Capítulo 8

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Boa leitura

Gloria

Voltei para dentro de casa assim que ele sumiu de vista. Quando cheguei na cozinha, Bento estava entrando.

— Oi, mãe, bom dia! Acordou mais cedo que o normal hoje, hein? Aconteceu alguma coisa? — Ele veio até mim, dando um beijo na minha testa.

— Bom dia, meu amor! Não, só acabei perdendo um pouco o sono e vim tomar um chá para começar bem o dia. — Respondo, tentando disfarçar a aflição.

— Então tá bom! Vou para o meu quarto tomar um banho e descansar um pouco. Te amo. — Ele vira as costas.

— Também te amo, filho. Bom descanso.

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Assim que ele saiu da cozinha, Gloria finalmente pôde pensar sobre o que tinha acontecido. Fechou os olhos e, num instante, toda aquela sensação gostosa voltou — cada detalhe daquela noite, cada carícia, cada toque. Porque sim, ela se lembrava. Só não queria admitir que também foi a melhor noite da vida dela.

Ali, com os olhos fechados, sentiu saudade, mas não podia permitir que esse sentimento louco tomasse conta.

— Gloria, Gloria... Esquece isso, é o melhor a se fazer. Você é casada, e ele também! Foi só uma loucura de momento... Vida que segue. — Murmurou para si mesma.

Sabia que a empregada logo chegaria, então subiu as escadas e foi para sua suíte, tomar um banho e fazer sua skincare. Jurando que conseguiria esquecer.

Paulo

Não demorei muito para chegar em casa. O trânsito estava tranquilo por ser muito cedo, mas minha mente estava um caos. O cheiro dela ainda estava impregnado em mim. Os seios redondos, a pele macia, cada gemido, o som dos nossos corpos se chocando, o quanto ela estava molhada para mim...

Mas ela tinha razão. Foi errado, ela tem uma família, e eu também. Se para ela foi só uma aventura sem futuro, então para mim também será.

Quando percebi, já estava entrando em casa. Juliana estava sentada no sofá, aparentemente me esperando. As coisas entre nós não andam boas há tempos, mas eu realmente não estava com disposição para brigar. Estava exausto e, admito, de coração partido.

Ela anda com um ciúme excessivo e, adivinhe de quem? Exatamente dela.

— Onde você passou a noite, Paulo? — Ela cruza os braços, sobrancelhas arqueadas. — Te liguei várias vezes e você não atendeu. Mandei mensagens e você não respondeu. Onde você estava?

— Bom dia, Juliana. — Solto com impaciência. — Passei a noite na casa do Daniel... Ele me chamou para ir lá comer japa e, depois da nossa última briga, eu aceitei. Não aguentava mais. Satisfeita?

— Não! Eu não acredito em você. — O tom dela sobe.

— Então eu não posso fazer nada. — Respiro fundo, sem paciência. — Vou subir, porque não aguento mais discutir com você.

Viro as costas, mas ela se levanta e vem até mim.

— Paulo, espera... Desculpa, meu amor. — Sua voz amolece, e suas mãos deslizam pelo meu peito. — Eu só não gostei de você ter passado a noite fora. Você acabou de chegar de viagem e a gente mal se viu.

— Eu mal cheguei de viagem e a gente já brigou. Estou cansado disso. — Reviro os olhos.

— O que quer dizer com isso?

— Nada. Eu vou subir.

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Ele subiu, deixando Juliana na sala. Assim que entrou no quarto, foi direto para o banheiro. Jogou as roupas no chão, fez suas necessidades e entrou no box, ligando o chuveiro no frio.

A água gelada bate contra seu corpo, mas não apaga o calor que ainda arde na pele. Ele fecha os olhos, e a imagem dela invade sua mente sem piedade. Gloria, nua naquele sofá, entregue a ele sem resistência, sem nenhum defeito.

"Droga, esquece isso, Paulo! Foi i uma vez só. Acabou."

Ele respira fundo, mas a memória não cede.

"Ela deixou bem claro que foi um erro, uma aventura. Você é casado, porra ama sua família e ela nem se lembra da nossa noite... Maldita."

Pressiona os olhos com força, tentando apagar a cena da cabeça. Mas o cheiro dela ainda está impregnado em sua pele, o gosto dela ainda está em sua boca.

Desligando o chuveiro, ele sai, seca-se com pressa e escova os dentes. Veste-se mecanicamente, sem prestar atenção no que escolhe. Então, sem olhar para a cama onde Juliana ainda dorme, sai para seus compromissos.

Tentando, a todo custo, esquecer aquela mulher.

Coisa que ele sabe que será impossível.

[...]

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