31. Entrelinhas.

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Seulgi entrou na cozinha com o rosto fechado, os cabelos um pouco bagunçados e ainda vestindo a mesma calça moletom e a regata da noite anterior. Assim que viu Yeri parada perto do fogão, mexendo distraidamente em uma frigideira, sua expressão se fechou ainda mais. O cheiro de café fresco preenchia o ambiente, mas nada naquela cena lhe trazia conforto.

Yeri ergueu os olhos ao notar sua presença, forçando um pequeno sorriso antes de quebrar o silêncio.

— Posso saber onde você passou a noite?

Seulgi cruzou os braços, sustentando o olhar dela por alguns segundos antes de responder.

— Dormi na casa de Wendy e Joy.

Yeri desviou o olhar por um instante, mexendo o café na xícara com uma colher.

— Você não precisava ter feito isso. Não precisava ter abrido mão do seu conforto para me evitar.

— Fiz isso porque achei mais sensato. — Seulgi se encostou no balcão, mantendo uma distância segura. — Não se preocupe, dormi numa superfície confortável.

Yeri soltou um riso curto, mas sem alegria. Seus ombros relaxaram um pouco, e ela sussurrou quase para si mesma:

— Eu sinto muito...

Seulgi assentiu, sem demonstrar qualquer emoção.

— Já passou.

— Não, não passou. — Yeri apertou os lábios, encarando a própria mão sobre o balcão. — Você vai me desprezar bem mais do que já me despreza, e isso me faz mal.

Seulgi soltou um suspiro longo, passando a mão pela nuca antes de responder.

— Yeri, eu não quero desprezar você. Quero que a gente tenha uma relação amigável, pelo nosso filho. Eu só não quero ter relações sexuais contigo.

Yeri riu sem humor, balançando a cabeça.

— Mas apenas me responda, Seulgi: o que foi que mudou? Antes isso parecia tão natural... Como uma amizade com benefícios... E agora parece que você sente repulsa de mim. É o meu corpo? É o meu rosto?

Seulgi franziu a testa, se inclinando ligeiramente para frente.

— Não diga isso, Yeri. Você é uma mulher bonita e apaixonante. Isso nem passou pela minha cabeça. O que acontece é que... — Seulgi respirou fundo, fechando os olhos por um momento. — Você já sabe o motivo. Por que sempre me força a dizê-lo?

Yeri apertou a alça da xícara entre os dedos, os nós brancos pela força aplicada.

— Você nunca admitiu com as palavras certas, Seulgi.

Seulgi piscou lentamente, abaixando o tom de voz.

— É... Você está certa. Eu amo a Irene. Eu nunca deixei de amá-la. Enquanto ela estava fora, enquanto eu não podia vê-la, era mais fácil mascarar esse sentimento, porque eu achei que fosse impossível nos encontrarmos outra vez, mas então... — Ela fez uma pausa breve, encarando Yeri diretamente. — Ela apareceu, e foi se tornando frequente esses encontros... Daí eu percebi que não podia lutar contra um sentimento que jamais saiu de mim. Entende?

Yeri engoliu em seco, sua postura enrijecendo.

— Então... Sempre será a Irene, é isso?

Seulgi suspirou.

— Eu não sei se "sempre", mas ela é o meu presente. É um amor recíproco, Yeri, não é qualquer baboseira.

Yeri desviou o olhar para o fogão, sua expressão vacilando.

Yours | SeulreneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora