10. O jantar.

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Seulgi se sentou cuidadosamente na beirada da cama, observando Karina, que ainda estava um pouco sem jeito com a situação. Karina se acomodou ao lado dela, mas evitava olhar diretamente para Seulgi, seu olhar ainda um pouco tímido, como se tivesse se exposto demais ao correr até ela tão rapidamente.

Seulgi sorriu suavemente, tentando aliviar o clima. Ela então começou a falar com uma voz calma, mas cheia de atenção:

— Sua mãe me disse que você estava mal, que não queria falar com ninguém e por isso achou que eu poderia ajudar. Confesso que fiquei um pouco surpresa com a mensagem repentina, mas para ela ter me contatado, algo aconteceu. — Ela fez uma pausa e, com um tom mais suave, completou: — Você quer me contar?

Karina olhou para Seulgi, hesitando. Ela parecia procurar as palavras certas, mas ao mesmo tempo a presença de Seulgi parecia tão acolhedora que Karina sentiu uma pequena coragem brotar dentro de si.

Após um longo momento de silêncio, ela finalmente falou, com a voz baixa, mas sincera:

— Eu menti… não estou mal. Fingi toda a situação para que você viesse até aqui.

Seulgi arqueou as sobrancelhas, surpresa.

— Espera aí… o quê? — ela perguntou, cruzando os braços, embora um sorriso de canto entregasse que não estava realmente brava.

Karina deu de ombros, ainda um pouco tímida, mas com um sorriso travesso surgindo.

— Foi o único jeito que eu encontrei para que mamãe me deixasse te ver.

Seulgi inclinou a cabeça, intrigada. — Deixar? Karina, sua mãe já tinha me dado permissão para continuar vindo te ver. — Ela fez uma pausa, cruzando os braços. — Então, por que você achou que precisava fazer tudo isso?

Karina baixou o olhar. — Depois do jantar especial... mamãe estava chorando. — Ela falou de forma quase inaudível, mas Seulgi ouviu com clareza. — Não sei exatamente o que aconteceu. Só pensei que ela estivesse brava com você e, por isso, não iria mais me deixar te ver.

Seulgi suspirou, tentando organizar os pensamentos.

— E você achou que a melhor solução seria armar um drama para me chamar aqui? — perguntou, com um toque de humor, mas ainda séria.

Karina deu um sorriso travesso, que lembrava muito o de Irene em momentos estratégicos.

— Funcionou, não funcionou?

— É, funcionou. Não sei se admiro sua criatividade ou fico preocupada com o nível de manipulação que você já domina.

Karina gargalhou, visivelmente aliviada. — Foi por uma boa causa.

— Ainda assim, não foi muito legal mentir assim. — Seulgi respondeu, suavemente. 

— Me desculpa, Seulgi…

Seulgi suspirou. Ela colocou uma mão gentil no ombro da menina, tentando oferecer conforto.

— Olha, Karina, tem coisas que são complicadas… Coisas de adulto. Você não precisa se preocupar com isso agora.

Karina franziu o cenho, cruzando os braços como quem não aceitava aquela resposta.

— Mamãe sempre diz isso. Mas como eu posso ignorar quando vejo ela triste?

Seulgi ficou em silêncio, encarando o chão. As palavras da garota pesavam mais do que ela esperava. Ela desviou o olhar, mexendo distraidamente nos dedos.

— Seulgi… — Karina chamou, sua voz agora mais suave. — Você e mamãe já tiveram alguma… coisa? 

Seulgi ficou em silêncio por um momento, observando as próprias mãos pousadas no colo. Por fim, suspirou profundamente, como se estivesse tentando aliviar o peso das palavras que estava prestes a dizer.

Yours | SeulreneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora