Seulgi estava no escritório de sua casa, o ar levemente abafado pelo calor do fim da manhã. Sentada em sua cadeira de couro, ela olhava para o notebook, os olhos semicerrados enquanto analisava receitas e novos pratos para o restaurante. O cabelo desgrenhado, vestígio de uma noite longa e bastante satisfatória, caía sobre seus olhos, emoldurando o rosto relaxado. Ela usava uma camisa branca aberta, revelando o peito nu e uma cueca samba-canção que mal cobria suas coxas.
Naquela postura desleixada, combinada com o som das teclas sendo digitadas, ela estava mergulhada no trabalho, como sempre.
No silêncio confortável, ela ouviu passos leves se aproximando por trás. De repente, braços delgados e quentes envolveram sua cintura, e um corpo macio pressionou-se contra suas costas. Seulgi sentiu lábios suaves tocarem seu pescoço exposto, em um beijo lento e intencional. Ela fechou os olhos por um breve segundo, aproveitando o toque antes de continuar digitando.
— Você realmente não consegue largar o trabalho, nem mesmo quando tem algo muito mais interessante aqui, hein? — a voz suave e provocante sussurrou no ouvido de Seulgi.
Seulgi riu, balançando a cabeça, mas não tirou os olhos do notebook.
— Yeri... — murmurou o nome com uma familiaridade preguiçosa, sem deixar de sorrir. — Só me dê um momento, tudo bem?
Yeri, ainda abraçada a ela, ergueu uma sobrancelha, frustrada pela falta de atenção.
— Vai me dizer que a planilha de compras é mais interessante que eu? — Yeri brincou, dando um leve aperto na cintura de Seulgi, tentando trazê-la de volta à realidade. — Se continuar assim, daqui a pouco vai esquecer como é se divertir.
Seulgi riu baixinho. Ela finalmente tirou os olhos da tela, inclinando a cabeça para olhar Yeri de soslaio, sem se desvencilhar do abraço.
— Digamos que uma mulher, cujo nome é Kang Bada, passou os últimos dez anos me ensinando que não existe espaço para falhas, nem tempo para descanso. O restaurante é a prioridade, sempre foi. Desde o primeiro dia em que coloquei os pés lá, ela me fez entender que minha vida giraria em torno dele, como se nada mais importasse.
— Dez anos é muito tempo para viver assim — Yeri comentou, suavizando o tom. — Não acha que já pagou sua dívida com esse restaurante? Talvez seja hora de... sei lá, começar a viver por você.
Seulgi sorriu, mas dessa vez o sorriso não chegou aos olhos.
— Eu sou o restaurante, Yeri. Não tem como separar uma coisa da outra.
Yeri se afastou levemente, mas ainda com as mãos sobre os ombros de Seulgi, e agora a encarava com um olhar questionador.
— E você realmente acredita nisso? Que sua vida se resume a isso? —
Seulgi desviou o olhar, voltando a encarar o notebook.
— Não é questão de acreditar. É o que é. E, sinceramente, depois de tanto tempo, acho que me acostumei com essa ideia. O restaurante me deu estrutura, propósito... — Ela hesitou por um momento, antes de continuar: — Talvez até uma desculpa para evitar pensar em outras coisas.
— Então... o restaurante te faz tão bem assim que não tem nem tempo para sair comigo?
— Olha só quem está sendo dramática agora! Essa pose não combina nada com você, Yeri — ela provocou, levantando uma sobrancelha. — Você deveria estar mais interessada em explorar o mundo do que em ser uma atriz de novela!
Yeri, com um sorriso desafiador, tomou a iniciativa e fechou o notebook de Seulgi com um movimento rápido, cruzando os braços como se tivesse acabado de fazer algo monumental.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Yours | Seulrene
FanfictionQuando Seulgi decide ficar em Seoul, Irene fica despedaçada, mas parte para a Europa, sozinha e grávida de Seulgi. Anos depois, Karina já está grande e plenamente decidida em saber quem é sua outra mãe. É por isso que ela vai atrás de Seulgi, e ela...
