O dilúvio dos amantes

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Os cachos loiros flutuavam,
Como fios de ouro em suas mãos.

Pele tão pálida, que jamais parecia sentir o dilúvio eminente.
Este, que detinha um próprio artesão,
Cruel, Ele era tão cruel.

Como poderia separar o canto dos acordes entre os dois amantes.
Dois seres feitos para nunca cruzarem instantes,
Mas tão unidos para serem mantidos sós.

As mãos calejadas de luta e bronzeadas,
Corriam os cachos dourados, como uma salvação.
Um cortejo perante ao dilúvio eminente.

Tempo. Tempo. Eles rogavam, ansiavam desesperadamente  pelo calor.

E não pelo frio e a dor, que os consumiam lentamente e unicamente.

Lágrimas tão cruas e nuas eram derramadas,

Assim como o sangue que desabrochava das peles assombradas.

" Eu te amo." E então nunca mais emitiram um único som.

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