Prestes a se formar no curso de veterinária tão estimado, Sina Deinert tem convicção que relacionamentos amorosos não cabem em sua rotina apressada.
Mas não significa que uma diversão casual seja impensada.
Carregando um histórico de corações part...
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Sina Deinert
Arrumo a lapela do meu terninho azul bebê que dobrou sobre si mesma e aproveito o espelho do elevador para conferir minha aparência pela última vez, garantindo que esteja impecável.
Por mais supersticioso que seja, querendo ou não, a forma como uma pessoa se veste reflete na maneira como as outras a verão e isso definirá uma primeira impressão. Em especial num ambiente de trabalho.
Antes de considerar pisar na Bastier, trouxe para a luz o conjunto social que tinha enfurnado no guarda-roupas por tempo demais. Havia o adquirido em antecipação ao primeiro congresso de medicina veterinária do qual participei em outro estado, quando poderia ser considerada meia-médica por estar no semestre que correspondia a metade do curso. Era um ambiente repleto de profissionais e ótima oportunidade de estabelecer um networking, portanto deveria passar a melhor das impressões desde as vestimentas.
Hoje, reuso o terninho azul bebê sobreposto a uma blusa branca e uma calça do mesmo tom azul claro por outro motivo.
Pretendia colocar uma vadia em seu devido lugar.
O elevador apita indicando que cheguei ao andar. Ajeito rapidamente as mechas finas de cabelo que escapam do coque despojado no qual as prendi e saio da caixa metálica, meu coração batendo na garganta.
Graças ao tipo de piso, é inevitável que meus saltos cliquem ao entrarem em contato com o chão. Me dirijo a recepção em meio a uma inspiração profunda para acalmar meu coração e o devolver a seu lugar habitual na anatomia.
Mais do que uma roupa elegante, eu preciso me portar a altura.
— Boa tarde- cumprimento a recepcionista, afabilidade enfeitando minha voz. — Tenho uma reunião com Bianca Bastier. Sou Maria Dias. Publicitária.
— Um minutinho.
Alheia ao fato que estou mentindo pra caramba, a mulher dá uns cliques na tela do computador em sua frente e corre o mousse com o indicador, na certa em busca de quando essa suposta reunião foi agendada.
Suas feições se franzem levemente numa dúvida.
Legitimamente, essa reunião não foi marcada.
— É uma reunião informal- interrompo com delicadeza, como se tivesse apenas esquecido de mencionar a questão. — Com o novo álbum para lançar, a senhorita Bastier queria ver meu trabalho antes de promover algum contrato. Acho que ela pode ter se esquecido de mencionar isso.
Até que enfim, ela emite um murmúrio compreensivo.
— Encontrei. Marcado para às 14h?
— Isso.
— Pode me acompanhar, senhorita Dias- diz ao se levantar. — Te levarei até a sala dela.
Não me passa despercebido a análise de seus olhos sobre minha roupa, e posso dizer que vejo quando julga que aparento condizer com a profissão que anunciei.