Karina segurava o controle com firmeza, os olhos atentos na tela da TV. O avô Tony, sentado ao seu lado no sofá, franzia a testa enquanto tentava acompanhar as instruções da bisneta.
— Não, vô! Não é assim! — Karina riu, ajeitando as mãos do avô no controle. — Você tem que apertar aqui, com esse dedo, e depois usar esse botão pra correr. É simples!
Tony suspirou, balançando a cabeça em frustração, mas um sorriso teimoso brincava nos lábios. — Garotinha, no meu tempo, jogos eram cartas e dominó. Isso aqui é coisa de outro mundo.
Karina deu uma risadinha, mas logo seus olhos ficaram mais sérios, e ela diminuiu o ritmo do jogo. De repente, a diversão deu lugar a algo mais pesado em sua mente.
— Vô, posso te perguntar uma coisa? — A voz dela era baixa, quase hesitante.
Tony, distraído tentando entender o jogo, mal percebeu a mudança de tom. — Claro, querida, pergunta o que quiser.
Karina mordeu o lábio, sem saber ao certo como formular a pergunta. — Se o senhor descobrisse que alguém que ama muito está guardando um segredo… tipo, algo importante… o que faria?
— Hm, eu preciso pôr meu óculos para pensar devidamente. — Tony retirou o objeto do bolso da camisa e colocou no rosto — Que tipo de segredo?
— Não sei… um segredo grande. Um segredo que poderia mudar tudo. — Karina desviou o olhar para o controle, mexendo nele distraidamente. — Acho que minha mãe tá escondendo algo de mim. Algo muito importante.
O bisavô franziu o cenho, percebendo o tom sério da bisneta. — Garotinha, você tem só dez anos… o que te faz pensar isso?
Karina hesitou antes de responder, o olhar fixo no controle que segurava. — É que… minha mãe nunca falou sobre a minha outra mãe. — Ela parou, esperando pela reação do homem. — Eu sei que ela existe, mas nunca sei nada sobre ela. E acho que tem algo errado nisso.
Tony endureceu com a menção, sentindo o peso da conversa. Ele deixou o controle de lado e respirou fundo, escolhendo as palavras com cuidado. — Karina… às vezes, os adultos acham que estão protegendo as crianças quando escondem certas coisas. Mas nem sempre é o caso…
— Então, o que devo fazer? — perguntou Karina, esperançosa.
Karina olhou para o bisavô, esperando que ele continuasse, mas Tony ficou em silêncio e coçou a cabeça. Ele sabia que a curiosidade de Karina era legítima, mas também sabia que algumas respostas poderiam trazer mais confusão do que esclarecimento.
— Sabe, garotinha… às vezes a gente pensa demais nas coisas, e isso pode nos deixar confusos. — Tony tentou forçar um sorriso, mas era evidente que ele estava desconfortável. — Mas sabe o que eu acho? Acho que essa preocupação toda aí é só fome disfarçada.
Karina franziu a testa, não convencida. — Fome?
— É! — Tony se levantou do sofá, esticando os braços como se espantasse o peso da conversa. — Um bom milkshake é o remédio pra qualquer coisa, você não acha?
Karina hesitou por um momento. Ela sabia que o bisavô estava fugindo da questão, mas o pensamento de um milkshake delicioso era irresistível.
— Pode ser… — disse Karina, tentando esconder um sorriso.
Tony sorriu, aliviado por ter conseguido desviar o foco. — Então, vamos lá! Nada de segredos e preocupações por enquanto, só nós dois e um milkshake daqueles de deixar qualquer um de bom humor.
Karina deu um salto do sofá, a seriedade do momento anterior se dissipando. — Vamos! Mas quero o de chocolate com muita calda!
Tony riu, colocando o braço ao redor da bisneta enquanto a conduzia para fora da sala. — Fechado, mocinha. Vamos ver se o melhor milkshake da cidade ajuda a gente a pensar com mais clareza.
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Yours | Seulrene
FanfictionQuando Seulgi decide ficar em Seoul, Irene fica despedaçada, mas parte para a Europa, sozinha e grávida de Seulgi. Anos depois, Karina já está grande e plenamente decidida em saber quem é sua outra mãe. É por isso que ela vai atrás de Seulgi, e ela...
