Boa leitura
Paulo
Chego em casa depois do exercício e libero a entrada da Gloria na portaria. Subo pro apartamento, olho o relógio: faltam 30 minutos pras 18h. Corro pro banheiro, tomo um banho rápido, aparo a barba, passo o perfume que sei que ela ama e visto uma bermuda com uma camisa simples, mas arrumada. Ligo pra um restaurante italiano que tem uma comida incrível e peço um jantar pra dois, escolhendo os pratos com cuidado, querendo que tudo esteja perfeito. Assim que desligo, a campainha toca. Abro a porta com um sorriso, e ela retribui... juro, aquele sorriso é de uma mulher apaixonada.
— Oi, querido! — diz, se aproximando com aquele olhar que já me desmonta.
— Oi, minha linda — respondo, puxando ela pelo braço, colando seu corpo no meu.
Tiro os óculos dela, jogo no sofá perto da porta e a beijo, fechando a porta com o pé. Devoro seus lábios, e ela retribui com paixão, segurando meu cabelo pela raiz com uma mão e apertando minha cintura com a outra. Mordo seus lábios, ela suga minha língua, e meu corpo inteiro responde.
Minha mão se enrosca nos cabelos curtos dela, o braço envolve sua cintura, forçando-a contra mim. Desço os beijos pelo pescoço, chupando cada pedacinho, e ela ri, agarrada em mim, toda entregue.
— Meu Deus, calma! — ela diz, entre risos, ofegante.
— Que saudade de você... — murmuro, sem conseguir parar.
Ela deixa a bolsa cair no chão, e eu a beijo de novo. O gosto de cereja na boca dela deixa tudo ainda mais delicioso. Quando o ar acaba, sou obrigado a parar.
— Assim você me mata sufocada, amor! — ela brinca, rindo.
— Mato, não... — retruco, sorrindo de volta.
Ela dá uma olhada ao redor, curiosa, e eu pego a bolsa do chão, colocando na mesa de jantar, ali no canto, perto da cozinha.
— Nossa, seu apartamento é lindo! — diz, encantada, ainda olhando cada detalhe.
— Obrigado. Já peguei ele decorado.
— Não é seu?
— Ainda não. Tô negociando com o dono pra comprar. Tá com fome?
— Um pouco.
— Pedi comida italiana pra gente, vou abrir um vinho e pegar uns petiscos na cozinha! Vem?
— Claro! — responde, me acompanhando com um sorriso.
Na cozinha, ela observa tudo com aquele olhar atento — típica da boa observadora que é. Coloco o vinho e os petiscos na mesa: uvas, morangos, queijos... tudo simples, mas feito com cuidado.
A gente bebe, conversa, ri, compartilha como foi a semana. Ela fala da Bemgloria, do filme Vovó Ninja, que tá prestes a lançar, e de Sexa, que ainda nem começou a gravar.
Não gosto de saber que ela vai fazer par romântico com o Thiago... mas engulo o ciúme. No fim das contas, a gente nem tem nada sério — ainda.
Falo dos meus projetos, das fotos que tirei hoje cedo, e o papo vai fluindo leve. Já estamos nessa conversa há uns 25 minutos quando percebo o que ela tá fazendo.
Gloria
Chego ao apartamento do Paulo às 18h em ponto. Subo no elevador, toco a campainha e, quando ele abre a porta, não conseguimos conter os sorrisos.
— Oi, querido — digo, já sentindo o coração acelerar.
Ele me puxa pelo braço, tira meus óculos e os joga em algum canto qualquer, me beijando com uma intensidade que me pega de surpresa. Retribuo na hora, com ainda mais paixão — eu tava morrendo de saudade. Ele desce os beijos pelo meu pescoço, chupando devagar, e um arrepio bom percorre todo o meu corpo.
Nos beijamos até faltar o ar, e minha bolsa acaba caindo no chão. Quando ele me solta, aproveito pra olhar o apê pela primeira vez, é lindo... tem um toque rústico, mas a decoração é aconchegante e cheia de estilo.
Vamos pra cozinha, ele diz que pediu comida italiana e já vai servindo o vinho e uns petiscos: uvas, morangos, queijos. Provo algumas frutas enquanto a conversa rola solta.
Enquanto ele fala, meu olhar se perde nele — os olhos verdes brilhando, a mandíbula bem marcada, a barba alinhada no ponto. Desço os olhos quase sem querer: os braços estão mais definidos, a pele bronzeada, e aquelas veias saltadas me deixam num estado que ele nem imagina.
Decido provocá-lo. Pego um morango, me inclino sobre o balcão com minha melhor cara de safada e dou uma mordida lenta na fruta, deixando metade entre os dentes. Desabotoo dois botões da blusa, o suficiente pra deixar o decote evidente, e passo os dedos entre os seios enquanto saboreio o morango.
Ele estava falando das fotos que tirou mais cedo, mas para na hora. Os olhos se fixam na minha boca, depois descem até onde meus dedos tocam. Dou um sorrisinho sacana. Ele balança a cabeça, morde os lábios, e o olhar diz tudo: você me paga.
Levanta devagar, contorna o balcão e para atrás de mim. Me abraça por trás, com aquele calor que arrepia. Tô sentada de pernas cruzadas, e as mãos dele deslizam pelas minhas coxas até descruzá-las, com uma delicadeza que me desmonta.
Beija minha nuca devagar, e eu jogo a cabeça pra trás, me apoiando no peito dele. Suas mãos sobem até meus seios, apertando com firmeza, desejo, vontade. Solto um gemido baixo, sentindo o corpo inteiro responder.
[...]
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Desejo oculto
Fiksi PenggemarNos bastidores da novela Terra e Paixão, dois veteranos da teledramaturgia se encontram não apenas em cena, mas também na vida real. Paulo Rocha e Gloria Pires, ao darem vida a seus personagens, acabam despertando sentimentos que ultrapassam o rotei...
