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7 - Não entendo...

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Na noite seguinte, nos reunimos no espaço de ensaio do Nani e, ao olhar para todos, sou o único a sofrer de ressaca. Minha tolerância não está nem perto do resto dos caras, mas eu precisava do álcool para passar a noite anterior.
E falando em noite anterior...

Olho Bright, rindo com Nani, e minhas ações da noite passada surgem com uma perfeita nitidez.
Deus, por que fiz aquilo? Fui tão idiota. Enquanto esfrego minhas mãos no meu rosto, me pergunto como vou passar pelo ensaio sem ficar vermelho vivo toda vez que ele olhar para mim. Sem dúvida ele verá através de mim, e então o que eu farei?

“Ei, cara, você está bem?”
Natt pergunta.
“Precisa de algo para essa ressaca?”

“Oh, não. Estou bem.”

Me sentindo uma merda, mas isso não é nada que pretendo compartilhar.
Começamos as coisas trabalhando na música que trouxe para eles ontem. É fácil manter distância do Bright, mas impedir meu cérebro de seguir todos os seus movimentos ou pensar em repetir a noite passada? Isso não será esquecido tão cedo.
É depois que voltamos de um almoço rápido que finalmente tenho que olhar Bright. Se ele entendeu que o estou ignorando, não disse nada. Ele é o mesmo velho Bright brincando com os rapazes com aquela língua afiada e focado na música. Na verdade, a única coisa diferente é à maneira como ele não invadiu meu espaço pessoal... E não tenho certeza de como me sinto sobre isso.

“Eu tive uma ideia ontem à noite.”
Bright diz quando nos reunimos na sala de ensaios. Ele segura uma folha que tem seu rabisco quase ilegível.
“Acho que a música do Win é ótima, e acho que trabalhar em algumas faixas que estão na mesma linha será uma boa direção para nós. Mas e se nós tocássemos uma ou duas faixas que soariam mais familiares aos fãs que nos seguem?”

“Você tem algo em mente?”
Nani pergunta.

Bright concorda e caminha até onde estou atrás do microfone. É a primeira vez que nos encaramos hoje, e quando ele para na minha frente, meu pulso acelera.

“Vai fazer as honras, anjo?”
Ele diz, segurando o papel para mim.

Eu ainda sou ‘anjo’, mas o jeito que diz não tem nada do flerte que tinha antes.

“Claro.”
Pego a folha de papel rasgada dele enquanto ele pega sua guitarra.

“Algo parecido com isso.”

Brigjt toca algumas notas enquanto leio rapidamente as palavras que ele escreveu, tentando ter uma ideia do que dizem.
Uau. Pisco, lendo novamente. Puta merda, a letra é obscena, em total oposição a que trabalhamos naquela manhã, e...
Ele disse que escreveu isso ontem à noite?
O rosto dele não demonstra nada, mas sei que o meu sim. Eu nunca poderei esconder o rubor que surge tão fácil na minha pele, e definitivamente não quando sei exatamente o que essa música significa. Ou melhor, para quem é.
Para mim.

“Qual é a nome da música?”
Nani pergunta.

Quando não respondo, Bright olha para os caras.

“Hard.”

Nani abre a boca para responder, mas depois olha para mim e parece pensar melhor.

“Certo.”

“Então estou pensando em começar com isso...”
Bright toca um refrão na guitarra.
“E depois, Dew, você vem com uma batida forte. Como sexo puro, como uma cabeceira batendo em uma parede, entende? E então Nani, o baixo tem que pulsar. Natt, não cheguei tão longe ainda, mas você sabe melhor do que eu o que soa bem.”
Brigjt continua a tocar e então acena para mim.
“É aqui que você entra.”

“Não posso cantar isso.”
Digo, balançando a cabeça.

Brigjt para de tocar.
“Certamente você pode.”

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