A sala de espera estava em silêncio. Yonja permanecia de pé, de braços cruzados, tentando se manter firme. Seulgi, sentada, olhava para o chão. Irene ajeitou o cabelo atrás da orelha, respirou fundo e encarou as duas.
— Eu sinto muito. Por vocês duas. — A pausa veio curta, só o suficiente pra dar peso ao que viria. — Eu fui atrás do Suho. Queria entender se tudo aquilo que eu pensava era real… ou se era só coisa da minha cabeça.
Seulgi levantou os olhos. Yonja continuou calada, atenta.
— Suho me contou coisas... Ele disse que Yeri foi parar num colégio interno porque mentia compulsivamente. Que manipulava, criava intrigas, virava as pessoas umas contra as outras... e que tinha uma facilidade assustadora de inverter as situações. — Irene passou a mão nos cabelos, inquieta. — Disse que ela nunca soube aceitar um "não", e que uma vez, ainda adolescente, falsificou uma carta da escola para convencer você a deixá-la viajar com amigos. E que, se fosse necessário... ela subornaria qualquer um pra conseguir o que queria.
Yonja fechou os olhos por um instante. Quando falou, sua voz era mais baixa:
— Ela sempre teve essa... habilidade… de fazer parecer que o erro era dos outros. Comigo, tudo virava discussão. Às vezes, eu não sabia mais se era eu quem estava perdendo a razão... ou se ela já tinha virado outra pessoa na minha frente. Então eu a mandei para o colégio interno… foi no dia em que percebi que não acreditava mais nem naquilo que eu via com meus próprios olhos. — Yonja abaixou o olhar. — Era isso ou deixar que ela me engolisse viva.
— Quando ele me disse isso, tudo se encaixou. Principalmente depois do que descobri ontem. — Irene deu um passo à frente, mais firme. — Aconteceu um desfalque na galeria. Uma quantia alta foi retirada da conta a que a Yeri tinha acesso.
Yonja franziu o rosto. — Você está dizendo que…?
— Não tenho como provar, ainda. — interrompeu Irene, com honestidade. — Mas a quantia é alta. O suficiente pra pagar por exames, por uma ultrassonografia falsificada... por documentos médicos convincentes. Se ela subornou alguém, como Suho disse que ela seria capaz de fazer, esse dinheiro pode ter sido a chave.
Yonja levou a mão ao rosto. As lágrimas vieram rápido, mas ela manteve a postura.
— Eu vou pagar. Cada centavo. — disse Yonja, com a voz embargada, os olhos já vermelhos, encarando Irene com desespero. — Mesmo que tenha sido minha filha, isso não pode ficar assim. Eu... eu deixei acontecer. Eu fechei os olhos.
Irene suspirou e balançou a cabeça, com firmeza.
— Não é necessário, Yonja. Eu não preciso do dinheiro. — disse, séria, porém sem hostilidade. — O que ela tirou de mim não foi material... o que custou mais caro foi o que ela fez com a Seulgi.
Yonja assentiu, engolindo em seco. — Eu achei que tinha conseguido afastar ela disso tudo. Que ela tinha mudado. Mas parece que só ficou mais cuidadosa em esconder.
Ela hesitou por um instante, olhando para Seulgi como se buscasse permissão para se aproximar. O chão entre elas parecia mais distante do que nunca. Então, com um gesto lento e pesado, Yonja se ajoelhou. Não foi teatral. Foi humano. Frágil. Um joelho após o outro.
As mãos apoiadas nas pernas, ela abaixou a cabeça por um segundo, e quando levantou o olhar, os olhos estavam marejados, mas não havia desespero — só cansaço, vergonha, e dor.
— Me perdoa. — disse baixo, sem pressa. — Por tudo. Pela Yeri. Pela dor que você está sentindo agora. Eu devia ter visto. Devia ter te protegido. Devia ter enfrentado a minha filha, mesmo que isso me partisse ao meio. Mas eu me escondi. E você pagou por isso.
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Yours | Seulrene
FanfictionQuando Seulgi decide ficar em Seoul, Irene fica despedaçada, mas parte para a Europa, sozinha e grávida de Seulgi. Anos depois, Karina já está grande e plenamente decidida em saber quem é sua outra mãe. É por isso que ela vai atrás de Seulgi, e ela...
