𝟮𝟭. Charme de musicista

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Sina Deinert

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Sina Deinert


Andamos sob as luzes amareladas que cobrem toda a extensão da área descoberta do Paradise Bar. Desde a primeira vez que vim no final do semestre passado, não consegui entender como mantinham todas as lâmpadas funcionando nem como faziam a manutenção quando chovia.

Não parecia muito prático, porém adquire um visual lindo e diferente ao bar.

Any solta uma risada divertida diante de alguma coisa que Sabina falou conforme nos acomodamos em uma das mesas elevadas com bancos altos daquela área, relativamente próxima ao palco. Ela se deu tão bem com meu grupo de amigas desde o Festival de Verão que agora já era uma integrante indispensável durante nossas saídas. E parecia bastante contente por estar cercada de companhia feminina, fora da sua amizade com Josh e Noah.

Quem estava a conhecendo agora era Jeky, que voltou de Goiás há uma semana. No início ela me lançou um olhar intuitivo quando expliquei que conheci Any através de Noah, mas a partir de então passamos a sair em grupo para praia e até tivemos uma noite de filmes e autocuidado no meu apê com Sabi. Mais parecia que Any esteve conosco desde sempre.

— Então, eu tive que colocar a boca naquele tubo e aspirar até vir o conteúdo do rúmen do bezerro- conta Jeky, certamente falando sobre sua vivência das férias na fazenda. Presto mais atenção. — Nem sempre dá pra evitar acabar tendo uma provinha ligeira de como é esse conteúdo.

As meninas, assim como eu, esboçamos caretas diante do relato.

Um atendente vem entregar a plaquinha para acesso ao cardápio digital na mesa, e após feito os pedidos, imergimos em uma conversa amena e entretida. Quando o atendente reaparece é para preencher a mesa circular com petiscos e drinques.

Ainda era cedo, o bar estava para encher de gente conforme o avançar da noite.

Cada drinque da casa tinha um nome, o chamado "tentação" é posicionado na minha frente. Pelo que li e me atraiu atenção, consistia em uma mistura de gin aviator black, frutas vermelhas e tônica. A criatividade era ilimitada; o líquido vermelho foi servido num copo oval pequeno e possuia um canudo em espiral com enfeite de uma cobrinha verde de papel enrolada nele.

— Caramba, acho que vou pedir um igual ao seu, Si- Joalin comenta, cutucando o enfeite. — Como eles conseguiram fazer isso? Puts.

Dou de ombros, igualmente encantada em como moldaram o papel daquele jeito.

Escolhi pedir algo diferente da soda italiana na primeira vez aqui. O sabor deste drinque era tão bom quanto, embora mais forte devido ao álcool.

— Opa, cheguei na hora boa- além da voz, o corpo de Josh se esgueira e surge entre o espaço do meu banco e o de Any. Ele veio bem sorrateiro.

— O que faz aqui?- até Any soa surpresa em vê-lo ali.

Josh finge uma expressão magoada ao passo em que engole o pedaço de carne do sol afanado do espetinho que Any pediu.

𝗗𝗲𝘀𝗽𝗿𝗲𝘁𝗲𝗻𝘀𝗶𝗼𝘀𝗼, 𝗻𝗼𝗮𝗿𝘁Histórias para pegar e não largar. Descubra agora