"𝐬𝐚𝐲 𝐢'𝐥𝐥 𝐛𝐞 𝐡𝐞𝐫𝐞, 𝐢'𝐥𝐥 𝐛𝐞 𝐡𝐞𝐫𝐞"
Onde Elizabeth Stagg tem um histórico de relacionamentos tão ruins quanto sua reputação.
Ou
Onde Vance Hopper não entende os sentimentos que surgiam em relação a colega de classe.
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TERÇA FEIRA, 1978
Eu encaro meu reflexo no espelho, ajeitando o rímel que estava um pouco borrado e aplicando um pouco mais de corretivo nas olheiras. A casa está calma, o que facilita eu me arrumar com mais calma e prestar realmente atenção no que estou fazendo, afinal, Michael não está aqui para ficar me espionando pelos cantos da casa que nem ele sempre faz. O filho da puta tá na casa da puta que pariu ele, literalmente. A mãe dele tá doente, não que ela já não seja, ela tem um problema de toc horrível, mas nada muito grave, eu acho. Me sinto horrível em dizer, mas eu não poderia estar mais aliviadas de passar alguns dias sem esse merda em casa, então, obrigada por ter saúde frágil senhora Riggs.
As batidinhas leves da espojinha de maquiagem faz a base clara se espalhar pelo meu rosto, cobrindo alguns hematomas, e eu suspiro ao ver meu rosto se tornar "limpo", pelo menos por algum tempo. Após isso, aplico um pouco de blush em minhas bochechas, sombra escura nas pálpebras, lápis preto na linha d'água, e gloss nos lábios. Meu cabelo está solto, ainda alinhado pela chapinha, e estou vestindo shorts jeans de cintura alta, uma blusa de alça, casaco surrado, meias na altura do joelho e botas. É bastante simples e diferente do que eu normalmente uso, mas eu tenho que levar em consideração de que não é exatamente uma festa, é mais uma pequena comemoração de um garoto meio solitário e com uma irmã um pouco estranha, é o mais apropriado. Na verdade, eu não sinto nenhuma vontade de ir, mas como eu já falei pro Arellano que iria, eu não posso ser escrota a esse nível com um dos únicos caras legais daquele colégio.
Após mais um tempo encarando meu reflexo no espelho do quarto, eu finalmente pego minha bolsa e o presente de Finney, decidida a ir para aquele lugar ficar pelo menos por uma hora ou menos. Não que eu tenha algo contra ele. A questão é que eu não estou afim de socializar... E eu tô com cólica.
Eu desço as escadas com pressa, passando pela minha mãe, que está sentada na poltrona da sala parecendo dopada de remédios e chá, torcendo para que ela nem ao menos note minha presença. Para minha sorte, ela não nota, apenas fica ali encarando a tv desligada como se tivesse algo na tela escura. É a primeira vez em algum tempo que ela fica nesse estado. Na maioria das vezes isso ocorre quando Michael está longe ou eles estão brigados, é a forma dela de lidar com as saudades, eu acho. Tranco a porta atrás de mim e inspiro o ar puro da rua, me sentindo totalmente diferente da sensação de sufoco que me assombra dentro de casa. Nem ao menos sei ao certo o endereço da casa do garoto, só me lembro vagamente de uma vez no Halloween onde Travis e alguns amigos dele me convenceram a ir jogar ovos na casa dos Blake, e em como o pai da família nos ameaçou com uma espingarda. Eu era uma garota burra. Se o Travis mandasse eu fazer qualquer coisa eu faria sem questionar. Apenas espero que aquele homem não me reconheça. Eu sei que fui idiota pra caralho e que talvez merecesse a porra do tiro, mas só talvez.
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Depois de quase meia hora caminhando, já que eu me perdi no meio do caminho, consigo achar a casa do garoto. Não havia mudado tanta coisa desde a última vez que eu estive ali no Halloween, o que servia para me deixar mais ansiosa e nervosa. A passos lentos, eu me aproximo da porta e bato algumas vezes, já que não havia nenhuma campainha ali. Um suspira impaciente escapa da minha boca enquanto eu fico ali em pé esperando alguém vir atender a porra da porta. Merda, é foda quando você não quer estar em um lugar, qualquer coisa te faz ficar totalmente irritável.