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Puta merda... Falta muito pouco pra 6k. Vamos tentar atingir essa meta antes do ano acabar?

 Vamos tentar atingir essa meta antes do ano acabar?

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TERÇA FEIRA, 1978

—Porra. De. Máquina. FILHA. DA. PUTA!— Eu falo, chutando a máquina de pinball com ódio, já que é a terceira vez que a porra da merda da bolinha cai no buraco e me faz perder o caralho do jogo.

Chuto, mais uma vez, a máquina de pinball do Grab n’ Go com mais força, o metal frio devolvendo o impacto para minha bota desgastada. O barulho ecoa pelo lugar, chamando a atenção de alguns desocupados que rondam por ali, mas eu não dou a mínima pra esses filhos da puta. Mais uma derrota. Mais um jogo em que essa merda engole minhas moedas que nem uma porra de uma sanguessuga. Cruzo os braços, encarando as luzes piscando como se a máquina estivesse rindo da minha cara.

—Que filho da... — Murmuro, apertando os punhos, a raiva fervendo no meu peito.

Eu devia estar acostumado a perder. Não é como se tivesse as coisa na minha vida dessem muito certo. Mas mesmo assim, aquela placa do “game over” é que nem um lembrete irritante de como tudo que eu toco parece dar errado. Não tenho mais paciência pra isso hoje, nem fudendo. Deixo a máquina para trás, atravessando o pequeno mercado sem olhar para ninguém, mas eu sinto eles olhando pras minhas costas como se eu fosse algum tipo de animal selvagem. O sino na porta tilinta quando saio, e o ar quente da tarde atinge meu rosto, me fazendo soltar mais um gemido de frustração. É um daqueles dias do caralho, monótonos, chatos, e que você sente que não deveria nem ter acordado. Eu olho para a janela que havia sido quebrada por aquela filha da puta da Stagg. Alguns caras estavam trocando o vídeo quebrado por aquela louca, colocando o novo. Eu posso até ter sido um pouco cruel nas minhas palavras, mas, porra, aí ela vai lá e tava uma pedra na merda da janela? Essa garota é louca pra caralho. E pra ser sincero, nem acreditei que alguém com aqueles bracinhos magrelos da Stagg conseguiriam fazer um estrago desses.

Caminho sem pressa pelas ruas até minha casa, os pensamentos se embaralhando na minha cabeça, e eu tento evitar todo e qualquer um que envolva aquele esquisita. A velha porta de madeira range quando a empurro, e a visão da sala iluminada pelos raios de sol não faz nada para melhorar meu humor. Climazinha de merda. Eu entro para dentro do lugar e fecho a porta, inspirando o cheiro fresco de biscoitos sendo assados, o que indica que minha mãe tá em casa.

—To em casa.— Eu falo em um tom alto agora que ela possa escutar.

Jogo minha jaqueta no sofá e vou em direção ao meu quarto. A televisão está ligada no mesmo canal sem graça de culinária que minha mãe sempre assiste. Ela desenvolveu essas paixões bizarras por culinária e jardinagem depois que meu pai morreu. Minha vó disse que a forma de lidar com o luto, mas eu acho isso uma lerda de tempo. Ele era um tremendo filho da puta, fazia mal pra todo mundo, e morreu como o desgraçado que ele era, sozinho e com uma agulha de heroína na veia.

Eu entro no meu quarto, me jogando na cama e afundando nela, fechando os olhos enquanto me espreguiço ali. O cheiro de amaciante de lavanda chega ao meus nariz, me fazendo franzir as sobrancelhas. Nem percebi que minha mãe tinha trocado a roupa de cama... Quando eu salvei a Stagg daquele merda do Moose, ela deixou minha roupa de cama com aquele maldito cheiro dela de nicotina e perfume de baunilha. Até que ela é cheirosa. Eu fiquei surpreso que ela tome banho. Pelo o que eu já ouvi falar da Elizabeth, achei que as únicas coisas que ela fazia era transar, beber e usar drogas, agora eu acho que ela bebe, usa drogas e tem surtos. Cacete, por que eu tô pensando nela? Que merda.

ALL I WANT | VANCE HOPPERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora