— Kim Minjeong? — A voz cortante da professora Bomi ecoou, enquanto os olhos semicerrados passeavam pela folha de chamada.
O silêncio caiu como uma sentença. Karina ergueu o rosto na mesma hora, olhando para a cadeira vazia ao seu lado. Depois, para a porta, como se, por um milagre, Winter fosse surgir correndo, com aquele jeito apressado e as desculpas engraçadas de sempre. Mas não veio. Nem passos no corredor. Nem suspiro. Nada.
— Faltou. — respondeu Giselle, sem tirar os olhos do caderno.
Bomi assentiu com um grunhido e seguiu adiante, indiferente.
Karina tentou prestar atenção, mas os números no quadro já não diziam nada. Era a quarta aula sem Winter. Nenhuma explicação. Nenhuma mensagem. Nenhum aviso. Como se tivesse sumido do mapa. E Karina, que nunca soube lidar com vazios, sentia o buraco crescendo por dentro. Sentia falta da voz dela no recreio, das piadas cochichadas, daquela cumplicidade muda. Sentia falta de algo que talvez nem soubesse nomear. Mas estava ali. Presente. Latejando.
A chamada seguiu. O mundo também. Mas, dentro de Karina, tudo parecia um pouco mais quieto.
Quando o sinal tocou, arrastando a sala inteira para o intervalo como uma maré automática, Karina foi junto, mochila nas costas, mas com os pensamentos ainda grudados no mesmo lugar. Sentou-se com NingNing, que já falava animada sobre um sonho romântico.
— E aí ele apareceu num cavalo branco! — dizia, os olhos brilhando, mastigando entre uma frase e outra. — Com uma capa azul-marinho toda bordada. Disse que ia me resgatar da torre antes do pôr do sol…
Karina forçou um sorriso, mordendo o pão com geleia sem entusiasmo.
— Seunghan é bonito, vai… — continuou NingNing. — Mas de príncipe ele não tem nada. Aquela cara de sono não engana ninguém.
Karina soltou um som abafado. Não era bem riso, nem resposta. Era só ela tentando estar ali.
Giselle chegou em seguida, equilibrando o suco e o pão de queijo. Sentou-se com um suspiro cansado, ainda sem tocar no lanche.
— Ainda nada? — perguntou Karina, a voz saindo quase num fio.
— Não, Karina. — Giselle respondeu antes mesmo que a frase se completasse. O tom era calmo, mas firme. Já tinha dito aquilo vezes demais naquela semana. — Ela não me respondeu. Não entrou no RPG. Não apareceu online. Nada.
O silêncio pousou entre as três.
— Nem uma mensagem? — Karina insistiu, mais baixo do que queria.
Giselle apenas balançou a cabeça, encarando o suco como se houvesse alguma resposta ali.
Karina tentava seguir com o dia. Com as conversas, os risos, o vai e vem da escola. Mas tudo parecia abafado, como se algo estivesse fora do lugar. A ausência de Winter pesava — nas cadeiras da sala, no grupo do RPG, nos cantos dela. E ninguém parecia saber de nada.
Em algum momento, sem pensar muito, Karina foi até a direção. Ninguém mandou, ninguém pediu. Foi só ela, e o silêncio.
Bateu na porta. Nada. A recepcionista apareceu do outro lado, com uma pasta na mão.
— Procurando a diretora?
Karina assentiu.
— Ela não estará nos próximos dias.
— Ah… — olhou para a porta fechada, tentando disfarçar a frustração. — Sabe quando ela volta?
A mulher deu de ombros, hesitante.
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Yours | Seulrene
FanfictionQuando Seulgi decide ficar em Seoul, Irene fica despedaçada, mas parte para a Europa, sozinha e grávida de Seulgi. Anos depois, Karina já está grande e plenamente decidida em saber quem é sua outra mãe. É por isso que ela vai atrás de Seulgi, e ela...
