"𝐬𝐚𝐲 𝐢'𝐥𝐥 𝐛𝐞 𝐡𝐞𝐫𝐞, 𝐢'𝐥𝐥 𝐛𝐞 𝐡𝐞𝐫𝐞"
Onde Elizabeth Stagg tem um histórico de relacionamentos tão ruins quanto sua reputação.
Ou
Onde Vance Hopper não entende os sentimentos que surgiam em relação a colega de classe.
...
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Terça-feira, 1978
Já se passaram algumas horas, desde que me tranquei aqui no meu quarto. Michael, eventualmente, desistiu de socar minha porta e foi para o andar de baixo. Deu pra ouvir o som de algumas coisas quebrando durante sua crise de raiva, o que de certa forma me lembrou de Vance. Griffin provavelmente foi pro próprio quarto para não sofrer as consequências de ficar numa sala durante uma das crises de Michael Riggs, por mais que nosso padrasto jamais encostaria um dedo em Griffin. O homem sempre tentou ganhar a confiança do meu irmão, talvez para que ele não conte nada do que ele faz pra minha mãe. É, que psicopata do caralho!
Confiro o horário no relógio ao lado de minha cama. São 18:13 da tarde, fazem cinco horas que Vance deixou minha casa, e cinco horas que ele bagunçou meus sentimentos colocando a merda da mão na minha bochecha. Eu parei pra pensar, após trancar a porta na cara de Michael, que além do meu coração bater forte, naquele momento, uma coisa aconteceu com meu estômago. Sim, esse clichê merda de romances idiotas, borboletas no estômago. Mas tenho certeza que foi uma reação por conta da quantidade de tempo que passei sem esse tipo de carinho. Gostar de Vance Hopper está fora de cogitação, definitivamente.
Mas por algum motivo a ausência dele me deixa inquieta. Não sei ao certo, eu apenas quero ele aqui comigo. Quero sentir seu toque, quero escutar sua voz irritada, quero admirar seu rosto e quero me perder no azul de seus olhos. É estranho. Minha mente esta viajando nesse universo de possibilidades, como se eu estivesse caindo em um infinito azul com várias janelas, mostrando cenários que dificilmente vão acontecer na minha vida fudida. Cada janela faz meu coração disparar e minha respiração ficar presa na garganta. Nós dois andando juntos de mãos dadas pelo corredor, com o loiro me protegendo de todos, assistir um filme com ele em um dia frio e depois dormir abraçado, cuidar dele após uma briga, sentir seu toque em mim novamente... Me pergunto como deve ser a sensação de seus lábios nos meus-
Ok, minha imaginação já está passando dos limites. Caralho, eu provavelmente pareço um pimentão nesse momento. Como pude me deixar levar por isso? Eu nem ao menos sinto algo por ele! Eu... eu só quero ele aqui comigo porque me sinto protegida. Só isso. Eu não sinto nada por ele. Cala a boca, cala a boca, cala a boca!
Minha confusão mental é interrompida por um gosto metálico. Acabei morder meu dedo novamente, um de meus péssimos hábitos mas não o pior. Desvio meu olhar do dedo para a coxa esquerda, onde há uma dor aguda. Eu estava arranhando essa região com força, reabrindo cortes recentes. Como eu disse, há coisa pior que morder o polegar. Apenas passo a manga do casaco sobre o corte, limpando o sangue. Me levanto com um tanto de dificuldade, devidos ao ferimentos causados pelo homem, tendo que me rastejar até a cama para usa-la de apoio. Dói pra cacete. Eu pareço um potrinho que acabou de nascer pela forma como tropeço pelo quarto em direção a caixa de discos. Fico de joelhos e a abro, procurando dentre os vários que estão dentro dela um nomeado High Voltage. Retiro o disco ficando animada de imediato, mas também apreensiva. Sei lá, a ideia de Vance não gostar da banda me deixa extremamente nervosa.