8. Mágoas do passado.

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Bada entrou na cozinha com passos firmes, os olhos atentos em cada detalhe enquanto se aproximava de Wendy, que mexia em alguns ingredientes na bancada.

— Wendy, preciso que você passe um comunicado para Seulgi — disse Bada, com aquele tom sério, típico de quando havia algo de suma importância em jogo. — O prefeito vai vir ao Kang’s Table na semana que vem, e eu preciso que o menu especial tenha um toque único. Quero que Seulgi inclua aquele prato que sempre agrada em ocasiões formais. É essencial que o prefeito se sinta à vontade, sabe como é... um toque de familiaridade, mas com a sofisticação do restaurante. — Ela fez uma pausa, como se calculasse o peso de suas palavras. — Não podemos deixar nenhuma margem para erro.

Wendy assentiu rapidamente, ciente da importância daquele pedido. — Pode deixar, tia. Eu falo com ela.

Com isso, Bada deu um leve sorriso de confiança e voltou à sua rotina, enquanto Wendy saiu em busca da prima. Ela caminhou pelo restaurante, passando pela cozinha, pelo escritório... mas Seulgi não estava em lugar nenhum. Não no escritório, nem em sua habitual mesa de trabalho.

Wendy parou um momento, pensando. Aonde Seulgi poderia estar? E então, como um estalo, ela soube exatamente onde encontrá-la.

Ela foi até os fundos do estabelecimento, atravessando um pequeno corredor que levava a um galpão discreto. Era um local que quase ninguém conhecia, exceto por ela e Seulgi. Wendy empurrou a porta de metal e entrou no espaço que era quase um segredo, um refúgio para Seulgi.

O galpão era iluminado de maneira suave, com telas encostadas nas paredes, pincéis dispostos de forma organizada em uma mesa, e um cheiro sutil de tinta no ar. Quadros, alguns prontos, outros inacabados, estavam espalhados pelo lugar.

Lá estava ela, organizando algumas tintas, preparando-se para continuar uma pintura. Era uma cena rara, já que Seulgi não frequentava tanto o galpão ultimamente, envolvida com as demandas do restaurante. Mas naquele momento, havia algo diferente. Seulgi estava de bom humor, seus movimentos eram leves, como se finalmente estivesse em paz com algo.

Wendy encostou-se à porta e observou por um instante antes de quebrar o silêncio. 

— Faz tempo que você não aparece por aqui. 

Seulgi, sem se virar de imediato, continuou organizando seus materiais com um sorriso discreto nos lábios. 

— É... algo me fez querer voltar a pintar.

Wendy ergueu uma sobrancelha, um brilho de suspeita em seus olhos. — Algo... ou alguém?

Seulgi soltou uma risada baixa, e finalmente se sentou em frente ao seu quadro inacabado. No centro da tela, um esboço delicado de uma mulher começava a ganhar forma. O traço era suave, mas já capturava a essência de alguém que parecia familiar, embora ainda não completamente revelada.

— E então, o que você quer, priminha? — perguntou, sem tirar os olhos da pintura.

Wendy sorriu ao perceber o tom leve da pergunta. — Ah, certo. Tia Bada me pediu para te passar uma mensagem. Ela quer que você inclua aquele prato especial no menu para a vinda do prefeito. Nada muito complicado, só um ajuste no cardápio.

— Tudo bem, sem problema. — Ela então mudou de assunto rapidamente, como se o pedido de Bada já tivesse sido resolvido. — E sobre o buffet para o aniversário da garotinha? Você conseguiu acertar tudo?

— Joy cuidou disso.

Seulgi sorriu ainda mais, satisfeita. — Ótimo. E sobre meu convite especial? Conseguiram fazer isso acontecer?

 — Joy também está cuidando disso.

— Excelente!

Wendy percebeu o olhar de Seulgi fixo no esboço à sua frente. Era quase como se a pintura tivesse capturado a atenção de Seulgi por completo, deixando-a absorta. Intrigada, Wendy estreitou os olhos, analisando os traços delicados da figura na tela.

Yours | SeulreneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora