Capítulo 20

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Boa leitura

Paulo

Naquela noite, dormi no quarto de hóspede, onde minhas malas já estavam prontas. Troquei algumas mensagens com a Gloria, mas não tive coragem de contar que estava saindo de casa. O sono demorou a chegar.

08h

Acordei cedo e fui direto para o aeroporto buscar meu filho.

— E aí, garoto? Como foi na casa do vô?

Ele sorriu animado.

— Foi muito bom! Jogamos vários jogos, fomos a vários lugares e eu comi muito doce!

Balancei a cabeça, fingindo uma cara de reprovação.

— Ah, bonito. Pelo menos escovou os dentes direito? Já falei pro seu avô não te dar doce toda hora.

— Escovei, pai! Eu não vou morrer por causa de uns doces a mais!

Soltei uma risada.

— Tudo bem, garoto.

Respirei fundo, aquele parecia um bom momento para conversar com ele tomei coragem.

— Filho, preciso te falar uma coisa séria.

Ele ficou sério de repente.

— É sobre você e a mamãe, né?

Fiquei surpreso, ele já estava tão crescido... Era óbvio que tinha percebido o que estava acontecendo.

— É, filho! Nós decidimos nos separar, não estava mais dando certo, mas...

O sinal fechou peguei sua mão e olhei em seus olhos marejados, meu coração apertou.

— Filho, eu prometo que nada vai mudar entre nós. Vou continuar te vendo todos os dias, te buscando na escola e saindo com você aos domingos.

Ele respirou fundo, engolindo as lágrimas.

— Tudo bem, pai. Eu já não aguentava mais as brigas de vocês dois... Mas... promete que não vai se afastar?

O medo nos olhos dele me partiu por dentro. Puxei-o para um abraço apertado.

— Eu prometo, nunca vou te deixar! Meu novo apartamento não é longe, e você vai ter um quarto só seu lá.

O sinal abriu começamos a andar de novo. Ele secou o rosto com as costas da mão e pareceu um pouco mais calmo, um pouco mais aliviado.

— Tudo bem, eu vou cuidar da mamãe.

Meu coração apertou ao ouvir isso, ele era tão novo e já carregava essa responsabilidade nos ombros.

— Eu sei que vai, filho. Você já é um homem, e eu tenho muito orgulho de você.

Ele assentiu, e um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. Fiquei feliz e, ao mesmo tempo, impressionado com a maturidade dele sinal de que eu e a Ju, de alguma forma, fizemos um bom trabalho.

— A mamãe está triste e magoada, mas isso vai passar. E sempre que precisar falar comigo, pode me ligar, a qualquer hora. Eu irei correndo.

Ele concordou com a cabeça, e seguimos o resto do caminho em silêncio.

Chegamos em casa, Juliana nem olhou na minha cara apenas falou com o José e o ajudou a carregar suas coisas. Suspirei fundo e fui direto para a suíte, onde comecei a organizar o restante das minhas malas.

Alguns minutos depois, José apareceu na porta.

— Pai, eu e a mamãe vamos sair um pouco.

— Tudo bem, filho.

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