3. Perfil privado.

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Tony estava agachado ao lado de Karina, tentando consolá-la enquanto ela limpava os olhos, claramente magoada pelas palavras cruéis de Bada.

— Não se preocupe, minha querida, aquela mulher provavelmente tem muita amargura no coração para tratar mal uma menina tão bondosa como você... — Tony murmurava, passando a mão pelos cabelos da bisneta. 

— Ela não me conhece — Karina disse baixinho, ainda com raiva. — Ela não pode falar assim comigo. Só quero saber quem é a minha outra mãe.

Tony suspirou profundamente, sentindo o peso da situação. Antes que pudesse continuar, uma voz familiar e furiosa interrompeu a calma da conversa.

— Karina! — Era Irene, que havia acabado de chegar, os olhos fulminando de raiva ao ver sua filha ali, fora do Kang's Table. — O que você está fazendo aqui?

Karina, que normalmente seria confrontadora, decidiu que esse era o momento de agir de maneira esperta. Endireitou-se, respirou fundo e, com uma expressão inocente, respondeu:

— A gente estava com fome, mamãe. E como estávamos por perto... só viemos comer. Só isso.

Irene parou, as palavras presas em sua garganta. Ela estava absolutamente certa de que Karina mencionaria Seulgi, que esse seria o momento em que tudo viria à tona. Mas a filha não deu nem uma pista, mantendo o tom casual e sincero.

Tony, percebendo a oportunidade, endossou rapidamente a história.

— É, Irene. A gente só estava com fome. Não tem nada de mais. Comemos, descansamos um pouco... eu já ia levar a menina embora.

Irene cruzou os braços, ainda sem conseguir relaxar totalmente. Olhou para Karina com um olhar severo.

— Não quero mais que você saia por aí sem avisar. Você sabe como eu fico preocupada! E, para o seu bem, não é para ir a qualquer lugar sem me falar antes. Estamos entendidas?

Karina assentiu rapidamente, quase ansiosa para sair daquela situação.

— Sim, mamãe. Prometo.

Irene respirou fundo, lançando um último olhar desconfiado para o restaurante antes de fazer um sinal para Karina.

— Agora, vá para o carro. Vamos conversar em casa.

Karina se levantou e, sem hesitar, caminhou em direção ao carro, deixando Tony e Irene para trás.

Irene então virou-se para o avô, a raiva ainda evidente.

— E você, vovô? O que estava pensando, trazendo ela aqui? Sabia que eu não queria que Karina viesse perto desse lugar.

Tony ergueu as mãos em defesa, tentando manter a calma.

— Irene, eu juro, foi só um jantar. Nada mais. Eu jamais colocaria a Karina em uma situação que você desaprovaria.

Irene o encarou por um longo momento antes de balançar a cabeça, ainda frustrada, mas já sem a energia para discutir mais.

— Da próxima vez, vovô... me avise. Agora, vamos para casa.

Irene estava prestes a abrir a porta do carro quando ouviu uma voz familiar chamá-la.

— Irene! — A voz de Joy soou clara no ar, fazendo Irene parar e se virar. Ela vinha do restaurante, correndo com um sorriso no rosto. Ao se aproximar, Joy não hesitou em abraçar Irene calorosamente.

— Joy... — Irene respondeu, mais contida, retribuindo o abraço, mas logo se afastando. — Não esperava te reencontrar assim, de forma tão inesperada e, especialmente, aqui.

Yours | SeulreneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora