Prestes a se formar no curso de veterinária tão estimado, Sina Deinert tem convicção que relacionamentos amorosos não cabem em sua rotina apressada.
Mas não significa que uma diversão casual seja impensada.
Carregando um histórico de corações part...
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Noah Urrea
Praia do forte, litoral norte da Bahia
Estendo o braço, me controlando para evitar tremer diante da boca enorme e pronta para dar o bote do tubarão lixa aguardando o alimento cair na água.
Despejo a isca de peixe sem cerimônia, e os demais tubarões no tanque junto aquele se alvoroçam, emitindo barulhos de vácuo ao succionarem a comida na superfície, espirrando água em todas as direções.
Ao contrário de mim, Sina se encontra praticamente debruçada sobre o tanque, admirando em fascínio os tubarões dilacerarem aquela isca. Ela quem fora a primeira do nosso grupo de visitantes a se oferecer para os alimentar, assim como foi uma daquelas que mergulharam a mão no tanque das arraias sem o menor receio de as tocar. Eu tinha minhas ressalvas, o que me fazia parecer um maria mole perto dela.
Então, para não voltar para casa sem ter vivido uma experiência sequer ali no Tamar, reuni coragem diante dos incentivos da loira e arrisquei esta vez. Já fora o bastante.
Limpo minhas mãos na barra da bermuda e tomo uma distância mais segura do tanque.
Não era como se eu tivesse medo, apenas preferia observar de longe qualquer animal marinho que não fosse tão inofensivo quanto uma tartaruga. Elas, sim, detinham minha simpatia.
Quando as iscas acabam, assim como o horário de alimentação dos animais, o tratador agradece nossa visita e nos dá liberdade para andar mais pelo espaço ou visitar a loja de lembranças. O semblante de desapontamento da loira era um reflexo semelhante ao da pequena garotinha acompanhada dos pais em nosso grupo, que a seguira logo atrás no quesito "não se intimidar por bichos potencialmente letais".
O grupo se dispersa, restando apenas eu e Sina na área dos tanques dos tubarões.
— Por mim, ficaria mais uma hora fazendo isso. Foi uma experiência incrível!- compartilha, animada, e fico contente por minha ideia de levá-la até ali ter surtido o efeito desejado.
Ainda que ela não dissesse nada, o brilho em seus olhos denunciava o quanto gostara da visita.
Enceno um sorriso vitorioso.
— Cumpri meu objetivo.
— Como eu nunca soube que eles permitiam esse tipo de visita por aqui antes?- indaga, me lançado um olhar curioso.
— Não é sempre que o Projeto abre oportunidades assim, e quando sim, geralmente são mal divulgadas. Mas deve ser uma estratégia a fim de evitar reunir multidões- pondero. — Bom que para nossa sorte, eu costumo ser bem antenado.
Sina força uma risada.
— Vou ter que te dar os créditos dessa vez- diz, se aproximando para cochichar em seguida. — Agora, diga que conhece um lugar para almoçarmos que não provoque um rombo no meu cartão.