41. Rebeldia.

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2009

O corredor cheirava a verniz e ambição. O salto de Yonja ecoava pelo chão encerado como um lembrete de autoridade. Cada passo era uma cobrança muda para que Yeri, aos onze anos, soubesse exatamente quem sua mãe era naquele ambiente: uma diretora intocável, respeitada, temida.

— Yeri, eu te peço por favor: fique onde possamos te ver. Hoje você é só uma visitante, entendeu?

Ela assentiu em silêncio, olhando ao redor como quem tentava encontrar espaço para respirar. Os quadros nas paredes exibiam premiações, fotos de formaturas, rostos sorridentes de alunos. Tudo perfeitamente alinhado. Tudo distante.

A sala da diretoria era fria. Não pela temperatura, mas pela falta de qualquer traço de lar. A mesa de Yonja era meticulosamente organizada, e a cadeira de couro atrás dela parecia mais um trono do que um lugar de trabalho.

— Jae, como combinamos, fique de olho nela. Eu tenho uma reunião com os coordenadores. Já volto.

— Entendido, diretora.

Yeri franziu o rosto, enfiando-se numa das poltronas. A luz fluorescente zumbia alto, misturada ao som das teclas que a secretária martelava com precisão. Ela odiava estar ali. Odiava ainda mais estar sendo ignorada.

— Eu tô aqui, sabia?

— Bom saber. — Yonja disparou, antes de sair sem esperar resposta.

O tempo passou devagar, como sempre passava quando se era criança e ninguém prestava atenção. Os ponteiros do relógio pareciam rir da sua impaciência. Yeri observou Jae digitar, beber chá, suspirar... e não olhar pra ela nenhuma vez.

Foi o suficiente.

Levantou devagar, sem fazer barulho, deslizou até a porta e escapou como quem rouba um segredo. Os corredores estavam mais vazios do que esperava. Andou sem rumo, sentindo a mochila balançar nas costas. O som de risadas e gritos vindos de fora atraiu sua curiosidade.

Seguiu pelo pátio, passou pela cantina, atravessou o jardim até encontrar a grade do campo de baseball. Subiu num banco para ver melhor. Os meninos corriam, gritavam, giravam os tacos com força, e tudo aquilo parecia mais interessante do que qualquer coisa dentro daquele prédio gelado.

Quando a bola escapou do campo e quicou a poucos passos dela, Yeri nem pensou. Pulou a grade e correu para pegá-la.

O treino parou.

— Ô! Sai daí, pirralha! Tá achando que é passeio?

Ela congelou, segurando a bola como se tivesse cometido um crime.

— Desculpa, eu só-

— Só nada. Some daqui!

O tom duro do garoto a fez engolir as palavras. Um calor subiu pelo rosto, mas antes que ela pudesse retrucar, outra voz cortou o ar.

— Fala mais alto, quem sabe ela desaparece de medo.

Yeri se virou.

A garota que se aproximava tinha um jeito que desafiava a autoridade do lugar inteiro. Alta, cabelo escuro preso com desleixo, andar relaxado, mas firme. Os olhos, escuros e atentos, diziam mais do que qualquer uniforme.

— Tá defendendo criança agora, Seulgi?

— Tô defendendo quem tem mais educação que você, Kai. E convenhamos… não precisa de muito.

O garoto bufou e voltou para o grupo. A adolescente então se abaixou diante de Yeri.

— Machucou?

Yeri sacudiu a cabeça.

Yours | SeulreneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora