Prestes a se formar no curso de veterinária tão estimado, Sina Deinert tem convicção que relacionamentos amorosos não cabem em sua rotina apressada.
Mas não significa que uma diversão casual seja impensada.
Carregando um histórico de corações part...
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Noah Urrea
Any salta alguns passos ao se posicionar na ponta do palco, de modo a ficar bem à vista do público quando as cortinas abrirem. As mãos passando pelos cabelos e o ajeitar da saia do vestido demonstram seu nervosismo para o segundo e último ato.
— Vamos nos sair bem- tento tranquilizar. — Só se preocupe em soltar a voz e brilhar, Gabs.
— Ensaiamos pra isso, não é?- esboça um sorriso. — Finalmente é a hora.
Ela me direciona um ar firme, o qual retribuo com um assentir. Ocupo meu lugar cerca de três passos mais para trás dela, posicionando o baixo à frente do meu corpo. Na outra margem próxima, Samuel começa a estender o violino para o acomodar no ombro.
Formávamos uma posição como um triângulo, com Any na ponta destacando-se para o público.
Ela tinha razão. Mesmo com a chegada recente de Samuel, conseguimos passar ótimos ensaios em um curto espaço de tempo. Ele era hábil com o instrumento. Estávamos afiados como nunca, tanto que entregamos uma boa performance no primeiro ato apenas com a acústica.
As cortinas começam a se afastar, indicando que o pequeno intervalo para que trocássemos os instrumentos e nos recuperássemos chegou ao fim juntamente com os burburinhos da plateia, cessando.
A iluminação amena incide sob o palco, atingindo eu e Samuel numa intensidade mais suave e com um enfoque maior na protagonista daquela perfomance.
Com um último olhar para trás revezado entre mim e Samuel, damos um assentir na direção de Any, demonstrando que estávamos prontos.
Dedilho os acordes iniciais no baixo, que logo se mesclam ao violino empunhado por Samuel, formando a brevíssima introdução sonora de "Uma vida é pouco pra te amar" da IZA, cuja parte será cantada por Any. Sua voz se une a nossa acústica, e mantemos o volume do som abaixo de seu alcance vocal.
A extensão vocal original da cantora corresponde a um meio-soprano dramático, enquanto a de Any é um soprano mais lírico. Apesar disso, ela canta transmitindo a mesma emoção que a letra repercute. Ela não procura soar como IZA, mas como Any Gabrielly, prestando uma homenagem a sua cantora favorita, sua inspiração. Além de transmitir seus sentimentos na canção para o público.
A área a frente é escura do meu ponto de vista, mal enxergo as pessoas nos assentos mais próximos ao palco. Mas sei que meus amigos e a minha pessoa especial estão ali prestigiando o momento.
Em determinando ato da canção há apenas o breve solo entre o meu baixo e o violino. O som agudo se destaca numa expressão sentimental, acalentada pelo sonoridade mais grave criada pelo baixo. Samuel toca demais. Não é à toa que pretende um lugar numa orquestra sinfônica no futuro, como me disse. É um cara fácil de estabelecer uma relação amistosa.