30. Um menino.

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Karina entrou no colégio naquela manhã de segunda-feira sentindo que ainda carregava os resquícios do fim de semana conturbado. Mas assim que viu NingNing se aproximar com um sorriso caloroso e um pequeno bolinho em mãos, seu humor melhorou um pouco.

— Para mim? — perguntou, arqueando a sobrancelha.

— Sim... — NingNing entregou o bolinho a ela. — Eu ainda não me desculpei pelo ocorrido da semana passada. Prometo que não irei mais forçar coisas românticas que ainda não aconteceram.

Karina sorriu, aceitando o presente.

— Ah, eu agradeço seu gesto, Ning. Não se preocupe, você não precisa mudar o seu jeito romântico, eu até aprecio ele!

— Está falando sério? — NingNing perguntou, enquanto as duas começavam a caminhar juntas pelo corredor.

— Sim, porque eu também sou um pouquinho. Principalmente quando tenho tantas esperanças em ver minhas mães juntas outra vez.

— Saiba que se você continuar romantizando seus objetivos, eles têm mais chances de acontecer. Minha avó sempre diz isso.

— Tomara, Ning, tomara... — Karina sorriu, abraçando o bolinho contra o peito.

De repente, ambas pararam ao ver Winter e Giselle sentadas na escadaria, conversando amigavelmente e dividindo uma pequena torta.

— Veja só, Winter está sendo gentil com Giselle. — NingNing comentou, observando a cena com curiosidade.

— Winter é uma pessoa gentil. — Karina disse automaticamente, um sorriso bobo escapando enquanto olhava para Winter.

Antes que pudesse se perder nos próprios pensamentos, Lucas se aproximou com as mãos nos bolsos. Ele parecia desconcertado.

— Ei, Karina, posso falar com você?

Karina franziu o cenho, curiosa.

— Ah, claro, Lucas. O que seria?

Lucas hesitou, coçando a nuca.

— Bem... É que... correram uns boatos pelo colégio de que você... você gosta de mim.

O mundo de Karina parou por um segundo. Ela piscou, sentindo o calor subir até as orelhas, enquanto NingNing começou a rir baixinho, escondendo a boca com a mão.

— O-o quê?

— Sim... mas está tudo bem, você não precisa se envergonhar. Eu só queria te dar uma resposta a respeito porque meu pai me ensinou a ser transparente com as pessoas.

— Lucas-

— Karina, eu também te acho muito bonita, e você é legal, manda bem nos esportes... e eu fico feliz que uma garota como você olhe para mim, mas é que o meu lance por agora é só o time de baseball, sacou? Me desculpe, eu não penso em ter uma namorada tão cedo, sou muito novo pra isso. Você entende, certo?

Karina queria evaporar no ar.

— Ah, meu Deus... — murmurou, sem saber onde enfiar a cara.

— Por favor, não fique brava comigo. Eu espero que ainda possamos ser bons amigos. — Lucas ofereceu sua mão para um aperto de reconciliação.

Mas Karina continuou paralisada, sem reação. Lucas achou aquilo estranho, então recuou sua mão.

— Ok... Eu... Eu acho que vou indo. A gente se vê na aula. — Ele acenou e se retirou, deixando Karina petrificada.

Assim que ele sumiu no corredor, ela sentiu o impacto total da situação.

— Por favor, me mata. Agora mesmo! — gemeu, cobrindo o rosto com as mãos.

Yours | SeulreneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora