— Família reunida. Uau, uma cena e tanto. Como vai, Seulgi?
Todos ficaram imóveis. Seulgi sentiu o coração dar um salto, os músculos do maxilar se contraindo. Seus olhos se fixaram na figura parada ali, de preto, magra demais, o rosto pálido contrastando com a ousadia na postura.
— O que você tá fazendo aqui? — Seulgi deu um passo à frente, a voz baixa e firme. — Vai embora. Eu não quero você aqui. Não hoje. Não depois de tudo.
— Eu sei... — Yeri sorriu, um sorriso quebrado, falso. — Eu sei que você me odeia. E com razão. Mas mesmo assim, eu vim. Porque tem coisas que eu preciso dizer. E você, Seulgi... você devia pelo menos me dar isso. Um pouco da sua atenção.
— Você realmente não tem escrúpulo nenhum em voltar aqui depois de tudo o que fez, não é mesmo? — Irene se colocou um pouco à frente, a mão ainda segurando firme a de Karina.
Yeri soltou uma risada seca, os olhos deslizando até Irene como quem analisa uma rival.
— Irene, Irene... Não se preocupe. Eu não vou tirar o que te pertence. Não se intrometa no que é entre mim e Seulgi.
— Não se intrometa você. — retrucou Irene, com a voz firme. — Vá embora antes que eu chame a polícia pra terminar o que deviam ter feito da última vez!
— Acha mesmo que a polícia me assusta?
O silêncio que seguiu foi espesso.
— Dois meses. Dois meses desde que ela virou as costas pra mim. — disse, os olhos voltando para Seulgi. — Nem um telefonema. Nem uma visita no hospital. Nada. Depois de tudo... você virou as costas como se eu fosse lixo.
— Você mentiu pra mim, Yeri. — Seulgi respondeul. — Você manipulou todo mundo… e quer o quê? Um abraço?
— O que eu quero? Eu quero ser ela. — Yeri apontou para Irene. — Eu queria ser a mulher que você olha com amor…
Yeri então enfiou a mão na bolsa, e o gesto foi rápido demais para parecer natural. Wendy instintivamente se colocou na frente de Joy. Tiffany puxou Karina para trás de si, enquanto Irene ficou imóvel, encarando o que parecia impossível.
Yeri tirou um revólver pequeno da bolsa e o ergueu, não exatamente apontando, mas deixando à vista. Seus olhos estavam cheios, não de lágrimas, mas de raiva.
— Baixa essa arma, Yeri. — disse Seulgi, a voz tensa, o corpo inteiro em alerta. — Por favor…
Yeri olhou para ela. Havia algo perdido no fundo dos olhos. Algo que já não sabia mais como se agarrar.
— Você vai me ouvir, Seulgi. Vai ser agora. A sós. Num lugar onde ninguém mais interfira.
Seulgi respirou fundo, os olhos ainda fixos na arma. Não estava exatamente apontada, mas a ameaça pairava ali como um fio de faca prestes a romper.
— Tudo bem. — respondeu, com cuidado. — Tudo bem… eu vou com você.
— Confia em mim? — Yeri ergueu um canto da boca, amarga.
— Não. — disse Seulgi, firme. — Mas confio que, se você me quisesse morta, não teria esperado dois meses pra isso.
— Não se atreva a bancar a psicóloga comigo. — ela respondeu, engolindo em seco, mas sua mão começou a tremer levemente. — Você não sabe o que eu passei. Você me deixou, Seulgi. Você me jogou fora como se eu nunca tivesse significado nada!
— Então me culpe… Me odeie... Mas não coloca essa dor nas costas de mais ninguém. Me leva pra conversar. — disse Seulgi, suavemente. — Só nós duas.
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Yours | Seulrene
FanfictionQuando Seulgi decide ficar em Seoul, Irene fica despedaçada, mas parte para a Europa, sozinha e grávida de Seulgi. Anos depois, Karina já está grande e plenamente decidida em saber quem é sua outra mãe. É por isso que ela vai atrás de Seulgi, e ela...
