Prestes a se formar no curso de veterinária tão estimado, Sina Deinert tem convicção que relacionamentos amorosos não cabem em sua rotina apressada.
Mas não significa que uma diversão casual seja impensada.
Carregando um histórico de corações part...
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Noah Urrea
Quando você passa um certo período de tempo estagiando em um lugar que almejava, inevitavelmente acaba percebendo algumas pequenas rachaduras no alicerce depois de superar o deslumbre inicial com que entrou.
Faz quase seis meses que ocupo o cargo como estagiário na gravadora Bastier, e durante boa parte desse tempo fiquei imerso no aprendizado que estar em contato com aquele mundo me proporciona. Absorvi muito conhecimento e também o coloquei em prática, reforçando para mim mesmo que, sim, era aquela área qual queria seguir após me formar.
As experiências técnicas na Bastier não eram o problema.
Conforme conquistei a afinidade com os dois caras que comandavam a cabine de onde a mágica acontecia, pude frequentar as sessões de gravação para um álbum de um novo artista agenciado, dando os primeiros passos na carreira, cuja discografia encontrava-se em sua fase de pré-lançamento. Até mesmo tive minha opinião requisitada pelos profissionais no processo, o que me enche de esperanças para o futuro.
Esses meses foram como alcançar objetivos que por enquanto se limitavam apenas a minha imaginação. Poderia dizer que estava perfeito: tinha um estágio bom, chefes que me davam credibilidade e me orientavam para aprimorar mais ainda minhas técnicas e um fluxo estável de chamadas para tocar em bares aos fins de semana. Ainda sobrava tempo para meus amigos e minha namorada, que remaneja a própria agenda quando pode para acompanhar a grande maioria das minhas apresentações, apoiando, curtindo; e com quem sinto ser amado do jeito certo.
Minha namorada que hoje faz questão que eu durma abraçado a ela, formando uma conchinha, sempre que arranjamos um jeito para passar a noite juntos.
É tudo que sempre quis.
Fora dessa bolha pacífica, a proximidade com a apresentação de final de semestre pressiona pelo dobro agora.
Os ensaios que me envolviam com Any e Bianca eram desgastantes, principalmente no início. Mas já faz algumas semanas que entramos numa harmonia razoável. Esse milagre foi possível. Embora uma hora ou outra surjam uns comentários ácidos, não ultrapassam disso, algo apenas para que a última lembre que não fora exatamente por querer que a aceitamos em nosso grupo de dois naquele trabalho.
A amistosidade velada durante os ensaios era o mais longe que eu e Any ofertamos para Bianca. No entanto, eu ainda devia ser minimamente solicito com ela em nome do meu estágio. Estava aqui pela maldita indicação dela no fim das contas, e esse fato ainda me assombra de vez em quando.
O riso reverberante de Daniel, um dos meus chefes, repercute. Chamando a atenção para a ocasião de confraternização da produtora num restaurante chique na qual todos os funcionários haviam sido convidados, mesmo os relés estagiários.
Todos usam roupas mais formais e estão acomodados numa mesa longa, cadeiras enfileiradas. O jantar conta com a presença de Bernardo Bastier, pai de Bianca a quem nunca fui apresentado e também dono da produtora que levava seu sobrenome. Ele estava ali desfrutando da ótima comida e participando das conversas com aqueles que lhe eram mais próximos; a filha e herdeira da gravadora inteira sentada a sua retarguarda.