Nos bastidores da novela Terra e Paixão, dois veteranos da teledramaturgia se encontram não apenas em cena, mas também na vida real. Paulo Rocha e Gloria Pires, ao darem vida a seus personagens, acabam despertando sentimentos que ultrapassam o rotei...
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Gloria
"Ele quer o quê? Assumir o quê?" 💭 penso, a surpresa estampada no meu rosto, incapaz de disfarçar.
— Paulo, vamos com calma... — tento dizer, buscando desviar a situação.
— Não, Gloria, chega de calma. Tô cansado de esperar! Estamos nisso há meses, e eu quero assumir. Quero te apresentar pro José, quero conhecer seus filhos, te levar pra almoçar, jantar, ir à praia com você, te ter sempre, sem medo de ninguém descobrir — ele diz, a voz firme, os olhos ardendo de determinação.
Imagino o caos na mídia, os fãs, as acusações de traição desde Babilônia. Meu coração aperta.
— Paulo, ainda não tô pronta pra isso. Por favor, vamos esperar um pouco — digo, colocando as mãos no rosto dele, buscando seus olhos, mas vejo que não há espaço pra conversa. Ele afasta minhas mãos, nervoso, o rosto contorcido.
— Esperar mais por quê? Quer ficar solteira? Quer liberdade pra ser vista como a namoradinha daquele moleque? Esperar pra quê? Pra dormir comigo no fim de semana e com ele durante a semana? Quer dar pra ele sem culpa, como se fosse qualquer uma? Deve ser por isso que não quer assumir, porque já deu pra ele e tá com saudade! — dispara, a voz carregada de raiva.
Meu sangue ferve. Fico cega com aquelas palavras pesadas. Sem pensar, acerto um tapa no rosto dele, o som ecoando na sala. Vejo na hora que ele percebe o erro. Sua expressão muda de raiva para preocupação.
— Gloria, me desculpa, minha linda, eu não quis dizer isso. Fiquei cego de ciúme... — ele tenta se aproximar, mas o empurro, tirando suas mãos de mim.
— Com quem você pensa que tá falando? Quem é você pra me cobrar? Você não é nada meu, Paulo, e não te dou o direito de me desrespeitar na minha casa! — digo, avançando, olhando nos olhos dele. — E se eu quiser dar pro Thiago? Se eu tiver com saudade dele, o que você tem a ver com isso?
Falo com uma calma forçada, mantendo a postura, mas por dentro quero arrancar a cara dele de ódio. Ele avança, segurando meus braços, colando nossos corpos. Não é um toque carinhoso — seus olhos estão vermelhos, a mandíbula travada, a raiva palpável. Fico tensa, mas não demonstro.
— Então é isso? Tá mesmo com saudade dele? Vai lá, dá pra ele, aproveita... Mas não me procura mais, porque eu também vou estar ocupado — diz, a voz cortante, soltando-me e virando as costas.
Ele sai sem olhar pra trás. Quando a porta bate, sinto meu coração se partir. Meu peito dói, o ar falta. Curvo-me, e Padilha, que estava no escritório, corre até mim, segurando meus braços.
— Mana, o que foi isso? Meu Deus... — diz, assustado.
Respiro fundo, afastando-me, andando de um lado pro outro, os punhos fechados. A raiva me consome. Não vou chorar por ele.