𝟬𝟮. Pai de pet

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Sina Deinert

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Sina Deinert



– Por favor, Jeky, não me olhe assim. Será apenas por algumas horinhas.

Dentro da tenda onde os dados dos novos tutores eram coletados e os questionários para efetivar as adoções aconteciam, minha fiel amiga interrompe o que deveria ser sua incontável entrevista do dia, desta vez com um senhor buscando adotar o gatinho em seus braços, para me encarar de forma acusatória.

Ela sorri docilmente para o senhor ao pedir por um minuto, e quando ele demonstra não se incomodar, a mesma se levanta e me arrasta para o canto do espaço.

– Me diga de novo que isso não é uma desculpa para largar aqui e dar uns pegas no moreno bonitinho ali na frente que provavelmente te interessou- indica Noah aquela distância. – Seja sincera, Sin.

Torno a visualizá-lo, e devo corrigir que 'bonitinho' era meio que um eufemismo. O sujeito tinha seu charme, um perfil marcante, um sorriso brilhante, altura mediana e, além disso, uma personalidade agradável. Mas volto a focar no que interessa.

– Não, por Deus! Eu levo meu horário de serviço a sério e você sabe- acuso. – Não misturo as coisas. Hoje estamos aqui para tentar dar um lar a maioria desses animais e esse é o objetivo.

Ela anui, convencida.

– Ei, não quis soar séria. Sei que você e o Theo estão de casinho, embora sem exclusividade...- esclarece num resmungo diminuto, antes de voltar ao normal. – Penso que esse passatempo será o oposto de um sacrifício para você- desta vez, me direciona um semblante malicioso que parece armado. – Que cara gato!

Contenho um riso ao vê-la fingir se abanar e ignoro a desconfiança, sem negar sua percepção.

– Agora, o que você pretende os levando para o outro canto do parque?

– Primeiro, a intenção era deixar alguém de aviso sobre a minha saída. Há uma chance real de Joel e Ellie serem adotados juntos, e aquele homem ali- indico Noah novamente com um gesto de cabeça. –Não o refutou como a maioria. No entanto, sabemos como o Joel leva mais tempo para baixar a guarda.

Os olhos castanho escuros de Jeky se iluminam com compreensão. Ela sempre foi rápida em pegar a linha de raciocínio.

– Então planeja que os três passem um tempo a mais na companhia um do outro para tentar que o Joel, influenciado pela Ellie, ceda ao menos um pouco arriscando ver se eles poderiam dar mesmo certo.

Estalo os dedos como quem diz que acertou em cheio.

– Espero que seja o bastante, que ele não desista da adoção conjunta. Odiaria se os cachorros passassem mais um ano conhecendo apenas o abrigo como um lugar seguro- verbalizo minha maior preocupação.

A tarde de hoje não poderia ser em vão, e minhas esperanças estavam depositadas nas mãos do moreno agora acolhendo Ellie no colo enquanto Joel permanecia deitado de lado observando, calmo, sem expressar sua rabugentice costumeira quando estranhos se aproximavam da pequena. Devia ser um começo.

𝗗𝗲𝘀𝗽𝗿𝗲𝘁𝗲𝗻𝘀𝗶𝗼𝘀𝗼, 𝗻𝗼𝗮𝗿𝘁Histórias para pegar e não largar. Descubra agora