14. La Vie en Rose.

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Seulgi estacionou o carro em frente ao Kang's Table e desceu, contornando o veículo para abrir a porta do passageiro. Sem dizer nada, fez um gesto sutil para que Irene a acompanhasse até a entrada dos fundos. O restaurante, fechado naquela noite, estava imerso em silêncio. Seulgi destrancou a porta e, ao entrar, acionou os disjuntores, iluminando gradualmente a cozinha.

— Não sabia que você era o tipo de pessoa que traz convidadas pela porta dos fundos — Irene comentou, enquanto observava o interior do restaurante.

— Com você é diferente. Aqui é onde tudo acontece.

Sem demora, Seulgi ajustou as mangas do blazer e começou a se mover pela cozinha com a precisão de quem conhecia cada detalhe. Irene permaneceu junto à porta por alguns instantes, acompanhando os gestos meticulosos enquanto Seulgi organizava os ingredientes sobre a bancada e verificava os utensílios.

— Eu me lembro de quando isso aqui era menor. Era um espaço simples, mas tinha algo especial. — Irene percorreu a cozinha com passos lentos, permitindo que os olhos registrassem cada mudança.

— E eu me lembro de como eu e você sempre demos um jeito de roubar comida quando ninguém estava olhando. — Seulgi respondeu enquanto retirava um conjunto de facas do suporte.

Irene deixou escapar uma risada curta, balançando a cabeça enquanto o som ecoava suavemente pela cozinha.

— Você ainda se lembra disso? Meu Deus, como você era péssima em disfarçar. Sempre achava que ninguém perceberia.

Seulgi ergueu o olhar de onde cortava alguns cogumelos, um sorriso discreto surgindo enquanto ajustava a faca na tábua.

— Eu me lembro de tudo, Irene. — Pausou por um momento, voltando a cortá-los. — Como você ficava brava quando eu pegava seus bolinhos no intervalo, mesmo quando tinha dois a mais só para mim. Ou de como você insistia que o mundo todo precisava entender sobre Monet, mesmo que fosse na hora do almoço.

— Eu só queria que você tivesse um pouco mais de cultura, Seulgi. Estava fazendo um favor.

— E eu estava fazendo o meu quando te levava para assistir aos meus jogos de baseball, mesmo sabendo que você dizia odiar esportes. 

— Porque eu odiava. 

— Ainda assim, você ficava lá. Sempre na arquibancada, mesmo nos dias mais quentes. 

Irene descruzou os braços, inclinando levemente a cabeça como se avaliasse o que Seulgi fazia.

— Você sequer anunciou o prato que está preparando. Achei que chefs renomadas gostassem de exibir seus talentos.

Seulgi olhou por cima do ombro com um sorriso discreto e voltou a misturar os ingredientes na panela.

— Um risoto de cogumelos silvestres com azeite trufado. Arroz arbóreo, um caldo bem reduzido, e o toque final: lascas de parmesão envelhecido.

Irene franziu o cenho, caminhando alguns passos para mais perto.

— Não me diga que está fazendo o...

— Risoto do Baile de Formatura — Seulgi completou, virando-se com a colher de pau na mão, um brilho de satisfação no olhar.

Irene parou no meio do caminho, surpresa.

— Você se lembra?

— Claro que me lembro. Você disse que era o prato mais delicioso que já tinha comido. Naquela noite, você comeu três vezes, e ainda roubou o meu. — Seulgi riu enquanto voltava a mexer o risoto. 

Irene olhou para Seulgi com uma expressão de incredulidade. — É claro que você se lembra... 

— Por mais que cozinhar nunca tenha sido meu propósito de vida, — ela disse, pausando por um momento, — cozinhar os pratos que você ama sempre foi.

Yours | SeulreneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora