20. O retrato.

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Naquela manhã, Irene caminhou até a galeria com um peso no peito que parecia aumentar a cada passo. O silêncio em casa durante o café da manhã havia sido opressor, quase insuportável. Tiffany mal levantou os olhos para ela, concentrada em qualquer coisa que não fosse a irmã.

Enquanto cortava o trânsito de Seoul, Irene não conseguia afastar o arrependimento pelas palavras ásperas que dirigiu a Tiffany na noite anterior.

Logo Tiffany, que sempre esteve ao seu lado. A irmã que segurava sua mão nos momentos mais difíceis, que oferecia apoio sem hesitar, mesmo quando as circunstâncias pareciam impossíveis. 

Irene entrou na galeria, mas os quadros, normalmente uma fonte de inspiração e alívio, hoje não traziam nenhuma paz. Ela caminhou pelo espaço vazio, seus olhos vagando pelas obras, mas sua mente presa ao vazio que sentia por dentro.

A porta se abriu, interrompendo por um instante os pensamentos de Irene. Yeri entrou, com um sorriso leve e um café expresso em mãos, seu olhar fixo na bebida enquanto se dirigia até Irene.

— Bom dia, querida.

— Bom dia, Yeri.

Yeri olhou para Irene e parou de repente, fazendo uma expressão surpresa ao notar o semblante da outra.

— Céus! Você viu um fantasma? Que cara é essa?

Irene tentou disfarçar a inquietação que se formava em seu peito. Seus olhos se fixaram em Yeri, buscando a maneira certa de começar. 

— Nós… precisamos conversar. — disse, com a voz mais firme do que se sentia.

Yeri a olhou com uma expressão de curiosidade. Ela deu um passo à frente, inclinando levemente a cabeça.

— Ah, é? Fiz algo de errado, Irene?

Irene desviou o olhar por um segundo. — Não, não é isso. Me desculpe se pareci... brusca.

Yeri a observou, o sorriso cínico nunca deixando seu rosto, como se estivesse analisando cada movimento de Irene.

— Ei, o que é isso? Não sou de vidro, sabia? Não precisa desse jeito... Se tem algo que quer dizer, pode falar.

A suavidade na voz de Yeri contrastava com o que Irene sentia, e a forma como ela falava, como se já tivesse certeza de tudo, fez o desconforto de Irene crescer. Ela respirou fundo, decidida.

— Eu e Seulgi saímos algumas vezes. Recentemente… — soltou, sem olhar diretamente para Yeri.

Yeri fez uma pausa, os olhos brilhando com uma expressão difícil de ler. Ela se aproximou, como se tentasse entender o que estava sendo dito.

— Ah, entendi… Então, é isso? — Yeri respondeu, a voz calma e controlada, mas algo na sua postura sugeria que ela estava apenas aguardando o desenrolar da conversa.

— É… nós tivemos alguns momentos juntas.. não foi nada demais, na verdade. Apenas algumas saídas, conversas... Eu só achei que era justo te dizer isso.

Yeri não reagiu imediatamente. Em vez disso, deu um leve gole no café, os olhos fixos em Irene, como se estivesse absorvendo a informação com uma calma estudada.

— Ah… Entendi. Você está me contando isso como uma espécie de… desabafo, certo? Algo que você achou que eu merecesse saber?

Irene franziu a testa, sem entender muito bem a resposta. Ela queria mais sinceridade, algo mais direto.

— Bem… eu só acho que, sendo tudo tão recente, é melhor você saber. Não quero que você fique pensando que... estava escondendo algo de você — Irene disse, mexendo nervosamente com as mãos, evitando o olhar de Yeri.

Yours | SeulreneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora