ainda no carro, olhando na minha direção. Por um momento, pensei em voltar, mas me obriguei a abrir a porta.
Assim que entrei, fechei a porta atrás de mim e me encostei nela, soltando um longo suspiro. Meu coração parecia pesado, e minha mente não parava de pensar na expressão de Nicolo, no que ele poderia estar planejando.
Eu sabia que não deveria comentar nada disso com minha mãe. Ela já tinha suas próprias preocupações com o casamento, e a última coisa que queria era sobrecarregá-la com mais problemas.
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Tra il Sole e il Mare (Sem Revisão)
RomanceAmanda, uma carioca de alma livre, vê sua vida virar de cabeça para baixo quando descobre que sua mãe vai se casar com seu padrasto italiano e a leva para uma nova vida na encantadora Florença. Longe do sol e das praias do Rio, ela precisa se adapta...
