𝟭𝟰. Nas alturas

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Sina Deinert

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Sina Deinert



Sinto meu corpo quente e minha garganta seca em semelhante estado ao meu copo vazio, mas simplesmente não posso sair do lugar em que estou agora.

Completamente fora de mim desde que Ivete Sangalo entrara no palco, maravilhosa em seu collant vermelho com detalhes brancos, e trazendo suas músicas de ritmos contagiantes consigo. Era impossível permanecer parada com aquela energia transmitida por ela. Nosso grupo pulou, cantou e dançou todas. Josh até mesmo demonstrou certo talento para a última coisa, acompanhando nós mulheres no gingado, o que em contrapartida faltava em seu amigo que possuía melhores habilidades vocais.

Quando Ivete encerra a participação com sua aposta para música do Carnaval desse ano, recebendo uma longa série de palmas e gritos, me considero acabada e precisando de uma pausa.

Tudo que eu precisava no momento aparece na minha frente num piscar de olhos.

— Quer um gole?- Noah oferece uma garrafa de água, que aceito de bom grado.

Bebo além da metade do recipiente, o conteúdo líquido refrescando tanto minha garganta ressecada quanto meu corpo. Assim que me dou conta de que talvez, ao oferecer um pouco da sua água, Noah ainda esperasse reaver o restante do que sobrasse na garrafa, afasto a boca do gargalo. Nada sobrou.

— Tudo bem, peguei para você mesmo- ele ameniza num tom modesto, levando a mão atrás da nuca. — Sabe, com toda essa energia gasta, é importante manter a hidratação.

— Obrigada, príncipe- cochicho a última parte, porém, desta vez, lhe ofereço um sorriso.

De alguma forma parece que o clima estranho influenciado por aquele cumprimento deixou de existir nesse momento.

Fora da área do camarote, montado no centro da arena, o palco destinado ao DJ ganha um show de iluminação e sons de batida, para entreter o público no intervalo entre as atrações. Pelo menos, aqueles que não se dispersaram em direção aos demais palcos principais distribuidos ao longo do perímetro do Parque.

Minha maior atenção se fixa na construção circular a vários metros dali. Diante do céu noturno, a roda gigante adquiriu uma iluminação em led branca que partia de seu centro até alcançarem pouco antes das cabines. O fluxo das pessoas indo para ela era menor em comparação a mais cedo, levando em conta que outros palcos continuavam com suas respectivas apresentações.

Apoio os cotovelos no parapeito da varanda do camarote enquanto encaro o par de rodas gigantes, divagando.

— Queria tanto ir...

— Por quê diz isso no passado?- o moreno comigo questiona na medida em que se apoia no parapeito também.

— Parece tão longe, o tempo para chegar lá seria o retorno da próxima apresentação do palco daqui. E não sei se podemos descer até a arena.

𝗗𝗲𝘀𝗽𝗿𝗲𝘁𝗲𝗻𝘀𝗶𝗼𝘀𝗼, 𝗻𝗼𝗮𝗿𝘁Histórias para pegar e não largar. Descubra agora