Capítulo 28

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Boa leitura

Paulo

A semana está passando. Na segunda, falei com meu advogado para entrar com o processo de divórcio. Vou deixar o apartamento, o carro e a conta conjunta para Juliana, além de pagar a pensão do José. Só quero garantir meus fins de semana com ele e facilitar as coisas ao máximo para que o processo ocorra sem problemas.

Quinta-feira

Pela manhã, tirei fotos para uma campanha de roupas. Cheguei em casa, troquei de roupa e fui correr na praia da Barra. Precisava de ar puro, relaxar. A última vez que vi Glória foi no sábado, na palestra. Conversamos por mensagens e ligações durante a semana, mas, mesmo falando com ela todos os dias, estou morrendo de saudade. Penso nela o tempo todo. Correndo, sou parado algumas vezes por fãs. Depois da novela Terra e Paixão, as pessoas têm pedido mais fotos e autógrafos. Meu personagem, em parceria com o dela, fez sucesso.

Sento-me em um banco, bebo água e fico admirando o mar. Glória não sai da minha cabeça — estou viciado nessa mulher. Pego o celular, vejo que são 16h40, disco o número que sei de cor e espero. No terceiro toque, ela atende com aquela voz calma e doce.

— Oi, querido! — diz ela.

— Oi, minha linda. Tá ocupada? — pergunto.

— Não muito, tô fazendo uns vídeos pra Bemglória, mas já tô finalizando. E você? Onde tá? — pergunta, interessada.

— Tô sentado num banco de frente pro mar, aqui na Barra, posto 9. Sem camisa, com uma garrafinha d'água, todo suado... Tá um calor — digo, provocando.

— Meu Deus, você foi sacana agora... — ela ri, com um tom manhoso.

— O que acha de conhecer meu apartamento hoje à noite? — sugiro, cheio de intenções.

— Hmmm... Deixa eu pensar...

— Não pensa muito, não. Agora eu tô solteiro! — brinco, rindo.

— Como é, Paulo? — pergunta, surpresa.

— Tô morrendo de saudade! — respondo, gargalhando.

— Hum... Me manda a localização. 18h tá bom pra você?

— Tá ótimo. Te espero lá. Beijo, cheirosa! — despeço-me.

— Beijo — ela desliga.

Volto pro meu exercício, agora mais empolgado, sabendo que logo estarei com ela nos meus braços.

Gloria

Estou selecionando produtos para a Bemgloria quando o celular toca. O nome de Paulo aparece na tela, e um sorriso espontâneo surge no meu rosto. Atendo, e a conversa é rápida. Ele me convida para conhecer o apartamento dele à noite, e eu aceito, claro. Mas não gostei nadinha da brincadeirinha sobre estar "solteiro". Saio do escritório e passo pela sala, onde Bento e Ana estão.

— Vou sair hoje e não tenho hora pra voltar — aviso.

— Ô, mãe, a senhora tá saindo com alguém? — Ana pergunta, curiosa.

— Eu? Não, por quê? — disfarço.

— A senhora anda animada demais pra quem descobriu uma traição e tá em processo de divórcio! — diz Ana.

Bento reforça o argumento da irmã, me deixando tensa. Não quero que meus filhos saam de Paulo por enquanto.

— Bento, já tem mais de um mês que eu e seu pai estamos separados. Não vou ficar sofrendo pelo resto da vida, meu filho. Vou sair com uma amiga.

— Hum... Tá bom, então. Cuidado, e qualquer coisa me liga, tá? — ele diz, me olhando desconfiado.

— Pode deixar! Beijo, meus amores.

Dou um beijo em cada um e subo pro quarto. Mal entro, Ana aparece atrás de mim, fecha a porta e cruza os braços.

— Mamãe, a senhora pode mentir pro Bento, mas pra mim, não.

— Por que tá dizendo que tô mentindo? — pergunto, tentando manter a calma.

— Mamãe, não confia na gente? — ela insiste.

— Claro que confio, Ana. Que pergunta é essa? — vou até ela e seguro sua mão.

— Então, quem é ele? — pergunta, com uma certeza que me assusta.

— Ana! — exclamo, dando um tapinha na própria perna.

— Há uns dois domingos, a senhora ficou sozinha em casa. Quando chegamos à noite, entrei no quarto pra avisar que tínhamos chegado, e a senhora tava saindo do closet, de calcinha e sutiã.

As palavras dela me fazem lembrar daquele domingo com Paulo. Entendo o que ela quer dizer e por que tem tanta certeza.

— Ana...

— A senhora tava com a marca de uma mão na bunda, um tapa bem recente... — ela me encara, esperando uma resposta.

Respiro fundo, pedindo aos céus que ela não insista em saber quem é.

— Tá bom! Sim, tô saindo com alguém, mas não é nada sério... — coço a cabeça, pensando em como explicar.

— A senhora tá apaixonada por ele? — pergunta, descontraída, me deixando sem reação.

— Não, claro que não! Quer dizer, eu gosto dele, gosto muito. Mas, como te disse, não é nada sério, e eu nem me divorciei do seu pai ainda.

— Há quanto tempo tá com ele?

— Pouco mais de um mês...

— Mãe?! — ela arregala os olhos.

— É, eu sei, minha filha! Mas eu e seu pai estamos separados há muito tempo, tá bom? Ele não me olhava mais, não me dava atenção. E eu sou mulher, né...

— Tudo bem, eu sei. Eu moro aqui e acompanhava a vida de vocês! Mãe, quem...

— Ana, meu amor, tô atrasada! Será que a gente pode terminar essa conversa depois? — interrompo, antes que ela pergunte quem é de novo.

Ela percebe que não quero falar mais sobre isso e concorda. Dou um beijo nela, e ela sai do quarto. Finalmente, posso respirar.

— Que mancada! Esqueci completamente da marca na bunda! — falo comigo mesma, indignada.

Vou pro banheiro e tomo um banho caprichado — hoje merece. Lavo o cabelo, me depilo, faço meu ritual de skincare. No closet, escolho uma lingerie nova, vinho, toda rendada. Visto uma calça branca, uma camisa social da mesma cor, prendo metade da blusa dentro da calça e deixo o outro lado solto. Coloco óculos redondos pretos, alguns acessórios e uma bolsinha bege. Finalizo com o perfume que ele ama. Dou uma olhada no espelho e vejo que estou extremamente linda essa noite.

— Pronta. Espero que ele goste! — digo, tirando uma foto no espelho.

Pego as chaves do carro e vou ao encontro da pessoa que não sai da minha cabeça.

[...]

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