Amanda, uma carioca de alma livre, vê sua vida virar de cabeça para baixo quando descobre que sua mãe vai se casar com seu padrasto italiano e a leva para uma nova vida na encantadora Florença. Longe do sol e das praias do Rio, ela precisa se adapta...
Ao entrar no quarto, encontrei Jéssica deitada na minha cama, o que não era nada incomum, mas a expressão no rosto dela, mais calma que o normal, me fez arquear uma sobrancelha. Havia algo estranho ali.
— Por que você demorou tanto? — perguntou, seu tom mais baixo que o habitual.
Joguei minha bolsa na cadeira e suspirei, tentando processar tudo o que havia acontecido. — Eu fui ver Nicolo. Ele sofreu um acidente, mas está bem — disse, resumindo o dia.
Jéssica se sentou, os olhos arregalados de curiosidade. — E aí? Agora vocês estão namorando, é isso?
Revirei os olhos e ri levemente. — Namorando? Jéssica, essa é uma palavra muito forte. A gente nem tem rótulo ainda.
Ela estreitou os olhos para mim, claramente achando a minha resposta sem graça. — Tá, mas sério, o que aconteceu? Por que você está tão quieta? — perguntei, observando-a com mais atenção.
Jéssica hesitou por alguns segundos, algo que nunca fazia, e então murmurou baixinho:
— Eu beijei o Lorenzo na festa.
Soltei um “O QUÊ?!” tão alto que quase me assustei. A incredulidade se espalhou pelo meu rosto. — Como assim? Quando isso aconteceu? Vocês se odeiam!
Ela soltou um suspiro dramático e olhou para o teto, claramente arrependida. — Ainda odeio ele — resmungou, se encolhendo. — Aconteceu no baile. Eu saí pra procurar um banheiro e acabei encontrando ele fumando no corredor, perto do pátio. Ele me provocou, eu provoquei de volta... e aí... bom, uma coisa levou à outra, e nós nos beijamos.
Eu fiquei olhando para ela com a boca aberta. Jéssica, a rainha do desprezo por Lorenzo, beijou o cara que ela tanto criticava? Era quase inacreditável.
— Você beijou o Lorenzo? O Lorenzo?! — repeti, ainda em choque.
— A culpa foi da bebida! — ela gritou, cobrindo o rosto com o travesseiro e soltando um grito abafado de frustração, enquanto eu não conseguia segurar o riso. Ver Jéssica nesse estado era algo raro.
— Meu Deus, Jéssica — falei, ainda rindo. — Você vai negar, mas tá na cara que gostou!
— Não começa, Amanda! — ela gritou do travesseiro, mas não pude deixar de notar o pequeno sorriso que ela tentava esconder.
Eu ainda estava rindo quando olhei para Jéssica, que se jogou de costas na cama com um suspiro exagerado.
— Quer dar um rolê mais tarde? — perguntei, ainda com um sorriso nos lábios. — Talvez isso ajude a esquecer o... ocorrido.
Ela virou o rosto em minha direção, os olhos semicerrados como se estivesse considerando a ideia.
— Sabe o que? Pode ser uma boa — respondeu, tentando esconder um sorriso. — Talvez sair e dar umas voltas pela cidade me ajude a apagar essa memória da minha mente.
— Ou te faça lembrar dela a cada esquina — provoquei, me jogando ao lado dela na cama.
— Para, Amanda! — ela reclamou, me dando um empurrãozinho, mas não conseguiu segurar a risada. — Mas, falando sério, a gente pode ir. Vai me distrair um pouco.
— Fechado então — concordei, sentindo que ia ser divertido passar um tempo com ela e, quem sabe, dar um pouco de risada com a situação.
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