Prestes a se formar no curso de veterinária tão estimado, Sina Deinert tem convicção que relacionamentos amorosos não cabem em sua rotina apressada.
Mas não significa que uma diversão casual seja impensada.
Carregando um histórico de corações part...
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Noah Urrea
[...]
Acho que não apareci num dia tão oportuno quanto esperei.
— Oi...
Sina balbucia a palavra, piscando os olhos novamente, ainda absorvendo minha presença do outro lado da soleira de sua porta.
Já faz algum tempo que venho me consultando com um psicólogo e começando a notar aos poucos o singelo progresso que a terapia me traz. Minha mente anda menos turbulenta e me sinto bem comigo mesmo. De pronto que vim até o apartamento de Sina sem avisar.
A loira esteve comigo durante esse processo, em presença e emocional, assim como meus amigos. Sou grato por ela ter dado meu devido tempo para trabalhar as feridas internas que Bianca me deixou, ter ajudado a sara-las e me compreender. De alguma forma, emocionalmente sinto que ela amadureceu comigo.
Porém agora sinto saudade da minha namorada e de estarmos juntos, como um casal.
E decidi aparecer no dia da faxina no apartamento, pelo visto.
Sina usa um top branco e um short legging de academia, combinando com faixa de cabelo escura que afasta as mechas mais curtas de seu rosto, as quais o rabo de cavalo deixa escapar. Atrás dela, visualizo Sabina arrastando um rodo pelo piso, o aroma de casa limpa sendo conduzido pelo ar.
Sabina desvia a atenção para nossa direção e dá um aceno enquanto se apoia no cabo.
— Hey, Noah!- cumprimenta, e eu retribuo seu aceno à distância. Sabina então reveza olhares entre mim e a amiga. — Vou aproveitar a deixa e tirar um descanso. Tô suando igual cuscuz- ressalva, atuando um gesto de se abanar com as mãos. — Deixa o cara entrar, Sina.
— Ah, sim. Claro.
Sina descongela e abre uns passos de distância, me dando passagem para casa que adentrei pela última vez quando ela ainda estava confusa sobre os próprios sentimentos.
Para meu alívio, as amigas da loira tiveram empatia por mim assim que tudo se esclareceu, afinal acabei soando meio apático na última vez que as vi reunidas na minha casa, logo quando voltava do pesadelo que fora a confraternização da gravadora. Havia percebido mais tarde que elas interpretaram a entonação que proferi à Sina como um alerta, crendo que eu estaria deixando uma máscara cair. Sendo que apenas queria ficar sozinho, e toda vez que fitava as órbitas azuis esverdeadas preocupadas comigo, sentia mais repulsa de mim mesmo.
O que importa é que fui capaz de me redimir e tudo fora esclarecido no final.
— Finjam que eu não estou aqui- profere Sabina, quando reúne todo o material de limpeza que usavam e os encaminha para a dispensa. Ela se apressa até desaparecer pelo corredor que leva aos quartos.
Enquanto Sina pausa a música vinda da televisão que ambas escutavam durante a faxina, descalço meus tênis e os deixo na entrada a fim de não sujar as coisas por ali.