Capítulo 11

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Boa leitura

Gloria

Decido ir cumprimentar o casal, afinal de contas, seria muita falta de educação fingir que não os conhecia. A cada passo que dou, uma cena daquela noite invade minha mente... Ele pegando o suco da minha mão, me puxando pela cintura e me colocando no balcão, o olhar dele sobre mim quando tirei o robe, nossas preliminares, os gemidos, seus olhos vidrados em mim. Sinto um arrepio na espinha quando chego à mesa deles e sou atingida pelo cheiro amadeirado que eu amo. Ele está lindo, camisa social preta, calça no mesmo tom, barba feita, cabelo bem alinhado.

— Boa noite, queridos! Que bom ver vocês aqui... Quanto tempo, Paulo! Tudo bem com vocês? — pergunto simpática.

Eles se levantam, cumprimento Juliana e percebo que ela fala comigo apenas por educação. Orlando pega na mão do Paulo e o cumprimenta também. E então chega minha vez de falar com ele.

— Boa noite, Gloria, Orlando! Muito bom ver vocês. Estamos bem, e vocês? — ele pergunta, se aproximando.

Vou chegando perto, apoiando minha mão em seu braço, sentindo como está mais forte, a pele levemente bronzeada, uma tentação. Dou um beijo simples em sua bochecha e, no instante em que me afasto, ele segura minha cintura, me puxando para mais perto até me abraçar, inalando com intensidade meu perfume, os dedos firmes descendo até meu quadril, apertando de leve. O calor sobe pelas minhas pernas, meu corpo inteiro responde ao toque. Nos afastamos devagar, mas ele continua me olhando, intenso. Juliana se aproxima e agarra o braço dele, Orlando faz o mesmo comigo. Eles notaram. Eles sentiram.

— Vocês aceitam sentar com a gente? — Paulo oferece educado.

Vejo Juliana apertar o braço dele com força, claramente contrariada, e Orlando se adianta na resposta.

— Muito obrigado, mas fizemos reserva. — recusa de imediato.

Assim que ele termina de falar, o garçom aparece avisando que nossa mesa está pronta. Nos despedimos sem nenhum outro contato físico, sigo para minha mesa com Orlando logo atrás. Quando me sento, o garçom puxa a cadeira para mim, e eu percebo... Fiquei de frente para o Paulo. Não estamos tão perto, mas também não longe o suficiente para que nossos olhares não se cruzem.

"Essa noite vai ser longa..." — penso comigo mesma.

Paulo

Ela vem em minha direção e, a cada passo que dá, seu cheiro me atinge em cheio. Cumprimenta Juliana com sua típica educação, mas, quando chega até mim, não resisto. Puxo seu corpo para mais perto, aperto seu quadril, inalo seu perfume de um jeito que só nós dois percebemos.

Ofereço educadamente para que sentem conosco, mas Orlando recusa de imediato. O garçom chega e os leva até a mesa deles. Quando vejo o rapaz puxar a cadeira para ela, não me contenho e solto um sorrisinho de satisfação. Ela se senta de frente para mim, e agora tenho uma bela vista. Ainda estou um pouco chateado pelas coisas que me disse naquele dia, mas, no fim, preciso admitir... Ela tem um ímã que me puxa sempre que a vejo ou chega perto. É impossível ter raiva dessa mulher.

— Paulo, perdeu alguma coisa na mesa da Gloria? — Juliana pergunta, irritadíssima.

Não tiro a razão dela. Eu realmente não consigo parar de olhar. Estou morrendo de saudades.

— Desculpa, é que fazia tempo que não a via... Ela é uma colega muito querida. — desvio o olhar, tentando disfarçar.

— Percebi...

— Juliana, por favor, não vamos começar.

Seguro sua mão, tentando acalmá-la. Ela não é o tipo de mulher que faz cena em público, mas realmente não quero criar um clima ali.

— Tudo bem. Nosso jantar chegou.

O garçom serve nossa comida e começamos a comer. Hora ou outra, meus olhos voltam para ela. É inevitável. Até que vejo aquele idiota passando a mão no rosto dela, um carinho demorado, íntimo demais. Meu sangue ferve. O ciúme me atinge em cheio. Não acredito que estou com ciúmes dessa mulher que me mandou embora como se eu fosse um cachorro, mas sim, estou. Morrendo de ciúmes. E Juliana, que me conhece bem demais, percebe na hora.

— Paulo, vamos embora. Agora! — ela se levanta de repente.

— Juliana, acabamos de jantar. Não quer uma sobremesa? Terminar o vinho? — tento contornar.

— E continuar aqui vendo meu marido olhando para outra, com ciúmes dela com o próprio marido? Não, obrigada. Quero ir embora. — sua voz transborda raiva.

— Não estou com ciúmes de ninguém, Ju, para com isso. Ela é casada, como você mesma disse. Respeito.

— Tá bom, mas eu realmente quero ir para casa.

Minha paciência já está no limite. Respiro fundo e chamo o garçom para fechar a conta. No mesmo instante, Gloria se levanta e caminha na nossa direção. Quando passa por nós, Juliana aproveita para perguntar:

— Amanhã você vai para a terapia? Ana Cruz vai dar uma palestra aqui no Rio.

— Vou sim... Não quero perder por nada. — respondo, olhando de canto para Gloria.

Ela segue em frente, deixando seu perfume no ar, e desaparece no banheiro feminino. O garçom chega, fecho a conta e saímos. Ela ainda está lá dentro.

Gloria

Converso com Orlando sobre coisas leves, principalmente sobre as crianças. Em um momento, ele acaricia meu rosto e, instintivamente, meus olhos vão até Paulo. Ele está com a cara fechada.

"Será que ele está com ciúmes? Não é possível..." 💭

Seguro a mão de Orlando e continuo nossa conversa. Nosso jantar chega e, enquanto comemos, percebo que o clima na mesa de Paulo e Juliana mudou completamente. Ela parece alterada, enquanto ele olha para mim e depois para ela.

Alguns minutos depois, sinto vontade de ir ao banheiro. No caminho, preciso passar perto da mesa deles e, sem querer, acabo pegando um pedaço da conversa.

— Terapia? Ana Cruz...? Conheço a Ana... Não sabia que ele frequentava as palestras dela... Humm... — murmuro para mim mesma, intrigada.

Chego ao banheiro e, naquele instante, uma das ideias mais loucas da minha vida surge. Sei que é errado, sei que não deveria, mas meu corpo e minha alma queimam por ele. E, naquele momento, percebo que preciso fazer isso. Preciso encontrar um jeito de me aproximar dele novamente.

[...]

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