Capitulo 4

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Eu não pensei que fosse acordar tão cedo no primeiro dia de aula,mas meio que já esperava devido a ansiedade. O despertador ainda não tinha tocado, mas meus olhos já estavam abertos, fixos no teto do quarto, enquanto minha mente rodava a mil por hora. Estava em uma cidade que eu mal conhecia, prestes a começar em uma escola onde não conhecia ninguém. Era como se todos os meus medos e inseguranças tivessem se unido em uma única manhã, criando uma tempestade de ansiedade dentro de mim.

Depois de alguns minutos tentando acalmar a mente, decidi me levantar. A luz suave do amanhecer passava pelas cortinas do meu quarto, tingindo tudo com um tom alaranjado.
Caminhei até o espelho e encarei meu reflexo. Meus cachos estavam selvagens e volumosos, como sempre, mas eu gostava deles assim. Decidi deixá-los soltos, sem me preocupar em tentar domá-los. Meu cabelo não era longo, mas caía pelos meus ombros com naturalidade, cheio de vida. Era um dos poucos traços de mim mesma que me fazia sentir segura em meio a tantas mudanças.Eu amava as mil possibilidades de usar ele solto,com tranças diferentes ou algum penteado diferente.Mas hoje decidi só revitaliza-lo.

Vesti o uniforme com uma atenção quase ritualística,pra não machuca-lo,a peça parecia ser tão delicada que eu tinha medo de amassar. A camisa branca de botões estava impecavelmente passada, a saia plissada preta caía no comprimento exato, e o terno completava o conjunto com uma formalidade que me parecia surreal. Coloquei as meias de cano alto e meus tenis novos brancos, escolhidos a dedo para combinar com o uniforme. A gravata foi a última peça, e ao me olhar no espelho, tive a estranha sensação de estar vestindo um personagem, alguém que eu ainda estava conhecendo.Que engraçado.

Quando finalmente me senti pronta, desci as escadas e encontrei minha mãe na cozinha. Ela estava ajeitando a mesa do café, como fazia todos os dias, mas havia uma ternura especial nos seus gestos hoje. Alessandro, já vestido para o trabalho, estava sentado à mesa, lendo o jornal e tomando seu café com uma expressão calma.

- Bom dia, Amanda- Alessandro disse, olhando para mim por cima do jornal. - Está pronta para o grande dia?

- Bom dia. respondi, tentando sorrir. - Pronta... acho.

Minha mãe se virou para mim com um sorriso acolhedor. - É normal se sentir assim, filha. Mas vai dar tudo certo, você vai ver.

Sentei à mesa e comecei a passar manteiga em uma torrada, mas não tinha muito apetite. A ansiedade estava ali, constante, como um nó apertado no meu estômago. Alessandro terminou seu café e se levantou, pegando as chaves do carro. - Vou te levar à escola hoje. Fica a caminho do meu trabalho.

Assenti. Ela sempre tentava ser atencioso comigo e eu agradecia por isso,meu pai morreu quando eu era muito pequena,então não me lembro muito dele.Por muito tempo foi só eu e a minha mãe,quando Alessandro chegou em nossas vidas foi estranho.Mas com o passar do tempo vi que suas intenções eram boas.
Levantei-me para pegar minha mochila, mas minha mãe me puxou para um abraço antes de eu sair. - Você vai se sair bem, querida. Apenas seja você mesma.

O abraço dela trouxe um pouco de conforto. Depois de me despedir dela, segui Alessandro até o carro e entramos. O caminho até a escola foi tranquilo, com o sol da manhã iluminando as ruas ainda calmas de Florença.

No carro, Alessandro tentou puxar conversa, o que me surpreendeu um pouco. - E o que está achando da cidade até agora?

Fiquei em silêncio por um momento, olhando as construções antigas e as ruas de paralelepípedo passando pela janela. - Para ser sincera, ainda não explorei muito. Mas... de vista, achei uma cidade bonita.

Ele sorriu de leve, mantendo os olhos na estrada. - Florença é uma cidade cheia de história. Espero que você possa aproveitar cada momento aqui.

Fiz que sim com a cabeça, mas minha mente já estava na escola. Quando finalmente chegamos ao portão imponente da instituição, meu coração disparou. Alessandro parou o carro em frente à entrada e me olhou com um sorriso tranquilizador. - Lembre-se, Amanda, se tiver algum problema, qualquer coisa, é só falar comigo.

Tra il Sole e il Mare (Sem Revisão)Onde histórias criam vida. Descubra agora